“Explorando os Fundamentos da Dança com Rudolf Laban no Ensino”
A dança, como forma de expressão artística, desempenha um papel crucial no desenvolvimento dos jovens. Este plano de aula busca explorar os fundamentos da dança, utilizando os conceitos de Rudolf Laban e sua técnica de Labanotation. A sequência de atividades está estruturada visando não apenas a prática, mas também a reflexão sobre os elementos que compõem a dança, suas funções e conexões com outras áreas do conhecimento.
Tema: Dança e seus Fundamentos
Duração: 120 minutos
Etapa: Ensino Fundamental 2
Sub-etapa: 6º Ano
Faixa Etária: 11 a 12 anos
Objetivo Geral:
Promover o entendimento da dança como forma de arte, explorando os fundamentos técnicos e expressivos da dança, utilizando os conceitos de Rudolf Laban e desenvolvendo a capacidade crítica dos alunos em relação à linguagem da dança.
Objetivos Específicos:
1. Compreender os conceitos básicos da dança segundo Rudolf Laban, tais como tempo, peso, espaço e fluxo.
2. Aprender a Labanotation e sua importância na documentação e análise da dança.
3. Criar sequências coreográficas simples que incorporem os princípios estudados.
4. Desenvolver habilidades de observação e crítica através da apreciação de danças diversas.
Habilidades BNCC:
– (EF69AR09) pesquisar e analisar diferentes formas de expressão, representação e encenação da dança, reconhecendo e apreciando composições de dança de artistas e grupos brasileiros e estrangeiros de diferentes épocas.
– (EF69AR10) explorar elementos constitutivos do movimento cotidiano e do movimento dançado, abordando criticamente o desenvolvimento das formas da dança em sua história tradicional e contemporânea.
– (EF69AR11) experimentar e analisar os fatores de movimento (tempo, peso, fluência e espaço) como elementos que, combinados, geram as ações corporais e o movimento dançado.
Materiais Necessários:
– Espaço amplo e acolhedor para atividades de dança.
– Música de diferentes estilos e ritmos.
– Materiais para anotações (papéis, canetas).
– Recursos visuais sobre a obra de Rudolf Laban e exemplos de Labanotation.
Situações Problema:
Como a dança pode comunicar emoções e ideias? Quais os elementos que influenciam a nossa percepção da dança e como podemos expressá-los na prática?
Contextualização:
Os alunos serão apresentados ao conceito de dança desde uma perspectiva histórica e cultural, explorando suas funções na sociedade. A dança, além de ser uma forma de arte, pode expressar a identidade cultural de um povo, transmitir sentimentos e experiências que vão além das palavras. Rudolf Laban, um dos teóricos mais influentes da dança no século XX, desenvolveu um sistema que organiza e analisa os movimentos corporais, utilizando a Labanotation como uma forma de escrita da dança que permite registrar e analisar a coreografia.
Desenvolvimento:
1. Introdução aos Elementos da Dança (20 min):
O professor apresenta os fundamentos da dança, seguindo os princípios de Rudolf Laban. Durante a conversa, são abordados os quatro componentes: tempo, peso, fluxo e espaço, com explicações e exemplos práticos. Os alunos devem registrar informações em seus cadernos.
2. Atividade de Movimento Livre (30 min):
Ao som de diferentes músicas, os alunos serão convidados a explorar como se movimentam em resposta ao ritmo e à melodia, utilizando os conceitos aprendidos. Os alunos devem se juntar em grupos para compartilhar suas experiências e discutir como cada um utiliza os elementos da dança em suas expressões.
3. Introdução à Labanotation (30 min):
O professor explica o sistema de Labanotation, apresentando alguns exemplos visuais da notação e como ela é aplicada. Para a prática, os alunos devem escolher uma sequência de movimentos e tentar descrevê-las conforme a Labanotation.
4. Criação Coreográfica (30 min):
Em grupos, os alunos devem criar uma pequena sequência coreográfica utilizando os elementos aprendidos (tempo, peso, espaço e fluxo). Cada grupo apresentará sua coreografia para a turma, seguida de uma reflexão sobre como utilizaram os conceitos de Laban.
Atividades sugeridas:
Dentro da semana letiva, as atividades poderão ser desdobradas da seguinte forma:
1. Segunda-feira – Introdução à Dança:
– Objetivo: Compreender o papel da dança.
– Descrição: Aula expositiva sobre a dança como forma de expressão cultural.
– Materiais: Apresentação em slides, vídeos.
– Adaptação: Inclusão de alunos com dificuldades motoras interpretando a dança.
2. Terça-feira – Exploração dos Movimentos:
– Objetivo: Vivenciar os conceitos de tempo e espaço.
– Descrição: Movimentos livres e improvisação em resposta às músicas.
– Materiais: Diferentes estilos musicais.
– Adaptação: Realização de movimentos sentados para alunos com dificuldades de locomoção.
3. Quarta-feira – Aprendendo Labanotation:
– Objetivo: Introduzir a notação dos movimentos.
– Descrição: Aulas práticas sobre a escrita dos movimentos.
– Materiais: Exemplo de Labanotation.
– Adaptação: Alunos com dificuldades escritas terão assistentes para apoio.
4. Quinta-feira – Criação Coreográfica:
– Objetivo: Criar uma sequência coreográfica.
– Descrição: Grupos compõem danças e registram Labanotation.
– Materiais: Cadernos, canetas, espaço.
– Adaptação: Alunos poderão criar danças individuais para apresentação em grupo.
5. Sexta-feira – Apresentação e Reflexão:
– Objetivo: Apresentar e discutir as coreografias.
– Descrição: Apresentação das criações e reflexão em grupo.
– Materiais: Músicas para apresentação.
– Adaptação: Envolver um aluno por vez nas apresentações timidamente, caso necessário.
Discussão em Grupo:
Após as apresentações, promover um debate com perguntas como:
– O que cada grupo achou mais desafiador?
– Como os conceitos de Laban influenciaram sua apresentação?
– Quais emoções foram despertadas através da dança?
Perguntas:
1. Como a dança altera a percepção cultural?
2. O que você sente ao dançar?
3. Quais elementos você acha mais importantes na dança?
Avaliação:
A avaliação acontecerá de forma contínua, observando a participação dos alunos nas atividades práticas, sua capacidade de aplicar os conceitos aprendidos na criação coreográfica e seu envolvimento nas discussões.
Encerramento:
Rever os conceitos discutidos e suas implicações, ressaltando a importância da dança na expressão de sentimentos e culturas. Propor que cada aluno registre em seu caderno uma reflexão sobre sua experiência na aula.
Dicas:
– Incentivar a auto-expressão e o respeito mútuo nas aulas.
– Variar as músicas utilizadas para engajar todos os alunos.
– Estimular a criatividade e a diversidade de movimentos.
Texto sobre o tema:
A dança é uma manifestação artística rica e multifacetada que, para muitos, é a linguagem emocional mais profunda. Desde tempos imemoriais, os seres humanos têm utilizado a dança para expressar sentimentos, contar histórias e celebrar a vida. No contexto educacional, ensinar dança não apenas desenvolve habilidades motoras e rítmicas, mas também promove a autoestima, a colaboração e a empatia entre os alunos. Com a abordagem de Rudolf Laban, podemos organizar e decifrar a dança em uma linguagem clara, permitindo que crianças e adolescentes entendam e pratiquem os conceitos fundamentais que a envolvem.
A metodologia de Laban não se resume à execução dos movimentos, mas envolve uma análise crítica do que está por trás de cada gesto. Isso pode engajar os alunos a refletirem sobre suas próprias interpretações e sobre como a dança pode dialogar com outras formas de expressão, como o teatro e a música. Seu impacto é evidente, pois desenvolver um senso crítico diante da arte os ajuda a se tornarem não apenas melhores bailarinos, mas também pensadores mais profundos.
Através do movimento, as crianças podem descobrir novos modos de ser e interagir com o mundo. Em um ambiente seguro e acolhedor, elas são encorajadas a experimentar, errar e, com isso, aprender. O papel do educador é guiar esses momentos, proporcionando aos alunos as ferramentas necessárias para que possam explorar sua criatividade de maneira autêntica e livre.
Desdobramentos do plano:
Podemos expandir esta unidade didática, integrando mais elementos culturais da dança. Um desdobramento interessante é fazer parcerias com escolas de dança, proporcionando aos alunos a experiência ao vivo de dançarinos profissionais e diferentes estilos de dança. Além disso, criar um evento escolar que envolva a apresentação de danças, permitindo que a turma mostre suas criações embasadas nos conceitos que aprenderam. Esse tipo de evento poderá ser uma maneira eficaz de envolver a comunidade, promovendo a dança como uma forma de arte acessível a todos.
Outro desdobramento é a realização de um trabalho interdisciplinar com outras disciplinas. Por exemplo, em história, os alunos poderiam estudar o papel da dança em diferentes culturas através dos tempos e como ela foi usada em rituais e festividades. Em artes visuais, poderiam criar cartazes ou maquete representando diferentes estilos de dança. Esse tipo de conexão enriquece o aprendizado e promove uma visão mais ampla sobre a relevância da dança na sociedade.
Além disso, considerar a avaliação não apenas pelo desempenho na dança, mas também na capacidade de trabalho em grupo e na reflexão crítica sobre a própria criação coreográfica é algo fundamental. Nesse sentido, os alunos poderão se tornar não apenas dançarinos, mas também críticos e historiadores da dança, compreendendo que a arte é um campo aberto à discussão e à interpretação.
Orientações finais sobre o plano:
Ao finalizar as atividades, é importante incentivar a autoavaliação entre os alunos. Perguntas reflexivas como “O que aprendi sobre dança?” e “Como posso aplicar o que aprendi em outras áreas da minha vida?” podem ser úteis para que os alunos façam um balanço da sua experiência durante a aula. Essa prática de reflexão crítica os ajudará a internalizar o aprendizado, promovendo uma compreensão mais significativa da dança como uma forma de arte.
Os educadores devem estar sempre atentos às necessidades dos alunos, adaptando as atividades conforme necessário. Cada grupo possui suas particularidades e, portanto, a flexibilidade é fundamental para assegurar que todos tenham a oportunidade de expressar sua criatividade. Assim, ao implementar este plano de aula, os docentes estarão não apenas contribuindo para o ensino da dança, mas também para o desenvolvimento de cidadãos mais críticos e engajados.
Por fim, criar um espaço onde a dança possa ser apreciada e reconhecida na rotina escolar é um passo importante para garantir que essa forma de arte continue a florescer. Seja através de apresentações, festivais ou showcase dentro da escola, o importante é manter a dança como um pilar na educação, promovendo o respeito pela diversidade e pelos diferentes modos de expressão.
5 Sugestões lúdicas sobre este tema:
1. Dança em Círculo: Reunir os alunos em um círculo e criar uma dança onde cada um contribui com um movimento, desenvolvendo assim um sentido de coletividade e apanhando a essência do improviso.
– Objetivo: Promover a criatividade e a expressão individual.
– Materiais: Música animada, espaço livre.
– Condução: O professor inicia a dança e aos poucos vai chamando alunos para se incluírem com seus próprios passos.
2. Criando uma História com Dança: Dividir a sala em grupos e dar a cada grupo um tema (amor, amizade, aventura). Cada grupo deve criar uma sequência de dança que represente a história.
– Objetivo: Articular a dança como forma de narração e storytelling.
– Materiais: Papéis para anotação.
– Condução: Depois da apresentação, discutir como a dança pode contar histórias e expressar emoções.
3. Mestre dos Movimentos: Um aluno é escolhido como “mestre” e cria um movimento. Os outros devem imitar o movimento junto a uma música.
– Objetivo: Incentivar a atenção e a memória corporal.
– Materiais: Música variada.
– Condução: O mestre pode trocar de lugar e selecionar outro aluno após algumas rodadas.
4. Dança e Emoção: Juntar uma lista de emoções e pedir que os alunos escolham uma. Após isso, devem criar uma dança que represente a emoção escolhida.
– Objetivo: Associar a dança ao sentimento e à empatia.
– Materiais: Músicas que representem diferentes emoções.
– Condução: Após as apresentações, refletir juntos sobre como a dança pode traduzir emoções.
5. Dança das Federações: Na proposta de simular uma competição de dança, fazer duplas. Um membro de cada dupla improvisa a dança e o outro vota de maneira anônima com um cartão.
– Objetivo: Fomentar a interação social e a diversão.
– Materiais: Cartões para votação.
– Condução: Os alunos escolhem seus dançarinos favoritos, sem se preocupar com a performance, mas sim com a criatividade.
Desse modo, este plano de aula é uma rica oportunidade para introduzir a dança não apenas como um simples ato físico, mas como um importante veículo de expressão pessoal e coletiva, enriquecendo a formação dos alunos através da arte e da cultura.

