“Plano de Aula: Literatura Visual com ‘Abaporu’ e Acessibilidade”
A proposta deste plano de aula é proporcionar uma experiência de aprendizagem que envolva a literatura visual, enfocando a obra “Abaporu” de Tarsila do Amaral. Esta atividade está especialmente planejada para ser acessível a alunos surdos, promovendo uma leitura visual que relacione os elementos artísticos da pintura com diversos gêneros de texto. O plano oferece um entendimento mais rico da obra, enquanto também desenvolve competências de análise crítica e interpretação.
Durante os 50 minutos da aula, espera-se que os alunos aprimorem suas habilidades de observação e interpretação visual, dialogando com as linguagens artísticas e textuais. Através da reflexão e da expressão, os alunos poderão construir uma relação mais profunda com a arte e com a literatura, utilizando a obra como um ponto de partida.
Tema: Literatura Visual
Duração: 50 minutos
Etapa: Ensino Médio
Sub-etapa: 1º Ano Médio
Faixa Etária: 15 anos
Objetivo Geral:
Proporcionar aos alunos uma experiência de leitura visual da obra “Abaporu” de Tarsila do Amaral, explorando a relação entre a arte e diferentes gêneros textuais, com ênfase na acessibilidade para alunos surdos.
Objetivos Específicos:
Desenvolver habilidades de análise crítica e interpretação visual;
Estimular a capacidade de estabelecer conexões entre diferentes linguagens;
Promover a criatividade e a expressão individual na produção de textos;
Desenvolver a habilidade de comunicação em Libras adaptada ao contexto da aula.
Habilidades BNCC:
– EM13LGG102: Analisar visões de mundo, conflitos de interesse, preconceitos e ideologias presentes nos discursos veiculados nas diferentes mídias, ampliando suas possibilidades de explicação, interpretação e intervenção crítica da realidade.
– EM13LGG103: Analisar o funcionamento das linguagens, para interpretar e produzir criticamente discursos em textos de diversas semioses (visuais, verbais, sonoras, gestuais).
– EM13LGG202: Analisar interesses, relações de poder e perspectivas de mundo nos discursos das diversas práticas de linguagem (artísticas, corporais e verbais), compreendendo criticamente o modo como circulam, constituem-se e (re)produzem significação e ideologias.
– EM13LGG601: Apropriar-se do patrimônio artístico de diferentes tempos e lugares, compreendendo a sua diversidade, bem como os processos de legitimação das manifestações artísticas na sociedade, desenvolvendo visão crítica e histórica.
Materiais Necessários:
– Impressão da obra “Abaporu”;
– Projetor ou televisão para exibição da imagem;
– Papel e canetas coloridas;
– Lexicon da Libras adequado à arte;
– Textos descritivos sobre a obra;
– Acesso a tecnologia de vídeo, como tablets ou computadores.
Situações Problema:
– Como a arte pode comunicar ideias e sentimentos que as palavras não conseguem expressar?
– Que elementos visuais presentes na pintura de Tarsila do Amaral podem provocar diferentes interpretações entre os alunos?
Contextualização:
A obra “Abaporu”, considerada um marco do modernismo brasileiro, traz uma mensagem profunda que pode ser interpretada de várias maneiras. Tarsila do Amaral utilizou formas e cores que vão além da simples estética, conectando-se a significados culturais e sociais. A compreensão dessa arte é crucial para a formação de uma consciência crítica e para o desenvolvimento de habilidades interpretativas em diferentes linguagens.
Desenvolvimento:
1. Introdução à obra (10 minutos):
Inicie a aula apresentando “Abaporu” aos alunos, destacando suas características visuais e sua importância no contexto da arte moderna brasileira.
2. Discussão em grupo (10 minutos):
Divida a sala em grupos para discutir o que perceberam na pintura e que emoções ela pode evocar. Pergunte como a arte se relaciona com suas vidas e se conhecem outras obras da artista.
3. Leitura Visual (15 minutos):
Proponha uma atividade de leitura visual onde os alunos, utilizando o Lexicon da Libras, verbalizem suas interpretações e sentimentos sobre a obra.
4. Produção textual (15 minutos):
Após as discussões, solicite que os alunos escrevam um pequeno texto relacionando a obra com um gênero textual que conheçam (como crônicas, contos, ou letras de músicas).
5. Apresentação e fechamento (5 minutos):
Peça que alguns alunos leiam suas produções para a turma. Aproveite para discutir brevemente como as interpretações podem variar entre os diferentes gêneros textuais.
Atividades sugeridas:
Dia 1: Introdução à arte – Apresentação da obra “Abaporu”; Discussão de suas características visuais.
Dia 2: Grupo de discussão – Interpretação das emoções evocadas pela obra.
Dia 3: Atividade de leitura visual – Aplicação da Libras para expressar o que a pintura provoca.
Dia 4: Produção textual – Criação de textos relacionando “Abaporu” a outros gêneros literários.
Dia 5: Apresentação dos textos – Compartilhamento e feedback entre os alunos.
Discussão em Grupo:
Promova uma discussão onde os alunos possam debater sobre a importância da acessibilidade na arte e na literatura, especialmente para pessoas surdas. Incentive-os a refletir sobre como diferentes gêneros podem comunicar sentimentos e ideias.
Perguntas:
– O que “Abaporu” significa para você?
– Como a obra de Tarsila do Amaral pode modificar a maneira como vemos a identidade cultural brasileira?
– Que outras obras de arte ou literatura você considera acessíveis e por quê?
Avaliação:
Avalie a participação dos alunos nas discussões, a interpretação visual que conseguiram expressar e os textos produzidos, considerando a clareza de suas ideias e a coerência na relação entre a arte e os gêneros textuais.
Encerramento:
Finalize a aula refletindo sobre a importância da literatura visual e da acessibilidade nas artes. Realce como a comunicação pode ocorrer de diversas formas e que cada interpretação traz um valor único.
Dicas:
– Utilize recursos audiovisuais para facilitar a compreensão de alunos surdos.
– Ofereça suporte de um intérprete de Libras durante as discussões, se possível, para garantir que todos tenham a oportunidade de participar.
– Incentive a diversidade nas interpretações, valorizando cada voz na sala de aula.
Texto sobre o tema:
A literatura visual é uma forma de arte que envolve não apenas as palavras, mas também as imagens que podem contar histórias. A obra “Abaporu” tem um significado profundo que transcende a simples observação visual. Tarsila do Amaral, ao criar essa peça, não só nos oferece um espetáculo estético, mas também nos convida a refletir sobre a identidade cultural brasileira, a realidade social e as questões que nos cercam. Essa pintura é um convite à conversa, à interpretação e à construção de significados, destacando a importância de dialogar com diferentes linguagens.
O diálogo entre arte e literatura é essencial na formação de um crítico social. Ao analisarmos a obra de Tarsila, podemos perceber como a arte pode ser um reflexo das questões contemporâneas e das pré-existências culturais. Num mundo repleto de mensagens visuais, saber decifrar essas mensagens e aprender a decodificá-las é um passo importante para Moldar uma visão de mundo crítica e reflexiva. A literatura visual, nesse sentido, é uma ferramenta capaz de ampliar horizontes, questionar estereótipos e promover inclusão.
Ao encarar “Abaporu”, somos confrontados com a reinterpretação do moderno. A obra evidencia uma crítica social e um diálogo com a cultura afro-brasileira, possibilitando uma leitura que abarca a identidade nacional. Tarsila nos oferece uma tela que se transforma em um debate sobre ser, pertencimento e representação, fundamental para a construção da expressão cultural no Brasil.
Desdobramentos do plano:
A abordagem da “literatura visual” pode se desdobrar em várias direções criativas e educativas. Primeiramente, pode-se planejar um projeto de arte em que os alunos criem suas próprias interpretações visuais de histórias ou poemas que já tenham lido, estimulando a expressão cultural e individual. Envolvendo a produção de pôsteres ou murais, essas atividades podem enriquecer o ambiente escolar e promover um espaço de apreciação artística.
Outra possibilidade é organizar uma exposição onde os trabalhos dos alunos sejam apresentados. Esta atividade irá engajar a comunidade escolar e permitir que outros alunos e professores interajam com as produções artísticas, criando um diálogo entre gerações e incentivando a troca de experiências. Adicionalmente, a criação de um catálogo digital das obras pode ser uma maneira de documentar essas expressões, permitindo a circulação de ideias e a valorização da produção artística local.
Conclusivamente, permitir que os alunos explorem a intersecção entre arte e literatura é um passo significativo para a formação de cidadãos críticos e conscientes. Essa exploração pode dar vida ao acompanhamento das produções artísticas contemporâneas, a partir das influências que as novas mídias exercem na formação dos jovens, incluindo também a estética dos games, do cinema e das plataformas digitais.
Orientações finais sobre o plano:
É crucial que o professor esteja preparado para lidar com as diversidades em sala de aula, especialmente no âmbito da acessibilidade para alunos surdos. A utilização de recursos visuais, como vídeos e slides, deve ser constante para assegurar que todos os alunos compreendam os conceitos explorados. A comunicação em Libras deve ser incentivada, criando um ambiente acolhedor onde todos se sintam representados.
A avaliação não deve focar apenas no produto final, mas também no processo de aprendizagem. Observar como os alunos interagem, discutem e constroem conhecimento em grupo é fundamental para entender suas habilidades críticas e criativas. A interação entre estudantes de diferentes perfis pode enriquecer o aprendizado coletivo, proporcionando um ambiente colaborativo.
Ao final, encorajar a reflexão sobre o que aprenderam e como se sentiram em relação às atividades realizadas ajuda na internalização do conhecimento. Ao reconhecer a diversidade de interpretações e experiências, o professor promove um espaço de aprendizado enriquecido, onde a literatura visual é o fio condutor da história cultural entrelaçada com a formação de identidade e expressão artística.
5 Sugestões lúdicas sobre este tema:
1. Criando uma nova obra: Pede-se que os alunos criem uma nova versão da obra “Abaporu”, utilizando diferentes materiais, como papel, argila ou aplicações digitais. O objetivo é estimular a criação e a releitura da arte de forma pessoal.
2. Jogo de cartas sobre a arte: Crie cartas com imagens de várias obras e seus respectivos significados. Os alunos devem combinar as cartas de arte com suas descrições. Isso ajuda a promover discussões em grupo.
3. Dramatização da obra: Dividir a turma em grupos e pedir que reencenem a obra, explorando os sentimentos que ela provoca. Esta atividade proporciona uma maior conexão com a arte por meio do corpo e da expressão.
4. Livro de arte colaborativo: Um projeto onde cada aluno contribui com uma página de texto e uma ilustração sobre uma obra que considerem impactante. Ao final, formar um livro que pode ser publicado digitalmente.
5. Oficina de Libras e arte: Promover uma oficina onde os alunos aprendem Libras relacionada a palavras e elementos presentes nas obras de arte que estão estudando, promovendo inclusão e acessibilidade.
Este plano de aula é apenas uma proposta inicial que pode ser moldada. A flexibilidade e a adaptação são essenciais para atender às necessidades específicas da turma, consideração que reflete a diversidade dos contextos e dos indivíduos que compõem o ambiente escolar.

