“Mulheres Pretas na Literatura: Empoderamento e Identidade”
A proposta deste plano de aula é explorar a temática das mulheres pretas na literatura, focando especificamente na atuação e na contribuição de escritas que dialogam com a autoafirmação, a identidade e o empoderamento feminino. A abordagem contemplará uma facilitação interdisciplinar, integrando com diversos aspectos da linguagem, das emoções e do contexto histórico-social. O objetivo é proporcionar aos alunos do 6º ano do Ensino Fundamental uma compreensão mais profunda sobre representatividade, além de permitir que suas próprias emoções e experiências sejam refletidas nas atividades propostas.
O envolvimento com esse tema é muito significativo, uma vez que as mulheres pretas têm desempenhado um papel fundamental na literatura, trazendo consigo não apenas suas narrativas pessoais, mas também questões sociais de relevância. Nesse contexto, o texto de Conceição Evaristo, uma escritora contemporânea que aborda questões de raça, gênero e pertencimento, será usado como base para as atividades. Os alunos terão a oportunidade de perceber e discutir como essas experiências são traduzidas em palavras e como isso pode influenciar a forma como nós vemos a sociedade e a literatura.
Tema: Mulheres pretas na literatura
Duração: 30 minutos
Etapa: Ensino Fundamental 2
Sub-etapa: 6º Ano
Faixa Etária: 11 anos
Objetivo Geral:
Proporcionar aos alunos uma compreensão crítica e reflexiva sobre a representação da mulher preta na literatura, destacando suas emoções, lutas e conquistas, a partir da leitura e análise de textos da autora Conceição Evaristo.
Objetivos Específicos:
– Identificar e analisar temas relevantes nas obras de mulheres pretas.
– Refletir sobre as emoções expressas nas narrativas e sua conexão com a vida cotidiana dos alunos.
– Desenvolver habilidades de interpretação e produção textual, utilizando os conhecimentos adquiridos nas leituras.
– Promover discussões sobre a representatividade e suas importâncias na formação da identidade pessoal e social.
Habilidades BNCC:
– (EF06LP01) Reconhecer a impossibilidade de uma neutralidade absoluta no relato de fatos e identificar diferentes graus de parcialidade/imparcialidade dados pelo recorte feito e pelos efeitos de sentido advindos de escolhas feitas pelo autor.
– (EF06LP28) Ler, de forma autônoma, e compreender – selecionando procedimentos e estratégias de leitura adequados a diferentes objetivos e levando em conta características dos gêneros e suportes.
– (EF06LP30) Criar narrativas ficcionais, que utilizem cenários e personagens realistas ou de fantasia, observando os elementos da estrutura narrativa próprios ao gênero pretendido.
Materiais Necessários:
– Textos selecionados de Conceição Evaristo.
– Quadro branco e marcadores.
– Papel e canetas coloridas para anotações e produções textuais.
– Projetor (opcional) para exibir trechos de entrevistas ou documentários sobre a autora.
Situações Problema:
– Como as experiências de vida de mulheres pretas refletem-se em suas obras literárias?
– De que maneira a leitura dessas histórias pode impactar a forma como percebemos questões sociais, culturais e emocionais?
Contextualização:
Iniciar a aula com uma breve exposição sobre a trajetória literária de mulheres pretas no Brasil, enfatizando a importância de vozes como a de Conceição Evaristo. Explorar a trajetória pessoal e profissional da autora, além dos temas recorrentes em suas obras, como a identidade, a resistência e a força da mulher negra na sociedade contemporânea. Discutir com os alunos acerca das realidades que a autora retrata e como essas estão ligadas à história e vivência deles.
Desenvolvimento:
1. Introdução ao tema (5 minutos): Apresentar a autora e um breve resumo de suas obras, destacando a importância de sua literatura para o entendimento de questões sociais e emocionais pertinentes à realidade das mulheres pretas.
2. Leitura e discussão (10 minutos): Ler um trecho de uma obra de Conceição Evaristo, permitindo que os alunos compartilhem suas impressões sobre o texto. Perguntar como eles se sentiram ao ler e quais emoções foram evocados.
3. Atividade prática (10 minutos): Distribuir papel e canetas coloridas e pedir para que os alunos escrevam ou desenhem uma emoção que associam às experiências da personagem em leitura. Essa atividade pode variar de acordo com a sensibilidade e a auto-identificação dos alunos com os temas abordados.
4. Compartilhamento (5 minutos): Incentivar a partilha das criações com a turma, promovendo o diálogo sobre como as emoções universais podem ser percebidas em contextos diversos.
Atividades sugeridas:
1. Diário de leitura: Os alunos devem manter um diário onde sintetizam as leituras feitas e expressam suas impressões e emoções sobre os textos.
– Objetivo: Desenvolver a habilidade de interpretação e autoexpressão.
– Descrição: Em cada encontro, um trecho da obra será lido, e os alunos deverão refletir e registrar suas emoções e reflexões.
– Materiais: Cadernos e canetas.
– Adaptação: Alunos com dificuldades de escrita podem gravar suas reflexões oralmente.
2. Círculo de discussão: Organizar um círculo onde os alunos possam discutir as emoções e as impressões geradas pelos textos.
– Objetivo: Promover a escuta ativa e o respeito pelo ponto de vista do outro.
– Descrição: Após cada leitura, será criado um espaço para que os alunos compartilhem seus sentimentos e debates sobre o texto.
– Materiais: Quadro branco para anotações.
– Adaptação: Propor o uso de cartões com questões guiadas para alunos mais tímidos.
3. Produção de um conto: Criar um pequeno conto baseado nas emoções discutidas.
– Objetivo: Encorajar a criatividade e a produção textual.
– Descrição: Os alunos devem escrever um conto que inclua uma situação emocional semelhante àquela discutida nas leituras.
– Materiais: Papel e canetas, ou dispositivos eletrônicos para os que preferem digitar.
– Adaptação: Para alunos que têm dificuldades, fornecer um modelo de conto ou um gráfico de ideias.
Discussão em Grupo:
– Quais emoções você sentiu ao ler o texto?
– Como você relaciona essas emoções com sua própria vida?
– O que você aprendeu sobre a cultura e as experiências das mulheres pretas?
Perguntas:
– O que a literatura pode nos ensinar sobre as lutas das mulheres pretas?
– Quais aspectos da cultura afro-brasileira você identificou nas obras lidas?
– Como a representatividade influencia percepções sobre identidade e pertencimento?
Avaliação:
A avaliação será feita com base na participação nas discussões em grupo, na qualidade das produções escritas e na sinceridade nas reflexões pessoais. A capacidade de se expressar e compartilhar sentimentos será um componente chave para a avaliação do aprendizado.
Encerramento:
Finalizar a aula reafirmando a importância da literatura como uma ferramenta de empoderamento e de reflexão. Agradecer a participação de todos e estimular um interesse contínuo pela leitura e pelo entendimento de diversas culturas e experiências.
Dicas:
– Estimular a leitura de mais obras de autoras negras.
– Propor visitas a bibliotecas ou feiras literárias que apresentem obras de autores negros.
– Incentivar a criação de um mural na sala de aula que celebre autoras negras.
Texto sobre o tema:
A literatura desempenha um papel crucial na construção de identidades e na representação de culturas e experiências diversas. No Brasil, as mulheres pretas têm ocupado um espaço significativo nessa produção literária, trazendo à tona narrativas que desafiam estereótipos e abordam questões sociais urgentes. A escritora Conceição Evaristo é uma dessas vozes – sua escrita é um testemunho das complexidades e desafios enfrentados pelas mulheres negras, explorando não só suas lutas, mas também suas vitórias e resiliência.
A literatura negra, e especialmente a de autoras como Evaristo, revela o profundo emaranhado de lutas raciais e de gênero. Em seus textos, ela aborda temas que vão da desigualdade social à busca pela própria identidade, mostrando que a experiência de ser uma mulher negra no Brasil é multifacetada e rica. Ao estudar essas obras, jovens leitores são convidados a refletir não apenas sobre suas próprias histórias, mas também sobre as histórias não contadas de outras culturas, contribuindo assim para um ambiente mais inclusivo e respeitador.
Promover a leitura e discutir as obras de autoras como Conceição Evaristo não é apenas uma questão de diversidade literária; é uma questão de justiça social. Através da sua literatura, elas nos oferecem uma janela para suas vidas, dores e prazeres, exigindo que a sociedade escute e reconheça suas experiências. Essa reflexão pode mudar a percepção dos alunos acerca de seu espaço no mundo, bem como estimular o empoderamento e a autoafirmação através da arte da escrita.
Desdobramentos do plano:
O plano pode ser desdobrado em diferentes vertentes, abordando a conexão entre a literatura e outras disciplinas, como a História e a Geografia. Através datores sociais que auxiliam na compreensão das lutas por igualdade racial e de gênero, os alunos podem desenvolvê-lo em um projeto interdisciplinar. Além disso, os alunos podem participar da criação de uma mostra literária, onde apresentarão suas produções e reflexões sobre as autoras de sua preferência.
Outro desdobramento interessante seria promover uma oficina de escrita criativa, onde as experiências e emoções trabalhadas nas leituras seriam abordadas de maneira mais aprofundada. Isso permitiria que os alunos desenvolvessem suas vozes literárias, construindo narrativas que contemplem suas identidades e histórias, empoderando-os ainda mais no processo.
Por fim, um desdobramento importante poderia incluir a organização de um clube do livro que se concentre em obras de mulheres e homens negros, permitindo que esse espaço seja um lugar contínuo de diálogo, aprendizados e trocas literárias. Assim, a leitura, que inicialmente é uma atividade individual, pode se transformar em um potente espaço de construção coletiva e de reconhecimento da pluralidade de vozes que existem na literatura.
Orientações finais sobre o plano:
É fundamental ressaltar a importância de respeitar as experiências que os alunos trazem ao discutir temas sensíveis relacionados à raça e gênero. A empatia precisa ser o guia que orienta toda a discussão; portanto, os professores devem estar preparados para lidar com reações emocionais e promover um ambiente seguro para que todos se sintam à vontade para compartilhar suas opiniões e experiências.
Além disso, é crucial diversificar as estratégias de ensino para engajar todos os alunos, adaptando as atividades a diferentes estilos de aprendizagem. Fornecer diferentes suportes – como audiovisuais ou interativos – pode ser vantajoso para manter o interesse dos estudantes e facilitar o aprendizado.
Por fim, incentivar os alunos a buscarem mais informações sobre autoras como Conceição Evaristo fora da sala de aula pode ajudar a solidificar o conhecimento adquirido na aula. Sugestões de leitura e a criação de atividades extracurriculares ligadas ao conteúdo trabalhado poderão promover um aprendizado duradouro e significativo.
5 Sugestões lúdicas sobre este tema:
1. Teatro de Fantoches: Criar uma peça de teatro em que os alunos representem partes da vida de Conceição Evaristo ou de personagens de suas obras.
– Objetivo: Explorar a dramatização para vivenciar a literatura de maneira lúdica.
– Materiais: Fantoches e adereços feitos com materiais recicláveis.
– Adaptação: Alunos podem contar a história usando um tipo de linguagem diferente.
2. Criação de um Livro Ilustrado: Os alunos criam mini livros com ilustrações e textos que representam as emoções discutidas nas leituras.
– Objetivo: Incentivar a criatividade e a interpretação.
– Materiais: Papel, canetas, lápis de cor.
– Adaptação: Fornecer modelos de ilustrações para alunos que podem ter dificuldades na criação.
3. Contação de Histórias: Os alunos se revezam contando suas histórias inspiradas em experiências relacionadas ao tema da aula.
– Objetivo: Estimular a comunicação e a auto-expressão.
– Materiais: Nenhum material específico, apenas a disposição para ouvir e contar.
– Adaptação: Oferecer perguntas guiadas para aqueles que têm dificuldade em iniciar.
4. Criação de Mural de Emoções: Colocar em um painel frases, desenhos ou imagens que representem emoções associadas às personagens discutidas.
– Objetivo: Visualizar e partilhar emoções coletivas.
– Materiais: Papel, revistas para recorte, canetas.
– Adaptação: Permitir que alunos com dificuldades usem figuras ao invés de palavras.
5. Roda de poesia: Que os alunos criem e apresentem poemas sobre a força e a resistência das mulheres pretas, inspirando-se nas leituras realizadas.
– Objetivo: Incentivar a expressão poética.
– Materiais: Papel e canetas para elaborar os poemas.
– Adaptação: Propor ao aluno que colabore com outro colega na elaboração do poema.
Esse plano de aula sobre “mulheres pretas na literatura” concilia aprendizado, reflexão e criação, permitindo uma experiência abrangente e rica no universo literário e social, com foco especial em Conceição Evaristo, uma ícone da literatura contemporânea brasileira.

