“Consciência Negra: Reflexões e Ações no Ensino Fundamental”

A proposta deste plano de aula visa promover a reflexão dos alunos sobre a importância da Consciência Negra no Brasil e como a história e a cultura africana influenciam a nossa sociedade atual. Essa atividade será realizada durante a Semana da Consciência Negra, enfatizando a necessidade de reconhecer as contribuições dos afrodescendentes na construção do Brasil, assim como os desafios enfrentados em razão do racismo e da desigualdade social. O plano permitirá que os alunos desenvolvam habilidades de escrita, pesquisa e expressão, utilizando recursos multimídia para compartilhar suas descobertas e reflexões sobre a temática.

Com foco em atividades interativas e reflexivas, este plano aborda conceitos de identidade, cultura e raça, propiciando um espaço seguro para debate e questionamentos, além de incentivar a solidariedade e o respeito às diversidades. O objetivo é que os alunos se tornem agentes de mudança na promoção da igualdade racial em seus convívios sociais.

Tema: Projeto Consciência Negra
Duração: 100 minutos
Etapa: Ensino Fundamental 2
Sub-etapa: 8º Ano
Faixa Etária: 12 a 14 anos

Objetivo Geral:

Planejamentos de Aula BNCC Infantil e Fundamental

Promover a reflexão crítica sobre a cultura afro-brasileira, suas contribuições históricas, sociais e culturais, bem como os desafios contemporâneos enfrentados pelas comunidades negras no Brasil.

Objetivos Específicos:

Fomentar a pesquisa sobre a história da população afrodescendente no Brasil e seus impactos na cultura nacional.
Estimular a produção de textos reflexivos, evidenciando as experiências e as vivências da população negra.
Incentivar a criação de um mural colaborativo que expresse as pesquisas e criações dos alunos sobre a temática negra.

Habilidades BNCC:

EF08LP01 – Identificar e comparar as várias editorias de jornais impressos e digitais e de sites noticiosos, refletindo sobre os tipos de fatos que são noticiados e comentados, as escolhas sobre o que noticiar e o que não noticiar, e a fidedignidade da informação.
EF08LP02 – Justificar diferenças ou semelhanças no tratamento dado a uma mesma informação veiculada em textos diferentes, consultando sites e serviços de checadores de fatos.
EF08LP03 – Produzir artigos de opinião, defendendo um ponto de vista com argumentos e contra-argumentos.
EF89LP03 – Analisar textos de opinião e posicionar-se de forma crítica e fundamentada frente aos fatos relacionados a esses textos.
EF08HI20 – Formular questionamentos sobre o legado da escravidão nas Américas, com base na seleção e consulta de fontes de diferentes naturezas.
EF08HI21 – Identificar e relacionar aspectos das estruturas sociais da atualidade com os legados da escravidão no Brasil e discutir a importância de ações afirmativas.

Materiais Necessários:

– Cartolinas ou papéis grandes
– Marcadores coloridos
– Acesso à internet para pesquisa
– Computadores ou tablets (se disponíveis)
– Material de escrita (papel, canetas, lápis)
– Recursos audiovisuais (vídeos/documentários sobre a história afro-brasileira)

Situações Problema:

1. Quais são as contribuições da cultura africana e afro-brasileira que você conhece?
2. De que maneira a sociedade atual ainda reflete os legados da escravidão e do preconceito racial?
3. Como podemos promover a igualdade racial nas escolas e comunidades?

Contextualização:

A respeito da Consciência Negra, a data de 20 de novembro foi escolhida em homenagem a Zumbi dos Palmares, líder do movimento de resistência negra no Brasil colonial. Este projeto visa não apenas fazer uma revisão histórica, mas também uma reflexão sobre o presente, estimulando discussões sobre racismo, desigualdade e solidariedade nas relações sociais contemporâneas.

Desenvolvimento:

O plano de aula será desenvolvido em uma sequência de atividades que incluem pesquisa, debate, produção de texto e expressões artísticas. A seguir, detalhamos o cronograma semanal:

Atividades sugeridas:

Atividade 1: Pesquisa sobre Zumbi dos Palmares
Objetivo: Compreender a importância de Zumbi e o Quilombo dos Palmares.
Descrição: Os alunos serão divididos em grupos e farão uma pesquisa sobre a vida de Zumbi dos Palmares, abordando suas lutas e contribuições.
Instruções:
1. Dividir a turma em grupos de 4 a 5 alunos.
2. Cada grupo utilizará fontes online (sites, documentários) para coletar informações.
3. O grupo deve preparar uma apresentação de 5 minutos para compartilhar suas descobertas.
Materiais: Acesso à internet, canetas e papel para anotações.
Adaptação: Estudantes com dificuldades de leitura podem trabalhar com resumos ou visualizar vídeos.

Atividade 2: Roda de Debate
Objetivo: Promover uma discussão crítica sobre racismo e desigualdade.
Descrição: Após a apresentação dos grupos, será feita uma roda de debate com perguntas guiadas.
Instruções:
1. O professor lançará perguntas aos alunos sobre a pesquisa apresentada.
2. Os alunos serão incentivados a expressar suas opiniões e reflexões.
3. O professor mediará a conversa, garantindo que todos possam falar.
Materiais: Quadro branco para anotações das principais ideias.
Adaptação: Para alunos mais tímidos, o professor pode criar um espaço anônimo para que escrevam suas questões.

Atividade 3: Produção de Artigos de Opinião
Objetivo: Estimular a escrita reflexiva sobre racismo e ações afirmativas.
Descrição: Os alunos escreverão um artigo de opinião a partir das discussões do debate.
Instruções:
1. Os alunos devem utilizar o conteúdo discutido para argumentar sobre a importância da conscientização racial.
2. O texto deve seguir a estrutura de introdução, desenvolvimento e conclusão.
3. Entregar o artigo ao professor na aula seguinte para feedback.
Materiais: Papel e canetas ou computadores.
Adaptação: Alunos que têm dificuldades com a escrita podem ser encorajados a gravar um vídeo de apresentação de suas opiniões.

Atividade 4: Mural Colaborativo
Objetivo: Criar um espaço visual que celebre a cultura afro-brasileira.
Descrição: A turma criará um mural que represente a cultura e a história afro-brasileira.
Instruções:
1. O mural deve incluir imagens, textos e ilustrações coletadas ou criadas pelos alunos.
2. Cada grupo pode trabalhar em uma seção do mural que representa um aspecto diferente da cultura africana ou da luta negra.
3. Expor o mural em um local visível da escola.
Materiais: Cartolinas, canetas, revistas e materiais de colagem.
Adaptação: Alunos com dificuldades motoras podem colaborar com ideias que serão executadas por outros colegas.

Discussão em Grupo:

Promover um espaço onde os alunos possam trocas ideias sobre o que aprenderam, suas experiências e como pretendem utilizar esse conhecimento em sociedade.

Perguntas:

1. Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas por Zumbi e sua comunidade?
2. De que maneira a história do Brasil seria diferente sem a influência da cultura africana?
3. Como podemos seja na escola ou na sociedade, celebrar e apoiar a diversidade racial?

Avaliação:

A avaliação será contínua, considerando a participação nas discussões, a qualidade dos artigos de opinião e a criatividade e colaboração no mural. A professora também irá avaliar o esforço demonstrado nas apresentações e a pesquisa realizada pelos alunos.

Encerramento:

Finalizar a atividade com um momento de reflexão em que os alunos compartilhem o que aprenderam e como isso pode impactar suas ações futuras. Incentivar um compromisso com a igualdade racial.

Dicas:

Fomentar o uso de diferentes recursos na apresentação dos trabalhos para tornar as atividades ainda mais dinâmicas. O incentivo à pesquisa em equipe pode desenvolver habilidades de cooperação e diálogo. Além disso, proporcionar um espaço seguro para que os alunos compartilhem experiências e reflexões relacionadas à temática negra.

Texto sobre o tema:

A Consciência Negra é uma data comemorativa de extrema importância no calendário brasileiro, pois celebra a resistência e a contribuição da população negra ao longo da história do Brasil. A escolha do dia 20 de novembro está diretamente ligada à memória de Zumbi dos Palmares, um líder quilombola que lutou pela liberdade e pela justiça em uma época marcada por profundas desigualdades sociais e raciais. É fundamental entender que a luta pela liberdade e pelos direitos da população negra não é apenas uma questão histórica, mas uma realidade cotidiana que ainda impacta os dias de hoje. A persistência de preconceitos e deslocamentos sociais evidenciam a necessidade de se discutir e reforçar a importância da Consciência Negra nas escolas e comunidades.

A compreensão da Cultura Afro-Brasileira deve ser ampliada para além da ideia de um passado marcado pela escravidão. A resistência cultural dos afrodescendentes fornece um rico e fértil campo de discussões sobre identidade, cultura e direitos humanos, trazendo à tona artes, ciência, religião e expressões sociais que formam a base da sociedade brasileira contemporânea.

Na prática, a promoção de ações afirmativas e políticas públicas se faz necessária para corrigir as desigualdades e valorizar as vozes da população negra. Por meio da educação é possível fomentar o reconhecimento das contribuições afro-brasileiras e a importância de um Brasil diverso e igualitário. As atividades de conscientização e reflexão são fundamentais para a construção de um futuro onde as práticas racistas sejam combatidas, e onde haja respeito e valorização pela diversidade.

Desdobramentos do plano:

O desenvolvimento deste plano pode ser expandido em outras áreas do conhecimento, como História e Geografia, onde os alunos podem realizar pesquisas mais profundas sobre influências africanas em diversas partes do mundo e debater sobre as migrações e diásporas. É possível, também, articular atividades com as disciplinas de Arte para explorar a riqueza das expressões culturais afro-brasileiras na música, dança e artes visuais. Além disso, o assunto pode ser integrado ao Ensino Religioso, em discussões sobre o sincretismo religioso entre as tradições africanas e outras culturas que compõem a sociedade brasileira.

A Consciência Negra não deve ser abordada apenas em um mês do ano, mas sim ser uma temática recorrente nas discussões pedagógicas, abordando a história e a luta dos negros ao longo de todo o ano letivo. Para isso, o envolvimento dos alunos com a comunidade também pode ser reforçado, promovendo eventos como palestras e workshops com representações culturais, onde os estudantes possam não apenas aprender, mas promover diálogos significativos com especialistas, líderes e estudiosos sobre a importância da cultura afrodescendente em suas vivências.

Orientações finais sobre o plano:

Para garantir a eficácia desta proposta, é importante manter um ambiente acolhedor para discussões que envolvam a temática racial. Falar sobre questões de raça e desigualdade pode gerar desconforto nos alunos, e o papel do professor será garantir que todos se sintam seguros para expressar suas opiniões e experiências. A promoção de laços de empatia e respeito será fundamental para o aprendizado.

Além disso, é válido trazer para a sala de aula temas atualizados que demonstrem como a luta por direitos da população negra continua e como ações de combate ao racismo são praticadas atualmente. A inclusão de vídeos e materiais audiovisuais que abordem a temática de forma direta pode enriquecer e dinamizar a aula, trazendo uma nova perspectiva e facilidade de compreensão para os alunos.

Por fim, considere o engajamento dos alunos fora do ambiente escolar, incentivando-os a compartilhar o que aprenderam com sua família e comunidade. O conhecimento gerado durante as aulas pode ser um poderoso agente de mudança, contribuindo para um impacto positivo nos círculos sociais dos estudantes e inspirando ações de cidadania e consciência crítica na sociedade.

5 Sugestões lúdicas sobre este tema:

1. Teatro de Sombras: Criar um pequeno teatro de sombras onde os alunos possam apresentar a história de Zumbi dos Palmares e outros líderes negros com recortes de papel.
Objetivo: Assimilar a história de forma lúdica e estimular a criatividade.
Materiais: Lanterna, papel, palitos de churrasco e um lençol branco.
Passo a Passo: Os alunos devem recortar figuras representativas de personagens da história e, em grupos, atuarem em uma narrativa sobre a resistência negra com a utilização de luz e sombra.

2. Música e Poesia: Incentivar os alunos a criar poemas ou canções que celebrem a cultura afro-brasileira, utilizando elementos da música tradicional.
Objetivo: Valorizar a expressão artística e musical afro-brasileira.
Materiais: Instrumentos musicais (se disponíveis), Notas para escrita de letras, papel e canetas.
Passo a Passo: Em grupos, os alunos devem escolher um tema relacionado à cultura negra e compor suas obras. Após o processo, eles podem compartilhar com a turma.

3. Jogo de Tabuleiro Educativo: Criar um jogo de tabuleiro que explore a história afro-brasileira.
Objetivo: Aprender de forma divertida e interativa.
Materiais: Papelão, canetas, dados e fichas para jogar.
Passo a Passo: O professor pode orientar os alunos a desenvolverem um tabuleiro com perguntas e respostas baseadas na temática discutida durante o projeto.

4. Exposição Cultural: Organizar uma exposição com obras de arte criadas pelos alunos que representem a identidade e a cultura afro-brasileira.
Objetivo: Estimular a pesquisa e a expressão artística.
Materiais: Materiais artísticos variados (tintas, lápis de cor, tela, argila…).
Passo a Passo: Os alunos poderão trabalhar individualmente ou em grupos, buscando inspiração na cultura afro-brasileira e criando suas próprias obras que serão exibidas para a escola.

5. Contação de Histórias: Realizar uma atividade de contação de histórias que inclua narrativas da cultura africana e afro-brasileira com ênfase em suas riquezas e ensinamentos.
Objetivo: Promover a oralidade e a tradição da contação de histórias.
Materiais: Livros ou páginas da internet com contos africanos e afro-brasileiros.
Passo a Passo: Em grupos, alunos escolhem uma história que será contada para a classe, incentivando a criatividade na expressão e interpretação do texto.

Este plano visa efetivar uma abordagem educacional que promova o respeito pela diversidade e a conscientização sobre as questões raciais, contribuindo para a formação de cidadãos críticos e engajados na luta pela igualdade racial.


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