“Projeto Grafite: A Arte Urbana no Ensino Fundamental”

A seguir, apresento um plano de aula detalhado para o Projeto Grafite, focado no 4º ano do Ensino Fundamental. Este projeto é uma excelente oportunidade para integrar a arte urbana ao ambiente escolar, desenvolvendo a criatividade e a expressão pessoal dos alunos.

Tema: Projeto Grafite
Duração: 2 aulas de 45 minutos
Etapa: Ensino Fundamental 1
Sub-etapa: 4º Ano
Faixa Etária: 9 a 10 anos

Objetivo Geral:

Desenvolver a criatividade e a expressão artística dos alunos utilizando o grafite como ferramenta para explorar temas sociais e culturais relevantes, além de promover uma reflexão crítica sobre a arte urbana e seu impacto na sociedade.

Objetivos Específicos:

Planejamentos de Aula BNCC Infantil e Fundamental

1. Estimular a pesquisa sobre a história do grafite e seus principais artistas.
2. Promover a prática artística através de oficinas de grafite.
3. Fomentar discussões sobre a legalidade e a ética do grafite como forma de arte.
4. Incentivar a criação de murais que reflitam a identidade da comunidade escolar.
5. Desenvolver habilidades de trabalho em equipe e colaboração entre os alunos.

Habilidades BNCC:

Articulamos nosso plano com as seguintes habilidades da BNCC, que se relacionam diretamente com as práticas da arte e a expressão cultural:

EF15AR01: Identificar e apreciar formas distintas das artes visuais tradicionais e contemporâneas, cultivando a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório imagético.
EF15AR04: Experimentar diferentes formas de expressão artística (desenho, pintura, colagem, quadrinhos, dobradura, escultura, modelagem, instalação, vídeo, fotografia etc.), fazendo uso sustentável de materiais, instrumentos, recursos e técnicas convencionais e não convencionais.
EF15AR05: Experimentar a criação em artes visuais de modo individual, coletivo e colaborativo, explorando diferentes espaços da escola e da comunidade.

Materiais Necessários:

– Papel e canetas para esboços
– Tintas spray em cores variadas (a serem manuseadas com segurança)
– Pincéis e rolos de pintura
– Papelão ou tela para pintura em mural
– Materiais de pesquisa (livros, artigos, vídeos sobre grafite)
– Espaço adequado (pátio ou parede da escola autorizada para pintura)

Situações Problema:

– Como o grafite pode refletir a identidade de uma comunidade?
– Quais são os limites éticos e legais que devemos considerar ao criar arte urbana?

Contextualização:

O grafite é uma forma de expressão artística que permeia as ruas, trazendo à tona questões sociais, culturais e identitárias. Ao trabalharmos com esse tema, os alunos serão incentivados a identificar e discutir a importância do espaço urbano como palco para a manifestação da arte, além de refletir sobre as diferentes perspectivas que o grafite pode trazer.

Desenvolvimento:

1. Aula 1 – Introdução ao Grafite
– Apresentar o tema do grafite, sua história e seus principais artistas.
– Realizar uma discussão sobre a legalidade e a ética do grafite, abordando exemplos de grafiteiros que trabalham com autorização e outros que atuam de forma clandestina.
– Formar grupos e incentivar a pesquisa sobre artistas de grafite que se destacam, pedindo que cada grupo prepare uma breve apresentação.

2. Aula 2 – Prática Artística
– Iniciar a aula revisitando os conceitos aprendidos e discutir os temas apresentados pelos grupos.
– Realizar uma oficina prática, onde os alunos poderão experimentar diferentes técnicas de grafite.
– Ao final da aula, cada aluno deve esboçar uma ideia ou conceito para um mural que represente a identidade da turma.

Atividades sugeridas:

1. Pesquisa Sobre Grafite
Objetivo: Entender a história e contextos do grafite.
Descrição: Dividir a turma em grupos, cada um pesquisando um artista ou movimento ligado ao grafite.
Instruções: Usar a biblioteca e a internet para coleta de informações e produzir um cartaz para apresentar na aula.
Adaptação: Fornecer artigos impressos e facilitar acesso à internet para alunos com dificuldades.

2. Oficina de Técnicas de Grafite
Objetivo: Experimentar o grafite como forma de expressão.
Descrição: Introduzir o uso de tintas spray, pincéis e outras técnicas artísticas.
Instruções: Orientar os alunos a praticar em papel antes de irem para a parede do mural.
Adaptação: Alunos que não puderem usar spray podem fazer pintura com pincéis.

3. Criação de Esboços
Objetivo: Planejar ideias para o mural coletivo.
Descrição: Em grupos, os alunos criam esboços e discutem sua proposta.
Instruções: Cada grupo deve decidir sobre um tema que represente a turma e trabalhar no esboço.
Adaptação: Alunos com dificuldades podem ser alocados a grupos solidários.

4. Visita a Murais Locais
Objetivo: Aprender observando obras reais.
Descrição: Organizar uma visita a um mural famoso local, fazendo uma discussão sobre a obra.
Instruções: Levar perguntas que devem ser respondidas pelos alunos após a visita.
Adaptação: Discussão pode ocorrer em pequenos grupos após a visita.

5. Mural Coletivo
Objetivo: Criar um espaço de expressão artística e coletiva.
Descrição: Juntar todos os alunos para finalizarem o mural coletivo na parede autorizada.
Instruções: Estabelecer um guia de como todos devem contribuir, respeitando o espaço dos outros.
Adaptação: Alunos com dificuldades motoras podem contribuir de outras formas, como desenho ou combinação de cores.

Discussão em Grupo:

– Que sentimentos e ideias o grafite expressa?
– Como podemos usar o grafite para melhorar nossa comunidade?

Perguntas:

– O que você pode dizer sobre a história do grafite?
– Como o grafite pode ser uma forma de protesto ou reivindicação?
– De que forma as comunidades podem se beneficiar do grafite legalizado?

Avaliação:

A avaliação ocorrerá por meio da observação do envolvimento dos alunos nas atividades, da qualidade das apresentações em grupo e da análise do mural coletivo final. Os alunos também serão encorajados a refletir sobre o que aprenderam através de um diário de bordo.

Encerramento:

Concluir as aulas revisitando os conteúdos abordados e pedindo que os alunos compartilhem suas experiências e reflexões sobre a criação do mural e a história do grafite.

Dicas:

Incluir palestras com artistas de grafite locais e promover uma exposição do mural criado pelos alunos pode enriquecer o projeto, além de firmar laços com a comunidade. A utilização de redes sociais pode servir como um espaço de exposição digital das criações.

Texto sobre o tema:

O grafite, muitas vezes visto como uma forma de vandalismo, pode ser reinterpretado como um meio legítimo de comunicação e expressão artística. Historicamente ligado a movimentos de contestação e à cultura jovem, o grafite tem suas raízes em práticas de resistência que remontam a décadas. Nos anos 70 e 80, artistas como Keith Haring e Jean-Michel Basquiat transformaram as ruas em galerias a céu aberto, questionando normas sociais e políticas através da arte. O grafite é um reflexo da vida urbana e das dinâmicas sociais, dando voz a aqueles que, muitas vezes, não são ouvidos.
No entanto, é fundamental destacar que o grafite deve ser praticado de maneira consciente e respeitosa, uma vez que a arte na rua pode coexistir com os direitos de propriedade e a tranquilidade dos espaços públicos. A legalização de espaços para grafiteiros pode ser uma solução viável para que a arte urbana floresça sem comprometer o espaço comunitário. Artistas de grafite contemporâneos muitas vezes colaboram com comunidades para criar murais que promovem a identidade local, unindo as pessoas em torno de uma expressão comum.
Assim, o grafite surge não apenas como uma forma de arte, mas como um meio de diálogo e transformação social. Os estudantes têm a oportunidade de se tornarem conscientes do papel que a arte desempenha em suas vidas e em suas comunidades, aprendendo que, ao expressar suas ideias e sentimentos, podem contribuir para a construção de um espaço mais inclusivo e representativo. Portanto, é essencial cultivar esse diálogo e a valorização da arte urbana nas escolas, formando futuros cidadãos críticos e engajados.

Desdobramentos do plano:

O plano de aula pode ser ampliado fazendo parcerias com entidades locais responsáveis pela arte urbana, estabelecendo um diálogo contínuo com jovens artistas da região. Isso pode resultar na criação de um espaço permanente na escola dedicado à arte urbana, onde os alunos possam regularmente se expressar e desenvolver suas habilidades. A ideia de promover workshops periódicos com artistas de grafite pode estimular o interesse e a prática dos alunos em relação a essa forma de arte, incentivando uma maior compreensão sobre as questões sociais que frequentemente estão interligadas ao grafite.
Além disso, iniciativas que valorizam o mural criado pelos alunos, promovendo eventos de inauguração onde a comunidade é convidada, podem intensificar o sentido de pertencimento e a valorização da expressão artística dentro do ambiente escolar. Propor a realização de um concurso de grafite, onde os alunos possam submeter trabalhos e receber feedback de profissionais, também pode enriquecer a experiência, trazendo novas perspectivas sobre a arte urbana.
Por último, o uso de plataformas digitais para documentar e compartilhar não apenas o mural, mas toda a jornada do projeto, pode inspirar outros alunos e escolas a buscarem a arte urbana como uma forma de expressão e reflexão, contribuindo para uma cultura mais artística e inclusiva em diferentes espaços educacionais.

Orientações finais sobre o plano:

É importante que o projeto seja executado de maneira que every aluno se sinta incluído, valorizando as divergências e respeitando individualidades. Incentivar a participação ativa de todos, mesmo dos alunos que podem ser mais tímidos ou que têm dificuldades em se expressar, é essencial para garantir um ambiente acolhedor e esteticamente rico. O educador deve estar sempre atento às necessidades específicas de cada aluno, adaptando as atividades para promover a máxima participação e engajamento de todos.
Outra consideração crucial é garantir a segurança dos alunos ao trabalhar com materiais como tintas spray. A realização de oficinas onde se aborde não apenas a técnica, mas também a segurança no manuseio dos materiais, deve ser prioritária. É essencial que os alunos compreendam a importância de respeito e responsabilidade em relação ao espaço público e à propriedade, enfatizando que a arte deve ser um meio de comunicação e não de destruição.
Por fim, manter um diálogo contínuo com a comunidade escolar e local ao longo do processo ajudará a consolidar a relevância do projeto e a promover um sentimento de pertencimento em relação ao espaço onde a arte será produzida. Isto não apenas fortalecerá a relação entre a escola e a comunidade, mas também contribuirá para a formação de cidadãos mais críticos e conscientes em relação ao seu entorno e à sua cultura.

5 Sugestões lúdicas sobre este tema:

1. Caça ao Grafite: Organizar uma caça ao tesouro onde os alunos devem encontrar e registrar imagens de grafites em sua cidade, acompanhadas de uma pequena pesquisa sobre o artista ou a mensagem transmitida.
Objetivo: Promover a pesquisa e a apreciação do grafite existente na comunidade.
Materiais: Câmeras (ou celulares), cadernos para anotações.
Etapas: Planejando o percurso em grupos, os alunos devem produzir um pequeno relato ao final.

2. Grafite Digital: Utilizar programas de desenho digital para que os alunos criem suas próprias obras de grafite em dispositivos eletrônicos.
Objetivo: Familiarizar os alunos com as tecnologias digitais aplicadas à arte.
Materiais: Computadores ou tablets, software de desenho.
Etapas: Ensinar a manejar ferramentas do software e incentivar a criação de murais virtuais.

3. Feira de Arte Urbana: Criar um evento escolar onde os alunos podem expor seus trabalhos de grafite, pinturas e outras formas de arte.
Objetivo: Valorizar o trabalho dos alunos e promover a arte entre a comunidade escolar.
Materiais: Espaço para exposição, mesas, móveis, sistema de som.
Etapas: Planejamento e execução do evento, organizado em grupos.

4. Graffiti Storytelling: Convidar os alunos a criar histórias a partir de uma obra de grafite e apresentá-las em formato de teatro ou contação de histórias.
Objetivo: Fomentar a criatividade através da construção narrativa.
Materiais: Figurinos simples, materiais de cenário.
Etapas: Formação de grupos para elaborar a história e a apresentação.

5. Mural Coletivo em Papel: Antes de pintar o mural na parede, os alunos podem trabalhar juntos para criar um mural em papel, onde cada um desenha sua parte.
Objetivo: Fomentar o trabalho coletivo e a cooperação.
Materiais: Papel grande, tintas, pincéis, canetas.
Etapas: Planejamento do tema coletivo, cada aluno contribui com um detalhe ou parte da composição.

Esse plano de aula visa não apenas proporcionar conhecimento técnico sobre o grafite, mas também promover o desenvolvimento social e a expressão cultural dos alunos, criando um espaço para que suas vozes e identidades sejam representadas através da arte.


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