“Explorando *Felicidade Clandestina*: Aula Criativa para o 6º Ano”

A proposta deste plano de aula concentra-se na análise do conto *Felicidade Clandestina* da escritora brasileira Clarice Lispector. O objetivo é proporcionar aos alunos do 6º ano do Ensino Fundamental 2 uma experiência rica e significativa, na qual eles possam desenvolver habilidades de leitura, interpretação e crítica literária. A análise do conto permitirá que os estudantes reflitam sobre a construção de narrativas e o universo emocional que permeia a obra, assim como sobre a comunicação entre o texto e o leitor.

Durante a aula, os alunos serão incentivados a explorar as emoções atribuídas aos personagens, a estrutura do conto e os diferentes elementos narrativos utilizados pela autora. Essa prática não só promoverá a apreciação da literatura, mas também fortalecerá a capacidade crítica dos alunos, criando um espaço para discussões e questionamentos. É fundamental que os estudantes reconheçam a relevância da literatura na capacidade de expressar sentimentos e emoções, permitindo um contato mais íntimo com a arte literária.

Tema: Análise do conto *Felicidade Clandestina*
Duração: 50 minutos
Etapa: Ensino Fundamental 2
Sub-etapa: 6º Ano
Faixa Etária: 14 anos

Objetivo Geral:

Planejamentos de Aula BNCC Infantil e Fundamental

O objetivo geral deste plano de aula é incentivar os alunos a desenvolverem uma compreensão crítica e reflexiva sobre o conto *Felicidade Clandestina*, promovendo habilidades de leitura, interpretação e análise literária.

Objetivos Específicos:

1. Identificar e analisar os principais elementos narrativos do conto.
2. Promover a discussão sobre a emoção e o universo simbólico presente na narrativa.
3. Desenvolver a habilidade de argumentação, incentivando os alunos a expressarem suas opiniões sobre o texto.

Habilidades BNCC:

– (EF06LP01) Reconhecer a impossibilidade de uma neutralidade absoluta no relato de fatos e identificar diferentes graus de parcialidade/imparcialidade dados pelo recorte feito e pelos efeitos de sentido advindos de escolhas feitas pelo autor, de forma a poder desenvolver uma atitude crítica frente aos textos literários e tornar-se consciente das escolhas feitas enquanto produtor de textos.
– (EF06LP28) Ler, de forma autônoma, e compreender – selecionando procedimentos e estratégias de leitura adequados a diferentes objetivos e levando em conta características dos gêneros e suportes –, romances infanto-juvenis, contos populares, contos de terror, lendas brasileiras, indígenas e africanas, narrativas de aventuras, narrativas de enigma, mitos, crônicas, autobiografias, histórias em quadrinhos, mangás, poemas de forma livre e fixa (como sonetos e cordéis), vídeo-poemas, poemas visuais, dentre outros, expressando avaliação sobre o texto lido e estabelecendo preferências por gêneros, temas, autores.

Materiais Necessários:

– Cópias do conto *Felicidade Clandestina* para os alunos.
– Quadro branco e marcadores.
– Papel e canetas para anotações dos alunos.
– Recursos audiovisuais (opcional), como um projetor, para apresentar trechos e análises.

Situações Problema:

– Como a construção das emoções e dos sentimentos da protagonista se reflete nas suas ações?
– Que simbolismos podem ser identificados nas interações entre os personagens?
– Qual é a mensagem que a autora pretende transmitir através das suas palavras?

Contextualização:

*Felicidade Clandestina* é um conto que explora a infância e a relação com os livros, em especial a literatura. Essa obra de Clarice Lispector, uma das maiores autoras da literatura brasileira, traz questões sobre a solidão, o desejo de liberdade e a busca pela realidade emocional. Um olhar atento sobre o conto pode proporcionar discussões sobre como a literatura pode impactar a vida e os sentimentos de uma pessoa.

Desenvolvimento:

1. Apresentação do conto (10 minutos): O professor fará uma breve introdução sobre Clarice Lispector e seu estilo de escrita. Em seguida, os alunos serão divididos em pequenos grupos e receberão cópias do conto para leitura silenciosa.
2. Leitura e interpretação (15 minutos): Após a leitura, os grupos devem discutir as emoções dos personagens e como elas influenciam a narrativa. O professor poderá circular entre os grupos para auxiliar nas discussões.
3. Discussão em classe (15 minutos): O professor reunirá todos os alunos para uma discussão em grupo. Serão abordadas as emoções sentidas por eles durante a leitura e os simbolismos identificados. Perguntas provedoras devem ser feitas para estimular o pensamento crítico.
4. Registro de conclusões (10 minutos): Cada grupo apresentará suas conclusões sobre o conto, apresentando as diferentes interpretações e sentimentos que emergiram da leitura. O professor fará anotações no quadro para registrar as ideias principais.

Atividades sugeridas:

1. Atividade 1:
Objetivo: Explorar a interpretação do conto e a representação das emoções dos personagens.
Descrição: Os alunos criarão um mapa mental sobre as emoções dos personagens principais.
Instruções: Em grupos, os alunos devem desenhar um mapa mental, utilizando palavras-chave, e adjetivos que descrevem cada personagem, suas emoções e vínculos.
Materiais: Papel, canetas coloridas.
Adaptação: Estudantes com dificuldades de escrita podem usar imagens ou recortes de revistas para representar as emoções.

2. Atividade 2:
Objetivo: Reescrever trechos do conto.
Descrição: Os alunos escolherão um trecho do conto e o reescreverão do ponto de vista de outro personagem.
Instruções: O professor dará exemplos e os alunos terão que decidir que personagem escolher e como alterações de perspectiva mudam a narrativa.
Materiais: Papel e caneta.
Adaptação: Estudantes com dificuldades em redação podem sugerir apenas alterações simplificadas nos textos originais.

3. Atividade 3:
Objetivo: Elaboração de um pequeno debate.
Descrição: Os alunos prepararão argumentos sobre se a atitude da protagonista é compreensível ou não.
Instruções: Dividir a turma em dois grupos, um defendendo a protagonista e o outro criticando suas ações.
Materiais: Outros textos de apoio ou notas para pesquisa.
Adaptação: Estudantes mais tímidos podem apresentar seus argumentos por escrito.

Discussão em Grupo:

Promover uma discussão em grupo sobre as emoções presentes no conto e as relações entre os personagens. Quais sentimentos foram mais evidentes? Como esses sentimentos se relacionam com as situações descritas?

Perguntas:

– Que emoção você sentiu mais fortemente durante a leitura?
– Como a autora comunica a relação entre a felicidade e a clandestinidade?
– Você se identifica com a protagonista? Por quê?

Avaliação:

A avaliação será feita observando a participação dos alunos nas discussões em grupo e a profundidade das análises realizadas. O professor deverá avaliar também os trabalhos apresentados e se os objetivos propostos foram alcançados.

Encerramento:

Para concluir a aula, o professor fará uma síntese das principais ideias discutidas e destacará a importância da literatura na compreensão das emoções humanas. Os alunos serão incentivados a refletir sobre suas próprias experiências ao ler o conto.

Dicas:

– Incentivar a empatia ao discutir os personagens e suas emoções pode ajudar a engajar todos os alunos.
– Utilizar recursos audiovisuais, como vídeos sobre a autora, pode enriquecer a experiência de aprendizagem.
– Formar um ambiente seguro para debates e discussões é fundamental para que todos se sintam à vontade para expressar suas opiniões.

Texto sobre o tema:

O conto *Felicidade Clandestina*, de Clarice Lispector, suscita reflexões sobre a infância e a potência das palavras. Por meio de uma narrativa rica em emoções, a autora nos transporta para o universo de uma menina que busca sua identidade e voz em meio ao silêncio e à solidão. As experiências vividas pela protagonista revelam não apenas os conflitos internos, mas também a relação intrínseca que temos com a literatura. Na busca pela liberdade, ela encontra um refúgio e uma companhia nas páginas dos cadernos e dos livros.

Clarice utiliza uma linguagem sensível que capta os detalhes sutis da vida cotidiana, tornando seus personagens vivos para o leitor. A relação entre as emoções e a realidade é explorada de forma magnífica. Ao longo do conto, vemos como a literatura pode transformar a vida, oferecendo não apenas uma fuga, mas um espaço para que as vozes de um mundo interior sejam ouvidas. A forma como a autora retrata a infância e o processo de descoberta da felicidade demonstra que, muitas vezes, os prazeres mais simples e clandestinos são os que nos conectam ao que realmente importa.

Esse conto nos confronta com a importância da leitura, não só como um ato de apreensão de conhecimentos, mas também como um meio de vivenciar emoções e experiências. A felicidade clandestina que a protagonista descobre não é apenas uma busca externa, mas interna, revelando um aspecto contemplativo e profundo sobre nossa relação com o mundo e consigo mesmo. Ao final, Clarice nos convida a refletir sobre a ideia de que a felicidade pode ser encontrada nos pequenos momentos e nas simples descobertas. Tal reflexão é fundamental no aprendizado dos alunos, baseado na formação de leitores críticos e sensíveis.

Desdobramentos do plano:

A análise do conto pode ser desdobrada em diferentes direções, permitindo que os alunos aprofundem suas reflexões e conexões com outras áreas do conhecimento. Uma possibilidade é trabalhar a escrita criativa, onde os alunos poderiam criar suas próprias narrativas baseadas em experiências de leitura. Essa atividade poderia incluir a elaboração de contos sobre suas próprias “felicidades clandestinas”, explorando temas como amizade, solidão e descoberta em suas vidas, sempre desenvolvendo a sensibilidade e a percepção crítica.

Outra abordagem interessante seria estabelecer conexões entre a obra de Clarice Lispector e outras manifestações artísticas, como a música ou as artes visuais. Por meio da análise de canções que tratem de temas semelhantes ou até mesmo ilustrando o conto com desenhos ou colagens, os alunos teriam a oportunidade de expressar seus entendimentos e apreciações de forma multidisciplinar. Além disso, esse exercício criativo incentivaria a expressão individual e coletiva, permitindo um espaço para que as emoções e as experiências de cada um fossem compartilhadas.

Por fim, promover a criação de um clubinho de leitura pode ser uma excelente forma de dar continuidade ao trabalho com a literatura. Nesse espaço, os alunos poderiam partilhar outras leituras que façam eco à experiência vivida com *Felicidade Clandestina*, formando um ambiente propício ao debate literário e ao fortalecimento da comunidade escolar por meio da leitura e da discussão crítica. Assim, o plano de aula se transforma em um catalisador de experiências e aprendizagens duradouras, que se estendem para além do espaço da sala de aula.

Orientações finais sobre o plano:

Na execução do plano de aula, é essencial que o professor mantenha um ambiente acolhedor e estimulante, propiciando um espaço onde todos os alunos se sintam seguros para expressar suas opiniões e emoções. É importante ressaltar a necessidade de facilitar o diálogo e fomentar um ambiente de respeito mútuo, onde as diferentes perspectivas e interpretações possam ser discutidas abertamente. Isso não apenas ampliará o aprendizado individual, mas também criará um senso de comunidade e pertencimento entre os alunos.

É recomendável também que o professor utilize estratégias de diferenciação, adequando as atividades de acordo com as necessidades e habilidades de seus alunos, garantindo que todos tenham acesso ao conteúdo e possam participar de maneira efetiva. A inclusão de adaptações pode envolver o uso de recursos visuais, grupos de apoio ou a combinação de abordagens auditivas e táteis, assegurando que todos os estudantes, independentemente de suas dificuldades ou estilos de aprendizagem, possam se envolver e contribuir para as discussões.

Por fim, a reflexão final é um aspecto vital do processo de aprendizagem. Os alunos devem ser convidados a pensar sobre como a leitura do conto pode impactar suas próprias vidas e experiências. O professor pode fomentar a autocrítica fazendo perguntas abertas que instiguem os alunos a pensar sobre a relação entre a literatura e a realidade que os cerca. Assim, ao incentivar a avaliação crítica e a autorreflexão, o plano de aula contribuirá para a formação de leitores mais conscientes e cidadãos mais engajados.

5 Sugestões lúdicas sobre este tema:

1. Teatro de Sombras: Os alunos podem criar uma peça baseada no conto, utilizando figuras recortadas que representem os personagens e a narrativa. A atividade incentiva a interpretação e a expressão criativa.

2. Roda de Leitura: Criar uma roda de leitura onde cada aluno deve trazer um texto (poesia, crônica ou um trecho literário) que tenha relação com a felicidade e suas nuances, para que compartilhem o que o texto lhes transmite.

3. Jogo de Palavras: Realizar um jogo de palavras em que os alunos devem encontrar sinônimos e antônimos para as emoções mencionadas no conto, promovendo discussão sobre a linguagem usada por Clarice Lispector.

4. Caixa de Emoções: Os alunos criam caixas decoradas onde, ao longo da semana, eles podem adicionar palavras, frases ou desenhos que representem suas emoções e reflexões após a leitura do conto.

5. Clube do Livro Virtual: Criar um espaço online onde os alunos possam compartilhar comentários, resumos e opiniões sobre suas leituras favoritas, promovendo a troca de ideias de forma moderna e acessível.

Este plano de aula não apenas oferece uma análise profunda do conto *Felicidade Clandestina*, mas também promove práticas pedagógicas ricas que estimulam o entusiasmo pela leitura, a criação literária e a reflexão crítica, preparando os alunos para se tornarem leitores e cidadãos mais engajados e conscientes.


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