“Educação Inclusiva: Jogos Interativos para Crianças Surdas”
Este plano de aula foi desenvolvido com o intuito de promover a inclusão e a interação social entre crianças surdas e ouvintes, utilizando jogos interativos como ferramenta fundamental. A proposta visa a criação de um ambiente em que as crianças, ao interagirem entre si, possam desenvolver habilidades motoras e sociais, respeitando as diferenças e promovendo a colaboração. É importante destacar que a educação para surdos não deve se restringir apenas a aspectos da comunicação, mas também deve envolver o todo, incluindo o desenvolvimento emocional e social das crianças.
Ao trabalhar com crianças entre 1 a 3 anos, é essencial que as atividades sejam lúdicas e didáticas, favorecendo a auto-expressão e o vínculo social. O jogo, como forma de aprendizado, possibilita que elas explorem as suas capacidades enquanto desenvolvem habilidades de comunicação, não apenas pela fala, mas por meio de gestos e expressões corporais. Portanto, a proposta deste plano está alinhada às diretrizes da BNCC, proporcionando um espaço seguro e enriquecedor para o desenvolvimento integral da criança.
Tema: Educação para Surdos
Duração: 40 minutos
Etapa: Educação Infantil
Sub-etapa: Crianças Bem Pequenas
Faixa Etária: 1 a 3 anos
Objetivo Geral:
Promover o desenvolvimento social e motor de crianças surdas e ouvintes através de jogos interativos que estimulem a comunicação, a empatia e o cuidado nas interações.
Objetivos Específicos:
– Estimular a comunicação entre as crianças através de gestos e expressões faciais.
– Promover a solidariedade nas interações, incentivando o compartilhamento dos objetos e espaços.
– Desenvolver a percepção das diferenças físicas e a respeito a essas características.
– Trabalhar a coordenação motora através de atividades que envolvam gestos e movimentos corporais.
Habilidades BNCC:
Campo de Experiências “O EU, O OUTRO E O NÓS”
(EI02EO01) Demonstrar atitudes de cuidado e solidariedade na interação com crianças e adultos.
(EI02EO03) Compartilhar os objetos e os espaços com crianças da mesma faixa etária e adultos.
(EI02EO04) Comunicar-se com os colegas e os adultos, buscando compreendê-los e fazendo-se compreender.
Campo de Experiências “CORPO, GESTOS E MOVIMENTOS”
(EI02CG01) Apropriar-se de gestos e movimentos de sua cultura no cuidado de si e nos jogos e brincadeiras.
Campo de Experiências “ESCUTA, FALA, PENSAMENTO E IMAGINAÇÃO”
(EI02EF01) Dialogar com crianças e adultos, expressando seus desejos, necessidades, sentimentos e opiniões.
Materiais Necessários:
– Brinquedos sonoros (pandeiros, chocalhos)
– Materiais de manipulação (argila e massinha)
– Cartões coloridos com ilustrações de rostos e expressões faciais
– Tapetes ou colchonetes para o chão
– Livros de imagens e sons
Situações Problema:
As situações problema envolvem a dificuldade das crianças em comunicar-se efetivamente e a importância de respeitar e compreender as diferenças. Questões como “Como podemos brincar juntos mesmo se não falamos a mesma língua?” ou “Como podemos mostrar que estamos felizes ou tristes?” podem ser utilizadas para instigar discussões durante a aula.
Contextualização:
A educação infantil para crianças surdas é essencial para garantir que elas tenham as mesmas oportunidades de interagir e aprender. É importante que as atividades sejam adaptadas para promover não só a inclusão, mas também o aprendizado das crianças ouvintes, que podem aprender sobre a língua de sinais e a importância da diversidade.
Desenvolvimento:
1. Acolhida (5 minutos):
– Receber as crianças de forma acolhedora, utilizando gestos e expressões para comunicar como estão dando boas-vindas.
2. Apresentação dos Materiais (5 minutos):
– Mostrar cada um dos materiais que será utilizado durante os jogos, como brinquedos sonoros e os cartões de rostos. Para cada material, gesticular ou utilizar a Língua Brasileira de Sinais (Libras) correspondente, se possível.
3. Atividade 1: “Barulho Mágico” (10 minutos):
– Objetivo: Estimular a comunicação e a percepção de sons.
– Descrição: Em um círculo, as crianças vão passar os brinquedos sonoros. Cada uma deve fazer um som e a próxima deve repetir o som feito. Se uma criança não souber que som fazer, orientá-la a mostrar com gestos ou facialmente.
4. Atividade 2: “Expressões em Cartões” (10 minutos):
– Objetivo: Promover a expressão de sentimentos.
– Descrição: Mostre os cartões com rostos expressivos. Pergunte às crianças como elas se sentem e incentive-as a imitar as expressões. Facilitar interações de duetos, onde duas crianças representam juntas a mesma emoção.
5. Atividade 3: “Massa e Movimento” (10 minutos):
– Objetivo: Trabalhar a coordenação motora.
– Descrição: Cada criança terá um pouco de massinha para moldar figuras. Elas devem mostrar suas criações para os outros e tentar adivinhar o que cada uma fez. Se não houver verbalização, incentive-as a usar gestos ou desenhos.
Atividades sugeridas:
1. Brincadeira das Cores:
– Objetivo: Desenvolvimento das cores e compartilhamento.
– Materiais: Objetos coloridos.
– Instruções: Cada criança deve escolher um objeto de uma cor e afirmar o nome da cor fazendo um gesto correspondente.
2. Música e Movimento:
– Objetivo: Coordenação motora e expressão corporal.
– Materiais: Música interativa.
– Instruções: Durante a música, as crianças devem imitar os sons e movimentos sugeridos, promovendo a inclusão através da ritmicidade.
3. Teatro de Fantoches:
– Objetivo: Fomentar a comunicação e a empatia.
– Materiais: Fantoches (podem ser feitos com meias ou papel).
– Instruções: As crianças devem criar uma pequena história com os fantoches, comunicando-se através de gestos e expressões.
4. Caminhada Sensorial:
– Objetivo: Exploração de texturas.
– Materiais: Objetos com diferentes texturas no chão.
– Instruções: Criar um caminho com diferentes texturas e pedir para as crianças descreverem como se sentem ao passar por cada uma delas.
5. Caça ao Tesouro de Sons:
– Objetivo: Comunicação e atenção.
– Materiais: Itens que produzem sons escondidos.
– Instruções: Colocar os itens em diferentes locais e pedir para as crianças encontrarem e identificar os sons.
Discussão em Grupo:
Conduzir uma conversa breve após as atividades para que as crianças compartilhem como se sentiram, o que aprenderam e qual foi a parte favorita da aula.
Perguntas:
– Como podemos mostrar que estamos felizes sem usar palavras?
– Qual som você mais gosta de fazer?
– Como você se sente quando brinca com seus amigos?
Avaliação:
A avaliação será contínua, observando a interação e a participação das crianças nas atividades. Focar no desenvolvimento das habilidades de comunicação e na capacidade de respeitar e cooperar com os colegas.
Encerramento:
Para finalizar a aula, realizar uma roda de despedida, onde cada criança pode compartilhar algo que gostou e utilizar gestos para expressar suas emoções, reforçando o que aprenderam.
Dicas:
– Utilizar sempre gestos e expressões faciais para facilitar a comunicação.
– Incentivar os alunos que possuem mais dificuldade a se expressar sem julgamentos.
– Criar um espaço lúdico onde a criança se sinta livre para experimentar e explorar novas formas de interação.
Texto sobre o tema:
A educação para surdos é um campo essencial que visa promover a inclusão de crianças surdas na sociedade, através do uso da Língua de Sinais e outras formas de comunicação, além de se basear nas interações sociais que ocorrem durante a infância. O ambiente escolar deve ser um espaço onde a comunicação flui livremente, e todos se sintam à vontade para se expressar, independente das barreiras sonoras.
Durante os primeiros anos de vida, as crianças estão constantemente explorando o mundo ao seu redor. Portanto, a abordagem de jogos interativos e lúdicos é fundamental para que crianças surdas desenvolvam suas habilidades. O brincar fornece oportunidades não apenas para aprender, mas para criar vínculos emotivos com os colegas, ajudando a desenvolver a empatia e a solidariedade que falamos tantas vezes.
Ademais, a diversidade deve ser reconhecida como uma riqueza a ser abrangida e celebrada. As crianças devem aprender que as diferenças são naturais e que, com respeito e criatividade, podem estabelecer conexões significativas. Utilizar jogos como ferramenta pedagógica ajuda a criar uma atmosfera em que todas as crianças, independentemente de suas capacidades, possam se envolver e compartilhar experiências, construindo uma base sólida para sua formação social e emocional futura.
Desdobramentos do plano:
O plano de aula sobre educação para surdos pode trazer desdobramentos significativos no ambiente escolar. Primeiramente, ele permite que as crianças sobressaiam em um espaço seguro, onde podem aprender a se comunicar de forma diversa. Isso não somente enriquece a experiência educacional, mas também promove a inclusão e a aceitação de diferentes formas de ser e de se expressar. O desenvolvimento de atividades que levem em consideração a diversidade, como o uso de Língua de Sinais, garante que a comunicação seja respeitada e que cada interação seja significativa.
Além disso, as atividades propostas promovem não apenas a interação entre crianças surdas e ouvintes mas também cultivam um senso de pertencimento no espaço escolar. Ao olharem para os colegas como potenciais parceiros de jogo e aprendizado, as crianças começam a entender que as diferenças não são barreiras, mas sim oportunidades de crescermos juntos em um ambiente de carinho, respeito e solidariedade. Assim, o educador tem um papel crucial de mediador nesse processo, facilitando as interações e ajudando a resolver quaisquer conflitos que possam surgir.
Por último, o plano pode ser expandido para englobar a participação das famílias na construção dessa educação inclusiva. Promover encontros e capacitações que abordem o tema da surdez e da inclusão escolar pode ressoar em um impacto positivo na forma como as famílias entendem e apoiam o processo escolar de seus filhos. Quando as famílias se sentem parte dessa construção, o ambiente escolar se torna ainda mais acolhedor e nutrido pelo amor e pela compreensão.
Orientações finais sobre o plano:
As orientações finais para a implementação deste plano de aula ressaltam a importância de estar atento às necessidades das crianças e adaptar as atividades conforme o desenvolvimento de cada uma. O propósito maior é criar experiências que façam sentido na vida delas, ressoando nos relacionamentos e nas interações. Portanto, a utilização de jogos interativos não deve ser vista apenas como uma atividade, mas como um meio de promover o aprendizado significativo e o desenvolvimento de habilidades sociais.
Além disso, o educador deve buscar estar em constante diálogo com as crianças, utilizando linguagem acessível, gestos e expressões faciais que favoreçam a compreensão. O feedback imediato às crianças sobre suas interações também é essencial, reforçando comportamentos positivos e promovendo a auto-estima e a confiança nas crianças. Esse acompanhamento deve ser gentil e respeitoso, tornando a aprendizagem um processo colaborativo.
Por último, a formação contínua para educadores na área de educação inclusiva é fundamental. Os profissionais devem estar sempre atualizados sobre as melhores práticas e metodologias para se trabalhar com crianças surdas, garantindo um ambiente onde todos possam se sentir bem-vindos e valorizados. Assim, a formação torna-se uma base não apenas para o desenvolvimento profissional, mas para a construção de um futuro mais inclusivo e equitativo.
5 Sugestões lúdicas sobre este tema:
1. Jogo das Cores e Sons:
– Objetivo: Identificar cores e associar sons.
– Materiais: Objetos de diferentes cores que fazem sons.
– Como fazer: As crianças devem tocar em cada objeto, dizendo a cor e imitando o som que ele faz.
2. Dança dos Gestos:
– Objetivo: Aprender novos gestos e associá-los a emoções.
– Materiais: Música animada.
– Como fazer: Criar danças com gestos que representem diferentes emoções, envolvendo as crianças na expressão corporal.
3. Caça às Emoções:
– Objetivo: Aprender sobre sentimentos.
– Materiais: Cartões com várias expressões faciais.
– Como fazer: Espalhar os cartões pela sala e pedir que as crianças encontrem e imitem as emoções representadas.
4. Teatro de Sombra:
– Objetivo: Criar histórias visuais.
– Materiais: Lanternas e papel para colocar frente a uma luz.
– Como fazer: Deixar as crianças criarem figuras para contar histórias, utilizando luz e sombras.
5. Brincadeira de Imitar os Sons:
– Objetivo: Desenvolvimento auditivo e expressivo.
– Materiais: Sons de diferentes animais e objetos.
– Como fazer: Utilizar sons de animais ou objetos e pedir que as crianças imitem os sons e gestos correspondentes.
Esse conjunto de atividades garante que a proposta educativa seja abrangente e adequada para o desenvolvimento das habilidades necessárias para a comunicação e a interação social das crianças em uma perspectiva inclusiva.

