Plano de Aula: Identidade e Autonomia (Educação Infantil) – Criancas bem pequenas
A educação infantil é um momento crucial para o desenvolvimento da identidade e autonomia das crianças. Compreender essas características é fundamental para o desenvolvimento social e emocional dos pequenos e, além disso, favorece a construção de uma imagem positiva de si. O plano de aula que apresentaremos visa trabalhar essas questões de maneira lúdica, estimulando a interação social e a exploração pessoal. Através de atividades práticas, as crianças terão a oportunidade de conhecer mais sobre si mesmas e sobre os outros, promovendo a autoestima e a segurança no convívio social.
Abordando a temática da identidade e autonomia, este plano de aula é voltado para crianças da faixa etária de 1 a 2 anos. As atividades propostas serão enriquecedoras e atenderão aos campos de experiências definidos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), favorecendo o desenvolvimento integral e a socialização. Este é um período em que as crianças estão em constante descoberta, e a integração de jogos e brincadeiras será essencial para que possam expressar suas emoções e individualidades de maneira autônoma e segura.
Tema: Identidade e Autonomia
Duração: 50 minutos
Etapa: Educação Infantil
Sub-etapa: Crianças Bem Pequenas
Faixa Etária: 1 a 2 anos de idade
Objetivo Geral:
Propiciar às crianças a compreensão de sua identidade e o desenvolvimento da autonomia por meio de interações lúdicas, que favoreçam a autoconfiança e a positividade na convivência social.
Objetivos Específicos:
– Estimular a expressão de sentimentos e necessidades das crianças por meio de diálogos simples.
– Promover o compartilhamento e a interação entre os pares, favorecendo o cuidado e a solidariedade.
– Desenvolver a percepção das diferenças individuais e a valorização de suas próprias características.
– Fomentar a autonomia nas atividades cotidianas e nos cuidados pessoais.
Habilidades BNCC:
Campo de experiências “O EU, O OUTRO E O NÓS”
(EI02EO01) Demonstrar atitudes de cuidado e solidariedade na interação com crianças e adultos.
(EI02EO02) Demonstrar imagem positiva de si e confiança em sua capacidade para enfrentar dificuldades e desafios.
(EI02EO05) Perceber que as pessoas têm características físicas diferentes, respeitando essas diferenças.
Campo de experiências “CORPO, GESTOS E MOVIMENTOS”
(EI02CG04) Demonstrar progressiva independência no cuidado do seu corpo.
Campo de experiências “Escuta, fala, pensamento e imaginação”
(EI02EF01) Dialogar com crianças e adultos, expressando seus desejos, necessidades, sentimentos e opiniões.
Materiais Necessários:
– Bonecos ou fantoches (representando diferentes características físicas)
– Papel colorido e lápis de cor
– Espelhos pequenos
– Brinquedos diversos que possam ser compartilhados
– Tapete ou área acolchoada para atividades físicas
Situações Problema:
– Como me sinto quando compartilho um brinquedo com um amigo?
– O que posso fazer quando me encontro com alguém diferente?
– Como posso cuidar de mim na hora de brincar?
Contextualização:
A identidade e a autonomia são conceitos que se formam nas primeiras experiências sociais. O reconhecimento das diferenças e semelhanças entre si e os outros é vital no desenvolvimento saudável da criança. Ao criar ambientes onde as crianças possam se expressar e ser ouvidas, garantimos que elas sintam que têm um lugar e um papel na sociedade. Através da ludicidade, é possível abordar esses temas de maneira leve, permitindo que as crianças explorem suas emoções e interações de forma natural e divertida.
Desenvolvimento:
1. Roda de conversa (10 minutos):
– Junte as crianças em um círculo.
– Apresente os bonecos ou fantoches de diferentes características físicas e propicie uma conversa sobre as diferenças.
– Pergunte às crianças como elas se sentem em relação às suas características, incentivando a expressão de opiniões e sentimentos.
2. Atividade “Espelho” (10 minutos):
– Distribua espelhos pequenos para que cada criança observe seu rosto e identifique partes do corpo, como olhos, boca, cabelo.
– Peça que elas desenhem ou pintem uma figura que represente elas mesmas no papel colorido. Isso ajuda a fortalecer a imagem positiva de si.
3. Brincando de cuidar (15 minutos):
– Organize uma brincadeira onde as crianças devem “cuidar” de um boneco ou fantoche.
– Explique que cuidar de alguém também é cuidar de si mesmo (ex.: escovar os dentes, manter as mãos limpas) e envolva as crianças em práticas de cuidados.
4. Jogo de compartilhamento (15 minutos):
– Usando brinquedos variados, promova um jogo onde as crianças precisam compartilhar os brinquedos.
– Reforce a importância de cuidar dos brinquedos e dos amigos, explicando a ideia de que compartilhar é um gesto de amizade.
Atividades sugeridas:
– Atividade do Espelho: Nessa dinâmica, as crianças exploram seus rostos e praticam a identificação de suas próprias características. Os docentes devem incentivar o diálogo, permitindo que cada criança compartilhe o que viu.
– Desenho da Autorretrato: Após a atividade do espelho, as crianças devem desenhar algo que represente como se veem, estimulando a criatividade e a reflexão sobre sua imagem.
– Role Playing com Fantoches: Utilizar fantoches para representar situações de cuidado e resolução de conflitos, ajudando as crianças a entenderem como agir em diferentes interações.
– Música e Dança: Criar uma cantiga em roda onde as crianças podem expressar seus sentimentos, os docentes podem fazer gestos fáceis de copiar para estimular a movimentação.
– Compartilhamento de Histórias: Contar pequenas histórias sobre amizade, respeito e cuidado, incentivando as crianças a relatar experiências semelhantes.
Discussão em Grupo:
Após as atividades, é importante promover um momento de discussão em grupo, onde as crianças possam compartilhar suas experiências. Mediar essa conversa é essencial para fomentar a reflexão sobre o que aprenderam sobre si mesmas e como se relacionam com os outros. Perguntas que podem ser feitas incluem: “O que você mais gostou de fazer hoje?” e “Como você se sentiu ao compartilhar os brinquedos?” Essas interações são fundamentais para o reconhecimento e validação das emoções da criança.
Perguntas:
– Como você se sentiu ao fazer novos amigos?
– O que você gosta em você mesmo?
– O que é importância de cuidar dos outros?
Avaliação:
A avaliação nesse contexto será contínua e observacional. Os professores devem estar atentos às interações, expressões e participações das crianças, registrando como elas se relacionam com o tema da identidade e autonomia. O foco deve estar em como as crianças se expressam em relação a si mesmas e aos outros, além de como convivem e compartilham experiências.
Encerramento:
Para finalizar a aula, reunir as crianças e fazer uma breve reflexão sobre as atividades. O professor pode reiterar a importância de cuidar de si mesmo e dos amigos, além de destacar momentos em que as crianças demonstraram solidariedade e respeito. Agradecer a participação de todos e propor que levem para casa algo que aprenderam na aula é uma ótima forma de concluir o encontro.
Dicas:
– Incluir músicas conhecidas durante as atividades pode tornar o momento mais lúdico e envolvente.
– A escolha de objetos que representam características diversificadas estimula a percepção de que, embora diferentes, todos são especiais.
– Estar sempre atento às reações das crianças, garantindo um ambiente seguro para a expressão de emoções e sentimentos.
Texto sobre o tema:
A formação da identidade e a conquista da autonomia nas crianças extremamente pequenas são aspectos fundamentais que devem ser trabalhados em conjunto durante as atividades educativas. Na faixa etária de 1 a 2 anos, as crianças estão desenvolvendo um senso de si, experimentando o mundo ao seu redor e aprendendo a se relacionar com ele, o que as torna extremamente receptivas a esse tipo de abordagem. Durante essa fase, os pequenos começam a reconhecer suas características físicas, emocionais e sociais, o que pode ter um impacto significativo em sua autoestima e forma de se relacionar com o outro.
Um dos pilares para o fortalecimento da identidade está na interação social, onde as crianças aprendem a comunicar-se com seus pares, expressando sentimentos e necessidades. Brincadeiras e histórias são aliados valiosos nesse contexto, pois ao compartilhá-las, os pequenos não apenas desenvolvem sua capacidade de se expressar, mas também começam a entender a importância do outro no processo de socialização. A escuta ativa e o diálogo são, portanto, essenciais, pois oferecem às crianças a oportunidade de se sentirem vistas e compreendidas, fortalecendo a imagem positiva de si.
Além disso, promover a autonomia nas atividades cotidianas é crucial para que as crianças adquiram confiança em sua capacidade de realizar tarefas simples. Quando uma criança é incentivada a cuidar de si mesma, por exemplo, aprendendo a colocar ou tirar seu casaco, ela experimenta um sentimento de conquista. Esse reconhecimento é fundamental para a formação de uma visão saudável sobre suas habilidades e para promover comportamentos de cuidado e respeito em suas interações sociais. Assim, ao trabalharmos a identidade e a autonomia de forma lúdica, estamos preparando o caminho para o desenvolvimento íntegro de cidadãos confiantes e solidários.
Desdobramentos do plano:
O plano de aula proposto pode levar a um desdobramento de atividades relacionadas ao tema, permitindo que frutifiquem outras interações e reflexões. Primeiramente, a forma como as crianças percebem e se expressam sobre suas identidades pode ser amplificada com o uso de livros ilustrados que retratem a diversidade, permitindo uma conversa mais rica sobre as diferenças e semelhanças. Esse foco na diversidade é essencial para que as crianças desenvolvam uma visão mais ampla e respeitosa sobre o mundo em que vivem.
Um outro âmbito que pode ser explorado é a conexão com a arte. A criação de um painel coletivo onde as crianças expressem suas visões de si mesmas pode ser uma atividade contínua, gerando conteúdo visual significativo que muda e evolui ao longo do tempo, permitindo às crianças reconhecerem suas mudanças e amadurecimento. Isso abre espaço para conversas sobre crescimento e as mudanças normais que todos enfrentam.
Por fim, as atividades de autonomia, como estabelecer a rotina diária de cuidados pessoais nas aulas, podem tornar-se uma prática regular. Incluir a responsabilidade no cuidado de brinquedos, lugar onde cada um pode guardá-los e como montá-los de volta nos espaços apropriados, prevê a promoção de uma cultura de respeito e de cuidado, aspectos que formarão as futuras relações da criança na sociedade. Assim, os desdobramentos não se limitam apenas a novos conteúdos, mas abrem um diálogo constante sobre a identidade, autonomia e convivência.
Orientações finais sobre o plano:
Ao implementar o plano de aula, é crucial que os educadores mantenham a flexibilidade em suas abordagens. Cada turma e cada criança têm ritmos e necessidades de aprendizagem diferentes, e a adaptação das atividades propostas pode potencialmente enriquecer a experiência coletiva. Portanto, observar atentamente as manifestações das crianças durante as atividades permitirá ajustes em tempo real, fazendo a diferença no alcance dos objetivos educacionais propostos.
Além disso, fomentar um ambiente seguro e acolhedor é essencial. Criar momentos de escuta ativa e diálogo aberto, onde as crianças se sintam confortáveis para expressar seus sentimentos e experiências, contribuirá para uma atmosfera em que todos se sintam pertencentes. A diversidade, quando respeitada e celebrada, se torna uma ferramenta poderosa que pode enriquecer o aprendizado social e emocional das crianças.
Por fim, no encerramento de cada aula, é recomendável refletir coletivamente sobre o que foi aprendido. Isso não só ajuda a fixar os aprendizados, como também dá voz às crianças, mostrando que suas opiniões e sentimentos são válidos e importantes. Incorporar feedback das crianças sobre as atividades permitirá que elas se sintam incluídas em seu processo de aprendizagem e reforçará a ideia de que cada um é único e especial em seu próprio jeito.
5 Sugestões lúdicas sobre este tema:
1. Atividade da Cesta das Características – Criar uma cesta com objetos de diferentes cores, texturas e formatos. As crianças podem explorar os objetos e falar sobre o que gostam ou se identificam, ajudando na construção do autoconhecimento através da ludicidade.
2. Contação de Histórias Diferentes – Utilizar livros com personagens variados em características físicas e sociais. Contar uma história e, ao final, perguntar o que cada criança mais se identificou, promovendo o diálogo sobre diversidade.
3. Dançando com Espelhos – Realizar uma atividade onde as crianças se olham no espelho e imitam gestos ou dançam conforme sua própria imagem, promovendo a consciência corporal e a autonomia em seus movimentos.
4. Brincadeira de “Quem Sou Eu?” – Com a ajuda de fantoches, conduzir uma brincadeira onde cada criança deve descrever um personagem que pode ser um famoso ou um amigo, criando um espaço para expressarem suas características e construírem o respeito às diferenças.
5. Canto da Amizade – Criar uma música simples que fale sobre amizade e respeito entre as crianças. Os pequenos poderão acrescentar seus próprios versos, estimulando a criatividade e o senso de pertencimento ao grupo.
Essas atividades devem ser adaptadas às peculiaridades do grupo, sempre respeitando os níveis de desenvolvimento e interesse das crianças. Através da abordagem lúdica, trabalhar a identidade e autonomia se torna não apenas uma aula, mas uma experiência significativa que ficará marcada na construção de seu ser social.

