“Semana da Abolição: Aprendizado Lúdico na Educação Infantil”

A Semana da Abolição é um momento muito importante para discutir a nossa história, a resistência e a cultura afro-brasileira, especialmente em uma escola quilombola. Este plano de aula é destinado à Educação Infantil, especificamente para crianças bem pequenas, com idades entre 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses. A proposta é transformar a sala de aula em um espaço de aprendizado que valoriza a história do nosso povo, trabalhando a superação e a memória da resistência.

O objetivo é proporcionar experiências significativas que possibilitem aos pequenos compreenderem e valorizar a sua identidade cultural. Através de atividades lúdicas e criativas, buscamos despertar um sentimento de pertencimento e respeito pela diversidade, promovendo a solidariedade e a convivência harmônica entre todos os alunos.

Tema: Semana da Abolição na Educação Infantil na Escola Quilombola
Duração: 3 dias
Etapa: Educação Infantil
Sub-etapa: Crianças Bem Pequenas
Faixa Etária: 1 a 5 anos

Objetivo Geral:

Planejamentos de Aula BNCC Infantil e Fundamental

Permitir que as crianças se reconheçam em sua história, cultura e identidade, por meio de atividades que estimulem a curiosidade e o respeito pela diversidade cultural.

Objetivos Específicos:

– Promover interações sociais saudáveis entre crianças e adultos, desenvolvendo atitudes de cuidado e solidariedade.
– Incentivar a exploração de gestos e movimentos ligados à cultura afro-brasileira.
– Criar um ambiente de escuta e diálogo, onde as crianças possam expressar seus sentimentos e opiniões sobre a história da abolição e a resistência cultural.
– Fomentar o reconhecimento das características físicas e culturais que nos tornam únicos, respeitando as diferenças.

Habilidades BNCC:

CAMPO DE EXPERIÊNCIAS “O EU, O OUTRO E O NÓS”
(EI02EO01) Demonstrar atitudes de cuidado e solidariedade na interação com crianças e adultos.
(EI02EO04) Comunicar-se com os colegas e os adultos, buscando compreendê-los e fazendo-se compreender.
(EI02EO05) Perceber que as pessoas têm características físicas diferentes, respeitando essas diferenças.

CAMPO DE EXPERIÊNCIAS “CORPO, GESTOS E MOVIMENTOS”
(EI02CG01) Apropriar-se de gestos e movimentos de sua cultura no cuidado de si e nos jogos e brincadeiras.

CAMPO DE EXPERIÊNCIAS “ESCUDA, FALA, PENSAMENTO E IMAGINAÇÃO”
(EI02EF01) Dialogar com crianças e adultos, expressando seus desejos, necessidades, sentimentos e opiniões.
(EI02EF03) Demonstrar interesse e atenção ao ouvir a leitura de histórias e outros textos.

Materiais Necessários:

– Livros ilustrados sobre a abolição e a cultura afro-brasileira.
– Materiais de arte (papel, tinta, pincéis, argila).
– Instrumentos musicais simples (pandeiros, chocalhos).
– Bonecos ou figuras representativas de personagens da cultura afro-brasileira.
– Espaço livre para brincadeiras externas com materiais diversos.

Situações Problema:

Despertar a curiosidade das crianças sobre a história da abolição e a resistência africana. Como podemos contar essa história de maneira que os pequenos entendam e se sintam parte dela? Quais as formas de expressar essa cultura através da arte e da música?

Contextualização:

Na escola quilombola, a história da abolição deve ser abordada de maneira a valorizar a resistência e a cultura afro-brasileira. É importante que as crianças compreendam que a abolição não foi apenas um evento histórico, mas uma parte da luta por dignidade e respeito que continua a ser relevante nos dias atuais. Por meio de contações de histórias, músicas e brincadeiras, essa temática será explorada de forma lúdica, que faz parte do cotidiano dos pequenos.

Desenvolvimento:

Nos três dias de atividade, cada dia será dedicado a um aspecto diferente da temática.

Dia 1: A História da Abolição
Objetivo: Introduzir as crianças à história da abolição.
Descrição: Contar uma história ilustrativa sobre a abolição de forma simples e clara.
Instruções: Escolher um livro com ilustrações e leituras curtas que falem sobre a abolição. Incentivar as crianças a participarem da leitura, fazendo perguntas sobre as imagens.
Materiais: Livros ilustrados e um espaço aconchegante para a leitura.
Adaptação: Usar bonecos ou fantoches para tornar a história mais envolvente.

Dia 2: A Cultura Afro-brasileira
Objetivo: Fomentar a curiosidade sobre a cultura afro-brasileira.
Descrição: Realizar uma atividade de pintura, onde as crianças poderão expressar o que aprenderam sobre a cultura. Criar um mural coletivo.
Instruções: Fornecer tintas e papéis grandes para que as crianças pintem símbolos ou imagens que representam a cultura afro-brasileira.
Materiais: Tintas, pincéis e papel grande.
Adaptação: Utilizar argila para que as crianças possam modelar formas que representem a cultura.

Dia 3: Música e Movimento
Objetivo: Explorar a expressão cultural por meio da música e do movimento.
Descrição: Realizar um momento de interação musical por meio de músicas que falam sobre a resistência e cultura afro-brasileira.
Instruções: Apresentar instrumentinhos para que as crianças possam criar sons e acompanhar as músicas. Promover uma roda de dança com músicas festivas.
Materiais: Instrumentos musicais simples.
Adaptação: Incentivar a criação de novos ritmos e movimentos, estimulando o corpo e a dança criativa.

Atividades sugeridas:

1. Contação de histórias: Selecionar livros que falem sobre heroínas e heróis da resistência africana.
2. Mural de Arte: As crianças irão fazer desenhos e pinturas que representam a liberdade e a cultura afro-brasileira.
3. Roda de Música: Ensinar músicas tradicionais e canções que falem sobre a resistência. As crianças podem brincar com instruments simples.
4. Brincadeiras de Imitação: Brincar de imitar danças ou movimentos típicos da cultura afro-brasileira.
5. Play-Dough de História: Utilizar massa de modelar para criar cenários e objetos que representem a cultura e a história abordadas.

Discussão em Grupo:

Promover um momento de partilha sobre o que aprenderam durante esses três dias. As crianças podem falar sobre a parte que mais gostaram, o que entenderam sobre a cultura e a abolição, em um círculo de conversa.

Perguntas:

– O que você aprendeu sobre a abolição?
– Quem eram as pessoas que lutaram por liberdade?
– Como é a nossa cultura? O que nós gostamos dela?
– Que cores e formas vamos usar no nosso mural?

Avaliação:

A avaliação será contínua e observará a participação das crianças nas atividades, a relação que elas estabelecem com os colegas e a capacidade de expressar o que aprenderam de forma criativa.

Encerramento:

Na conclusão, reunir as crianças para falar brevemente sobre tudo que aprenderam e valorizar suas participações. Mostrar a importância de cada um na construção do conhecimento coletivo e reafirmar o respeito às diferentes culturas.

Dicas:

– Fomentar a escuta ativa, permitindo que as crianças expressem suas dúvidas e curiosidades.
– Valorizar as diferenças, incentivando que cada criança fale sobre suas raízes e a cultura de sua família.
– Utilizar elementos visuais que ajudem na compreensão dos conteúdos abordados, promovendo materiais que interajam.

Texto sobre o tema:

A abolição da escravatura no Brasil, ocorrida em 1888, é um marco importante na luta pela liberdade e dignidade do povo afro-brasileiro. Contudo, essa abolição não foi apenas uma mudança legal, mas parte de um longo processo de resistência e busca por direitos. O povo negro sempre se organizou de diversas maneiras, tentando preservar sua cultura, identidade e dignidade em um contexto hostil. Por meio de vários movimentos, os africanos escravizados e seus descendentes mostraram resistência, enfrentando opressões e lutando por uma vida melhor.

As tradições afro-brasileiras, ricas em cultura, música e arte, são um testemunho dessa resistência. Através da música, por exemplo, expressamos sentimentos, contamos histórias e fazemos críticas sociais. A dança é um meio de celebração e união, onde podemos notar a força e a beleza da cultura afro-brasileira. Portanto, é vital que nas escolas, principalmente nas escolas quilombolas, essa história e cultura sejam abordadas, intuitivamente, respeitando as identidades das crianças e proporcionando um espaço de aprendizado e crescimento.

Desdobramentos do plano:

Este plano de aula pode ser ampliado a partir de diversas outras ações. Por exemplo, é possível criar um “Dia da Cultura Afro-Brasileira”, onde todo o espaço escolar fique tematizado com histórias, músicas e conteúdos que enfatizem a cultura e a resistência dos afrodescendentes. Isso poderia incluir a participação da comunidade, com apresentações de danças, músicas e alimentos típicos, criando uma festa de celebração da identidade.

Outra proposta é incentivar a formação de um grupo de estudos ou debates entre educadores e pais sobre a importância da cultura afro-brasileira no currículo escolar. Esse envolvimento da comunidade reforça o aprendizado e amplia o diálogo sobre as palavras de ordem da resistência, formando indivíduos mais conscientes e críticos. Assim, a história da abolição e a resistência não ficam restritas a poucos dias de atividades, mas se tornam parte integrante da formação dos alunos, contribuindo para a valorização da diversidade étnica e cultural presente no Brasil.

As ações podem também ser estendidas para além da escola, com visitas a locais que têm relevância histórica ou cultural para a comunidade africana, como quilombos ou centros de cultura afro-brasileira. Essas visitas podem agregar valor ao conhecimento das crianças, promover o respeito pelas tradições e estimular um orgulho identitário.

Orientações finais sobre o plano:

É crucial promover a reflexão sobre a importância de se trabalhar a temática da abolição e da cultura afro-brasileira nas escolas, especialmente nas escolas quilombolas, onde a identidade e histórias afrodescendentes são centrais. Ao ensinar essas narrativas, contribuímos para um entendimento mais amplo da sociedade brasileira e suas complexidades.

Importante também lembrar que a aprendizagem na primeira infância deve ser leve e lúdica, utilizando sempre recursos e estratégias que incentivem a curiosidade e a exploração. Com isso, a educação infantil se transforma em um espaço de acolhimento e descoberta, onde as crianças são estimuladas a compreender não só sua cultura, mas também a respeito das culturas que as cercam. O respeito e a solidariedade devem ser valores centrais no ambiente escolar, confortando e aprimorando as interações entre as crianças.

Por fim, é pela valorização da cultura negra que as crianças conseguem se ver representadas e se sentirem parte de uma história rica e importante que molda não apenas seus dias escolares, mas suas vidas ao longo todo processo de formação pessoal e social.

5 Sugestões lúdicas sobre este tema:

Brincadeira de “Histórias do Meu Povo”: As crianças podem criar e apresentar pequenas encenações sobre figuras da história afro-brasileira, com o uso de fantoches ou simplesmente encenando. Isso pode ser feito em grupos, e o objetivo é estimular a expressão e visão criativa das histórias que aprenderam.
Oficina de Música Afro-Brasileira: Organizar uma prática musical onde as crianças possam conhecer instrumentos e ritmos tradicionais, aprendendo a tocar e criar suas próprias melodias. Essa oficina deve ser dinâmica, com espaço para dança e movimento, unindo música e cultura.
Ateliê de Arte Afro-Brasileira: Propor uma atividade em que as crianças pintem ou criem artesanalmente objetos que representem a cultura africana, como máscaras ou colares. Essa atividade pode ser incorporada à temática da resistência, discutindo a alegria e a força da cultura afro-brasileira.
Roda de Contação de Histórias: Realizar sessões de contação de histórias que falem sobre o cotidiano e a resistência do povo negro. Isso pode ser feito com o auxílio de familiares, que trariam narrativas de sua própria história, fortalecendo a conexão entre a cultura familiar e a escola.
Dia do Tecido e da Cultura: Promover um dia em que as crianças possam trazer peças de vestuário que simbolizem a cultura africana ou suas próprias raízes, se vestindo de uma forma que celebre a diversidade. Essa atividade pode ser combinada com um desfile, onde cada criança fala sobre sua peça e seu significado.

Dessa forma, as atividades propostas atingem crianças em diferentes níveis de desenvolvimento, respeitando suas particularidades e interesses, todas sempre centradas na valorização do aprendizado sobre a história da abolição e a cultura afro-brasileira.


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