“Desenvolvendo Habilidades de Leitura com Recontos Criativos”
A proposta deste plano de aula é proporcionar um espaço de reflexão, compartilhamento e recriação de histórias através da habilidade de recontar textos narrativos ficcionais. Trabalhando com essa atividade, espera-se que os alunos desenvolvam não apenas a capacidade de compreensão leitora, mas também habilidades de produção e expressão oral e escrita. A abordagem prática e lúdica favorecerá o aprendizado e o envolvimento dos estudantes, permitindo que sejam protagonistas na construção de significados a partir das narrativas lidas.
Neste plano, as atividades foram cuidadosamente elaboradas para alinhar-se à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), especialmente focando em habilidades que incentivem a leitura, a interpretação e a produção de textos em diferentes formatos. O diálogo entre leitura e escrita é essencial, e a aula foi projetada para que os alunos explorem a relação entre essas duas competências, aprofundando sua compreensão da linguagem e de narrativas ficcionais.
Tema: Recontar textos narrativos ficcionais
Duração: 40 minutos
Etapa: Ensino Fundamental 1
Sub-etapa: 3º Ano
Faixa Etária: 8-9 anos
Objetivo Geral:
Estimular os alunos a recontar textos narrativos ficcionais, desenvolvendo a habilidade de compreensão leitora e a capacidade de expressão oral e escrita.
Objetivos Específicos:
– Incentivar a leitura de diferentes gêneros narrativos.
– Estimular a habilidade de resumir e reestruturar histórias.
– Desenvolver a capacidade de identificar e articular os elementos narrativos (personagens, enredo, cenário e conflito).
– Fomentar a criatividade na produção textual.
Habilidades BNCC:
– (EF35LP01) Ler e compreender, silenciosamente e, em seguida, em voz alta, com autonomia e fluência, textos curtos com nível de textualidade adequado.
– (EF35LP03) Identificar a ideia central do texto, demonstrando compreensão global.
– (EF35LP25) Criar narrativas ficcionais, com certa autonomia, utilizando detalhes descritivos, sequências de eventos e marcadores de tempo, espaço e de fala de personagens.
– (EF35LP29) Identificar, em narrativas, cenário, personagem central, conflito gerador, resolução e o ponto de vista.
Materiais Necessários:
– Livros de narrativa ficcional (ou textos impressos selecionados).
– Papel e canetas coloridas para rascunhos.
– Quadro branco e marcadores.
– Recursos audiovisuais, como projetor e computador, se disponível.
– Fichas com perguntas guias sobre os textos.
Situações Problema:
– Como podemos contar uma história de forma diferente?
– O que é mais importante em uma narrativa: o enredo, os personagens ou o cenário?
– Como podemos usar nossa imaginação para criar uma nova versão de uma história já conhecida?
Contextualização:
A recontagem de histórias é uma prática que remonta à oralidade, quando os contadores de histórias compartilhavam através da tradição. No mundo contemporâneo, essa habilidade não só permanece relevante, mas também se transforma em um poderoso recurso pedagógico. Ao recontar narrativas, os alunos têm a oportunidade de explorar a estrutura da história, enriquecendo suas interpretações pessoais e desenvolvendo um pensamento crítico.
Desenvolvimento:
– Início da aula (10 minutos): Apresentação do gênero narrativo e breve leitura de uma história em grupo. Aqui, o professor deve selecionar uma narrativa que tenha um enredo simples e envolvente. Após a leitura, discuta os principais elementos da história com os alunos, como personagens, conflito e resolução.
– Interação (15 minutos): Dividir os alunos em grupos pequenos para discutir a história. Cada grupo deve refletir sobre como recontar a narrativa, podendo criar uma nova versão ou mudar a perspectiva da história. Criar uma ficha com perguntas-guia pode ajudar os alunos a direcionarem suas discussões e reflexões. Por exemplo:
1. Quem seria o personagem central se a história fosse contada por um outro personagem?
2. Onde a história poderia ocorrer em um contexto diferente?
3. Qual seria o final alternativo que poderíamos imaginar?
– Produção escrita (10 minutos): Após as discussões, cada grupo se reunirá para escrever sua versão da história, utilizando papel colorido e canetas. O professor pode sugerir que os alunos desenhem o cenário ou alguns personagens da nova história para tornar a atividade mais dinâmica e visual.
– Apresentação (5 minutos): Para finalizar, cada grupo compartilhará sua versão com a turma. Isso promoverá a expressão oral e a troca de ideias, além de reforçar a importância da escuta ativa entre os colegas.
Atividades sugeridas:
1. Leitura e Discussão (1º dia)
– Objetivo: Incentivar a leitura e a análise de narrativas.
– Descrição: Ler um texto narrativo em grupo e discutir seus principais elementos.
– Instruções: Cada aluno deve anotar suas impressões sobre a história e o que mais gostou.
– Materiais: Texto selecionado.
2. Criação de Fichas (2º dia)
– Objetivo: Criar perguntas guias para ajudar na recontagem.
– Descrição: Em grupos, elaborar fichas com perguntas que ajudem a estruturação da nova narrativa.
– Instruções: As fichas devem conter no mínimo três perguntas.
– Materiais: Papel e canetas.
3. Recontagem em Grupo (3º dia)
– Objetivo: Colaborar para a criação de uma nova história.
– Descrição: Grupos devem criar e discutir suas histórias a partir das fichas.
– Instruções: Cada grupo deve preparar uma nova versão da história com papel e canetas.
– Materiais: Papel e canetas.
4. Desenho dos Personagens (4º dia)
– Objetivo: Visualizar os personagens da nova história.
– Descrição: Criar desenhos dos personagens principais.
– Instruções: Os alunos devem ser instruídos a desenhar um personagem que tiveram mais interesse na nova narrativa.
– Materiais: Lápis de cor e papel.
5. Apresentação final (5º dia)
– Objetivo: Compartilhar criações com a turma.
– Descrição: Grupos apresentam suas histórias e ilustrações para a sala.
– Instruções: Devem apresentar a crítica social ou lição aprendida com a nova narrativa.
– Materiais: Texto impresso ou projetor, se possível.
Discussão em Grupo:
Após as apresentações, deve-se abrir um espaço para debates sobre as diferentes versões contadas. Questões como “O que mudou na história e por quê?” ou “Quais novos sentimentos ou percepções surgiram a partir dessas recontagens?” ajudarão a enriquecer a reflexão crítica dos alunos.
Perguntas:
– Quais elementos da narrativa foram mais desafiadores de recriar?
– Como a mudança de personagem influencia a forma como a história é contada?
– Por que é importante exercitar o recontar histórias?
Avaliação:
A avaliação deve ser contínua e processual, levando em consideração a participação nas discussões, a criatividade nas recontagens e as apresentações orais. O professor pode selecionar alguns critérios para avaliação, como colaboração em grupo, criatividade e clareza na apresentação.
Encerramento:
Para encerrar, o professor pode destacar a importância das histórias em transmitir emoções e experiências, e como cada interpretação é única e rica. Propor um momento de reflexão, pedindo que cada aluno escreva em uma folha o que apreendeu com a atividade também pode ser um bom fechamento.
Dicas:
– Propor a leitura de diferentes gêneros narrativos ao longo do mês.
– Estimular que os alunos tragam histórias de casa para que sejam compartilhadas.
– Utilizar recursos audiovisuais durante as apresentações, caso disponível, como vídeos ou slides que podem estimular ainda mais a criatividade.
Texto sobre o tema:
Contar histórias é uma prática humana tão antiga quanto a própria civilização. Desde os contos orais nas comunidades indígenas até os livros que chegam às prateleiras das escolas, as narrativas têm um papel crucial na construção da identidade, formação cultural e na transmissão de aprendizados. As histórias têm essa capacidade mágica de nos transportar a lugares distantes, introduzindo-nos a personagens que muitas vezes se tornam amigos próximos durante o desenrolar da narrativa. Para as crianças, ler e recontar histórias é fundamental, pois essa prática estimula não apenas a imaginação, mas também outras habilidades essenciais para a vida. Ao recontar, as crianças exercitam a habilidade de síntese, ao mesmo tempo em que desenvolvem a competência de colocar em palavras seus pensamentos e sentimentos.
Com o ato de recontar, também se abre um leque de possibilidades criativas. As crianças são impulsionadas a reinterpretar e, muitas vezes, reinventar o enredo, personagens e cenários. Essa prática é uma porta de entrada para a expressão pessoal, onde o aluno pode dar vida a sua visão de mundo, o que potencializa o engajamento com o aprendizado. Além disso, recontar histórias promove um entendimento mais profundo das estruturas narrativas, permitindo que elas absorvam e elaborem suas próprias narrativas após a compreensão dos elementos fundamentais de uma história: o enredo, o conflito, o clímax e a resolução.
Assim, o aprendizado se torna uma experiência plural e multifacetada. A capacidade de repensar e recontar uma narrativa não apenas fortalece a habilidade de leitura e escrita, mas também abraça os valores universais de empatia e compreensão do outro. Contando histórias de diferentes perspectivas, os alunos exercitam a escuta, a reflexão e a criatividade, desenvolvendo-se em cidadãos mais críticos e conscientes de seus papéis no mundo.
Desdobramentos do plano:
Este plano de aula pode ser desdobrado em diversas direções, não se limitando apenas à leitura e escrita. Através do recontar histórias, é possível introduzir temas interdisciplinaires como história e cultura, oferecendo aos alunos a oportunidade de explorar não só narrativas ficcionais, mas também aquelas que refletem realidades sociais e históricas. Por exemplo, a narrativa de um personagem fictício que enfrenta desafios semelhantes aos encontrados em contextos sociais reais pode abrir um debate significativo. Isso não só enriquecerá a experiência de aprendizado, mas também ampliará a consciência crítica dos alunos acerca de sua própria realidade e do mundo que os cerca.
Outra possibilidade é integrar as artes. A produção de ilustrações, encenações ou mesmo dramatizações das histórias recontadas pode estimular a criatividade e o trabalho em equipe. Essas atividades artísticas podem proporcionar experiências multissensoriais que fortalecem o aprendizado através da experimentação e da expressão das ideias. O contato com diferentes formas de arte, como teatro, música ou artes visuais, pode inspirar os alunos a explorarem ainda mais sua capacidade de imaginar e criar, manifestando suas próprias histórias em múltiplas linguagens.
Por fim, a experiência da recontagem pode ser ampliada para um projeto mais abrangente de leitura e escrita, onde alunos serão convidados a apresentar suas próprias histórias originalizadas em uma feira do livro, por exemplo. Essa iniciativa fomentaria não só a construção de suas habilidades narrativas, mas também a valorização do que é producido coletivamente, fortalecendo a autoestima e a autoconfiança, essenciais na formação do sujeito leitor e escritor.
Orientações finais sobre o plano:
É fundamental que este plano de aula não se perca na execução mecânica das atividades propostas. Ao contrário, o educador deve estar atento ao ambiente da sala e às reações dos alunos, adaptando a interação conforme as dinâmicas que se apresentem. A escuta e a observação atenta das discussões grupais e individuais são primordiais para perceber os potenciais que surgem a cada momento. Isso promoverá um espaço de aprendizagem mais significativo, onde cada aluno se sente valorizado e compreendido.
Incentivar o feedback é essencial. A devolutiva do professor sobre os textos e performances dos alunos deve ser construtiva e inserida no contexto da narrativa. O intuito é estimular a confiança dos alunos, apresentando aspectos positivos nas suas criações e sugerindo pontos de melhorias de forma gentil. Esse feedback, quando bem construído, se torna uma ferramenta poderosa no processo de aprendizagem, motivando os alunos a continuarem explorando e criando.
Por último, o professor deve se lembrar de ser um exemplo diante dos alunos. Ao demonstrar seu interesse por narrativas e experiências compartilhadas, o docente inspira os estudantes. Este modelo de ensino colaborativo e pautado na troca de conhecimentos é um dos pilares para a construção de um ambiente escolar saudável e estimulante, onde todos os envolvidos (professores e alunos) possam aprender e crescer juntos.
5 Sugestões lúdicas sobre este tema:
1. Teatro de Fantoches
– Objetivo: Recontar a história através da representação.
– Faixa Etária: 8-9 anos.
– Descrição: Os alunos grupos criam fantoches e encenam sua versão da história lida.
– Materiais: Papel, tesoura, canetas, palitos de picolé, etc.
– Modo de condução: Cada grupo pode usar histórias conhecidas ou as versões que criaram durante as aulas.
2. Caça ao Tesouro Literário
– Objetivo: Explorar diferentes narrativas.
– Faixa Etária: 8-9 anos.
– Descrição: Criar pistas que levam a diferentes textos narrativos escondidos pela escola ou biblioteca.
– Materiais: Papel, canetas, textos narrativos.
– Modo de condução: Os alunos trabalham em duplas e conjunto cada pista ligada a um trecho do texto.
3. Jogo das Perguntas
– Objetivo: Reforçar a compreensão de textos.
– Faixa Etária: 8-9 anos.
– Descrição: Os alunos devem responder a perguntas sobre a narrativa lida para avançar em um tabuleiro.
– Materiais: Tabuleiro em cartolina, fichas com perguntas.
– Modo de condução: Considerar as respostas como etapas que incentivam os alunos a aprofundarem nas histórias.
4. Diário de Personagens
– Objetivo: Incentivar a escrita criativa.
– Faixa Etária: 8-9 anos.
– Descrição: Cada aluno escolhe um personagem da história e escreve um diário em seu ponto de vista.
– Materiais: Caderno ou folhas.
– Modo de condução: Os alunos podem compartilhar as suas narrativas com a turma.
5. Quadro da Memória
– Objetivo: Criar uma representação visual da narrativa.
– Faixa Etária: 8-9 anos.
– Descrição: A classe será dividida em grupos que criam um mural com os principais eventos da história.
– Materiais: Cartolina, canetas, tesoura, revistas para colagens.
– Modo de condução: Os alunos devem apresentar suas obras e explicar a conexão com a narrativa.
Este plano de aula, ao ser seguido cuidadosamente, promete enriquecer a experiência de aprendizado dos alunos, tornando a leitura e a recontagem das histórias um componente vivencial e prazeroso na rotina escolar.

