“Plano de Aula: Lendas Folclóricas para Bebês de 1 a 3 Anos”
O plano de aula a seguir foi elaborado para atender às necessidades dos bebês na faixa etária de 1 a 3 anos, e irá abordar o tema “Lendas Folclóricas”. A proposta é integrar os conceitos de Linguagem e Psicomotricidade por meio da narrativa oral e de brincadeiras que estimularão o desenvolvimento integral das crianças. O objetivo é promover experiências significativas que conectem a cultura popular às vivências cotidianas dos pequenos.
As lendas folclóricas são uma forma rica e acessível de despertar a imaginação desde cedo. Os bebês são naturalmente curiosos e responderão positivamente ao uso de contos que envolvem personagens, aventuras e lições de vida. Este plano de aula se concentrará em desenvolver habilidades de comunicação e expressão corporal através de atividades lúdicas que ressoam com o mundo mágico das lendas.
Tema: LENDAS FOLCLÓRICAS
Duração: 9 SEMANAS
Etapa: EDUCAÇÃO INFANTIL
Sub-etapa: BEBÊS
Faixa Etária: 1 a 3 ANOS
Objetivo Geral:
Promover a exploração das lendas folclóricas por meio de narrativas, brincadeiras psicomotoras e atividades que incentivem a comunicação, o movimento e a expressão corporal.
Objetivos Específicos:
1. Estimular a comunicação por meio de gestos e vocalizações inspiradas nas lendas.
2. Desenvolver a percepção corporal através de brincadeiras que repliquem os movimentos dos personagens das histórias.
3. Promover a interação social, motivando os bebês a se relacionarem com adultos e outras crianças durante as atividades.
4. Estimular a criatividade, permitindo que as crianças expressem suas interpretações das lendas por meio de diferentes suportes.
Habilidades BNCC:
Campo de Experiências “O EU, O OUTRO E O NÓS”:
(EI01EO02) Perceber as possibilidades e os limites de seu corpo nas brincadeiras e interações das quais participa.
(EI01EO03) Interagir com crianças da mesma faixa etária e adultos ao explorar espaços, materiais, objetos, brinquedos.
(EI01EO04) Comunicar necessidades, desejos e emoções, utilizando gestos, balbucios, palavras.
Campo de Experiências “CORPO, GESTOS E MOVIMENTOS”:
(EI01CG01) Movimentar as partes do corpo para exprimir corporalmente emoções, necessidades e desejos.
(EI01CG02) Experimentar as possibilidades corporais nas brincadeiras e interações em ambientes acolhedores e desafiantes.
Campo de Experiências “TRAÇOS, SONS, CORES E FORMAS”:
(EI01TS01) Explorar sons produzidos com o próprio corpo e com objetos do ambiente.
Campo de Experiências “ESCUTA, FALA, PENSAMENTO E IMAGINAÇÃO”:
(EI01EF03) Demonstrar interesse ao ouvir histórias lidas ou contadas, observando ilustrações e os movimentos de leitura do adulto-leitor.
(EI01EF05) Imitar as variações de entonação e gestos realizados pelos adultos, ao ler histórias e ao cantar.
Materiais Necessários:
– Livros de lendas folclóricas com imagens grandes e coloridas.
– Materiais sonoros (instrumentos musicais simples como chocalhos, tambores de mão, e outros que possam ser imitados).
– Brinquedos que representem elementos das lendas (ex.: figuras de animais ou personagens).
– Materiais para atividades de arte (papel, tintas, materiais recicláveis).
– Espaço amplo para movimentos.
Situações Problema:
1. Como podemos imitar os sons e movimentos dos personagens das lendas?
2. Quais emoções os personagens das lendas nos fazem sentir?
3. Como podemos contar uma lenda utilizando os nossos corpos?
Contextualização:
As lendas folclóricas fazem parte do rico patrimônio cultural do nosso país. As narrativas orais são transmissores de saberes e valores que conectam passado e presente. Para os bebês, essas histórias podem se transformar em experiências sensoriais e motoras ricas, criando um ambiente onde eles possam aprender sobre suas emoções, movimentos e interações sociais de forma lúdica.
Desenvolvimento:
A cada semana, o foco será uma lenda diferente. Isso incluirá a apresentação da história, seguida de atividades práticas que desenvolvam a comunicação e os movimentos dos bebês.
Semana 1: A Lenda do Saci Pererê**
1. Contar a história do Saci com ênfase em gestos e sons.
2. Incentivar os bebês a imitarem pulos como o Saci (movimentação)
3. Introduzir o chocalho e incentivar as crianças a fazerem sons durante a narração.
Semana 2: A Lenda da Iara**
1. Contar a história da Iara utiliza sons de água e movimentos fluidos, incentivando movimentos de braços e mãos (imitando ondas).
2. Usar tecidos azuis para representar a água.
3. Propor uma brincadeira de esconde-esconde com os tecidos.
Semana 3: A Lenda do Curupira**
1. Contar a história do Curupira, enfatizando os movimentos rápidos e escapadas.
2. Utilizar bonecos para representar o Curupira e o ambiente da floresta.
3. Realizar uma atividade de movimento em grupo, imitando o Curupira fugindo.
Semana 4: A Lenda da Mula Sem Cabeça**
1. Contar a lenda da Mula sem Cabeça com contornos assustadores e engraçados.
2. Brincar com sons de assombração, criando um ambiente divertido e não assustador.
3. Estimular a expressão facial (cobrir e descobrir os rostos).
Semana 5: A Lenda do Boto**
1. Contar a história do Boto com foco na beleza da Amazonia e o amor.
2. Fazer movimentos como se estivessem nadando.
3. Usar máscaras de botos em cartolina para interação.
Semana 6: A Lenda da Cuca**
1. Narrar a história da Cuca usando músicas para animar a sessão.
2. Fazer movimentos de dança representando os sonhos.
3. Fornecer materiais de arte para expressar emoções da história.
Semana 7: A Lenda da Vitória-Régia**
1. Contar a história da Vitória-Régia, com ênfase na beleza e leveza.
2. Realizar uma brincadeira de flutuação usando almofadas.
3. Utilizar figuras de flores e água para criar uma tabela de atividades artísticas.
Semana 8: A Lenda do Lobisomem**
1. Contar a história do Lobisomem com dramatizações leves.
2. Propor ações de imitação de lobo/animal.
3. Criar sons com materiais da natureza para simular a floresta.
Semana 9: Reunião de Atividades**
1. Rever as lendas e as atividades realizadas ao longo do período.
2. Promover uma apresentação onde cada bebê escolhe uma lenda para representar.
3. Realizar um momento de pintura e colagem que remeta a personagens das lendas.
Atividades sugeridas:
1. Leitura de histórias: Utilizar livros coloridos que abordam lendas selecionadas. Incentivar a interação através de gestos e sons.
2. Brincadeiras de movimento: Incentivar os pequenos a se moverem como os personagens descritos nas lendas, explorando gestos variados.
3. Atividades artísticas: Após cada lenda, disponibilizar materiais para que expressem suas emoções através da pintura ou colagens relacionadas aos personagens.
Discussão em Grupo:
Promover um momento de discussão sobre as lendas, perguntando sobre os sentimentos e as reações dos bebês durante as histórias. Propor questões como: “O que você sentiu quando ouviu a história da Iara?” ou “Qual parte da história mais chamou sua atenção?”.
Perguntas:
1. Você gostou do Saci? Como ele pula?
2. O que a Iara faz na água?
3. Como a Cuca se parece?
Avaliação:
A avaliação se dará por meio da observação contínua das interações, reações e envolvimento dos bebês nas atividades propostas. Será importante notar a evolução na comunicação, expressões e habilidades motoras, além da capacidade de atenção e envolvimento.
Encerramento:
Concluir as atividades revisando as lendas que foram trabalhadas. Reforçar o aprendizado, destacando o valor das histórias do folclore brasileiro e as possibilidades de interpretação que cada um teve nas atividades. Propor um momento de despedida com um canto ou dança.
Dicas:
– Incluir sons e música em todas as atividades para tornar a experiência mais rica e envolvente, já que a musicalidade é especialmente atraente nesta faixa etária.
– Estimular o uso de gestos para a comunicação, visando reforçar a aprendizagem verbal.
– Adaptar as histórias e atividades conforme o interesse e a atenção dos bebês ao longo do processo, respeitando o ritmo de cada criança.
Texto sobre o tema:
As lendas folclóricas têm desempenhado um papel crucial na formação cultural de uma sociedade. Desde a remota memória dos nossos ancestrais, essas histórias foram transmitidas oralmente, passando de geração a geração, e criando um rico mosaico de conhecimento popular. Para os bebês, essas narrativas não são apenas contos, mas sim janelas abertas a um mundo de emoções, cores e sons que aguçam a curiosidade e o interesse. O uso de lendas nas práticas educativas vai além de simplesmente contar uma história; trata-se de incutir valores, de estimular a criatividade e de fomentar a expressão cultural.
Além disso, o folclore brasileiro é repleto de personagens fascinantes, que permitem que as crianças explorem distintas facetas da natureza humana. Cada lenda oferece a oportunidade de refletir sobre a moral, as relações sociais e as consequências das ações, tudo isso de uma forma lúdica e acessível. As canções e rimas que muitas vezes acompanham essas histórias têm um poder hipnótico, promovendo a escuta ativa e a imitação que são fundamentais no processo de aprendizagem desta faixa etária. Assim, ao trabalhar com lendas folclóricas, não apenas estamos compartilhando histórias, mas também criando momentos significativos que ajudam a moldar a identidade cultural de cada criança.
Por fim, as lendas permitem avaliar e refletir sobre a rica diversidade da cultura brasileira. Cada conto é uma lição, cada personagem é uma forma de ver o mundo e cada narrativa é uma herança que merece ser comemorada e mantida viva. Ao trazer estas histórias para o cotidiano dos bebês, estamos não apenas educando, mas emocionando, encantando e alimentando o imaginário deles. A sintonia com as emoções, os movimentos e a história do nosso povo faz parte de um processo de formação integral que envolve o corpo e a mente, e que molda o nosso futuro.
Desdobramentos do plano:
Com este plano de aula, é possível observar um desdobramento efetivo das atividades realizadas ao longo das semanas, uma vez que ele não termina simplesmente ao término das nove semanas sugeridas. O conhecimento e as experiências que as crianças foram adquirindo através da exploração das lendas refletirão em um crescimento pessoal e social. A interatividade promovida durante as atividades não só fomenta a autonomia e a criatividade, mas também introduz os bebês a conceitos de socialização, favorecendo o vínculo emocional entre eles e com os educadores.
Outro desdobramento relevante é o fortalecimento da identidade cultural. Ao ouvir e vivenciar nossas lendas, as crianças começam a formar uma conexão com a memória coletiva de sua cultura. Este aspecto é essencial para que desde muito cedo possam compreender a importância de suas raízes e o valor do que é local. É uma construção de respeito à diversidade e de reconhecimento de que estão inseridos em um contexto maior, onde cada país, cada região, possui seus próprios mitos e folclores que merecem ser respeitados e praticados.
Além do desenvolvimento social e emocional, as atividades propostas podem também impactar a capacidade dos bebês em expressar e comunicar suas emoções. A dramatização de personagens e a exploração de sons e movimentos não só ajudam na linguagem verbal, mas também na comunicação não verbal, que é essencial nessa fase da infância. As competências desenvolvidas na infância, como a emoção e a expressão, são fundamentais para a construção de um ser humano mais consciente das suas interações e das suas emoções, além de serem habilidades que perduram ao longo da vida.
Orientações finais sobre o plano:
A implementação deste plano de aula requer do educador uma postura flexível e aberta. É fundamental que o profissional esteja atento às reações dos bebês durante as atividades, adaptando o ritmo e os conteúdos conforme necessário. O sucesso das atividades não depende apenas do conteúdo formal abordado, mas sim das interações, da escuta e do envolvimento que o educador estabelece com as crianças.
Além disso, é importante que os educadores se sintam à vontade para experimentar e criar suas próprias adaptações às lendas, trazendo elementos do ambiente familiar e da cultura local que contribuam para a construção do conhecimento coletivo e individual das crianças. Ao integrar a comunidade escolar e familiar nesse processo, fortalecemos o aprendizado e a educação de forma mais integral, estabelecendo um elo entre o ambiente escolar e o social.
Por fim, reforçar a importância do brincar e da ludicidade é essencial. O contato com as lendas deve ser visto como uma oportunidade de diversão e descoberta, permitindo que os bebês explorem novas narrativas e expressões com alegria. As atividades devem ser sempre enriquecidas com música, movimento e arte, garantindo que as crianças se sintam motivadas e envolvidas, criando um amor duradouro pela cultura e pela expressão artísticas.
5 Sugestões lúdicas sobre este tema:
1. Teatro de Sombras: Utilizar uma tela branca e lanternas para recriar cenas das lendas. Os bebês podem ver as sombras e até tentar fazer suas próprias por meio de telas. Materiais: papel, lanternas, e um espaço escuro.
2. Festa das Lendas: Organizar uma festa onde cada bebê venha caracterizado de um personagem da lenda. Poderão contar a história e dramatizar. Materiais: fantasias, painel de fundo, e música.
3. Brincadeira das Cores: Associar a cultura das lendas com as cores através de tintas e papel. Cada lenda pode ser representada com uma cor diferente pela pintura. Materiais: tintas, pincéis e papéis coloridos.
4. Sons das Lendas: Criar um momento somente com sons, onde cada bebê pode explorar instrumentos musicais diferenciados que representem elementos das lendas. Materiais: instrumentos e objetos que façam som.
5. Caça aos Personagens: Fazer um jogo onde os bebés precisam encontrar figuras de vários personagens folclóricos escondidos por todo o espaço, promovendo o movimento e a busca. Materiais: figuras da lenda em papéis.
Esse plano é uma oportunidade rica para imergir os bebês no universo fascinante do folclore brasileiro e, ao mesmo tempo, desenvolver habilidades essenciais para o seu crescimento integral.

