“Aprenda Grafite: Arte Urbana e Crítica Cultural no 7º Ano”

Este plano de aula é construído com o intuito de proporcionar aos alunos do 7º ano do Ensino Fundamental uma análise aprofundada sobre o grafite. Faremos uma imersão nessa expressão artística urbana, explorando suas origens, seus estilos e sua influência na cultura contemporânea. O objetivo é estimular a apreciação das artes visuais, bem como desenvolver a capacidade crítica dos alunos diante dessa manifestação cultural, sempre considerando o contexto e a trajetória histórica do grafite.

Neste contexto, os alunos terão a oportunidade de explorar diferentes formatos e técnicas de grafite, além de refletirem sobre a função social da arte urbana. A abordagem permitirá que eles desenvolvam uma conexão mais profunda com a arte e a cultura, fortalecendo habilidades que vão além do conhecimento técnico, mas que também integram a visão crítica sobre o espaço urbano e suas expressões artísticas.

Tema: Grafite
Duração: 1H40 MINUTOS
Etapa: Ensino Fundamental 2
Sub-etapa: 7º Ano
Faixa Etária: 12 anos

Objetivo Geral:

Planejamentos de Aula BNCC Infantil e Fundamental

Desenvolver uma compreensão crítica e estética do grafite como forma de arte e expressão cultural, promovendo a valorização da diversidade artística e a reflexão sobre o espaço urbano.

Objetivos Específicos:

– Identificar e classificar diferentes estilos de grafite.
– Analisar a função social e política do grafite nas cidades.
– Produzir uma obra em grafite, utilizando técnicas exploradas durante as aulas.
– Refletir sobre a relação entre arte, espaço urbano e comunidade.

Habilidades BNCC:

– (EF69AR01) Pesquisar, apreciar e analisar formas distintas das artes visuais tradicionais e contemporâneas, em obras de artistas brasileiros e estrangeiros de diferentes épocas e em diferentes matrizes estéticas e culturais.
– (EF69AR07) Dialogar com princípios conceituais, proposições temáticas, repertórios imagéticos e processos de criação nas suas produções visuais.
– (EF69AR06) Desenvolver processos de criação em artes visuais, com base em temas ou interesses artísticos, de modo individual, coletivo e colaborativo.

Materiais Necessários:

– Folhas de papel sulfite.
– Lápis grafite e canetas coloridas.
– Tinta spray (se permitido pelo local da atividade), papel manteiga.
– Projetor multimídia.
– Computador com acesso à internet para pesquisa.

Situações Problema:

– Como o grafite pode ser considerado uma forma de resistência cultural?
– O que caracteriza o grafite como arte e qual o seu impacto social?

Contextualização:

O grafite é uma ocupação do espaço urbano que pode ter diferentes significados: desde uma simples brincadeira até uma forma potente de protesto. Nos últimos anos, o grafite se consolidou como uma linguagem contemporânea, debatida em galerias de arte e bienais internacionais. É essencial que os alunos compreendam que essa prática não é apenas vandalismo, mas uma manifestação artística que traz à tona discussões sobre questões sociais, culturais e políticas.

Desenvolvimento:

A aula será dividida em três etapas:

1. Introdução ao Grafite (30 minutos):
– Apresentar um breve histórico do grafite, destacando suas origens nas cidades e seu desenvolvimento enquanto arte urbana.
– Exposição de diferentes estilos e artistas relevantes, utilizando slides no projetor.
– Discussão sobre os diferentes contextos em que o grafite surge e seu papel social.

2. Análise Crítica (30 minutos):
– Dividir os alunos em grupos e solicitar que pesquisem diferentes grafites, analisem suas temáticas, características e o impacto que tiveram nas comunidades onde estão inseridos.
– Os grupos devem escolher um grafite para apresentar à turma, explicitando suas ideias e reflexões.

3. Produção Artística (40 minutos):
– Proporcionar um espaço onde os alunos poderão criar seus próprios grafites, utilizando técnicas de desenho ou pintura.
– Se possível, a prática pode ser feita em paredes designadas na escola ou em papel, respeitando as normas e legislações locais.

Atividades sugeridas:

Atividade 1: História do Grafite
Objetivo: Compreender a evolução do grafite.
Descrição: Apresentar um vídeo sobre a sua história.
Instruções: Os alunos assistem ao vídeo e, em seguida, discutem em duplas os principais pontos abordados.
Materiais: Computador, projetor e vídeo selecionado.
Adaptação: Alunos com dificuldades auditivas podem ter acesso ao texto da narração.

Atividade 2: Explorando Estilos
Objetivo: Identificar diferentes estilos de grafite.
Descrição: Em grupos, os alunos pesquisam sobre um estilo de grafite (ex: stêncil, tag, mural).
Instruções: Cada grupo apresenta seu estilo, incluindo exemplos visuais e um breve discurso sobre suas características.
Materiais: Acesso à internet e cartolina para a apresentação.
Adaptação: Alunos com dificuldades na fala podem utilizar cartazes explicativos.

Atividade 3: Criando Grafites
Objetivo: Aplicar o conhecimento em uma criação artística.
Descrição: Produzir um grafite em papel manteiga.
Instruções: Usar tintas e canetas para criar uma obra que represente uma mensagem social ou cultural.
Materiais: Papel manteiga, tintas spray ou canetas.
Adaptação: Oferecer canetas para alunos que se sentem inseguros com spray.

Discussão em Grupo:

Promover uma discussão ao final do processo criativo onde os alunos podem compartilhar seus grafites e as mensagens que eles trazem. Incentivar que reflitam sobre a importância do grafite na cidade e seu potencial de transformar espaços e narrativas.

Perguntas:

– O que o grafite representa para você e sua comunidade?
– Como vocês acreditam que a arte pode influenciar mudanças sociais?
– Quais dificuldades vocês acham que os grafiteiros enfrentam?

Avaliação:

A avaliação deve ser baseada na participação dos alunos nas discussões, na apresentação em grupo e na originalidade e mensagem do grafite produzido. Os alunos também podem ser avaliados em relação ao respeito às opiniões dos colegas durante as discussões.

Encerramento:

Finalizar a aula com uma reflexão sobre a importância de respeitar as diversas formas de expressão artística e o papel do grafite na construção da identidade cultural. Propor que os alunos pensem sobre outras formas de arte que eles gostariam de explorar.

Dicas:

– Incentivar a pesquisa sobre artistas locais de grafite.
– Fomentar a visita a exposições ou espaços onde o grafite é exposto.
– Propor que os alunos mantenham um diário de reflexões sobre cada atividade.

Texto sobre o tema:

O grafite é uma forma de arte que emergiu como uma voz ativa nas expressões urbanas contemporâneas. Desde suas raízes como um modo de reivindicação em espaços públicos até seu reconhecimento nas galerias de arte, o grafite possui um histórico que reflete as complexidades sociais e políticas de cada lugar. Essa arte, muitas vezes considerada vandalismo, é, na verdade, uma poderosa forma de expressão que busca dialogar com a sociedade, provocando reflexões e debates sobre questões como identidade, política e cultura.

As técnicas de grafite incorporam uma variedade de estilos, que vão desde tags simples até murais elaborados que transmitem mensagens profundas. Grafiteiros como Banksy e Os Gêmeos, por exemplo, utilizaram suas obras para trazer à tona questões sociais, enquanto outros se concentram na estética e na beleza visual de suas criações. A intersecção do grafite com a cultura pop e com movimentos sociais demonstra seu poder como um meio de comunicação acessível, e isso torna o estudo do grafite essencial para o contexto educacional.

Além disso, ao considerar o grafite em sala de aula, abordamos não apenas a produção artística, mas também sua função social e histórica. Os alunos são convidados a refletir sobre o espaço urbano e as narrativas que ele abriga, promovendo uma discussão mais ampla sobre o papel da arte no cotidiano. Um caminho de aprendizado comovente e libertador que pode possibilitar uma nova forma de ver e interagir com o mundo à sua volta, enriquecendo a experiência educativa e fazendo da sala de aula um espaço de criação e reflexão significativa.

Desdobramentos do plano:

Após a realização da aula sobre grafite, podemos pensar em desdobramentos que levem os alunos a uma compreensão mais ampla do tema. Em primeiro lugar, é possível criar um projeto de acompanhamento das obras de grafite na cidade onde a escola está localizada. Os alunos podem se organizar em grupos para visitar pontos específicos da cidade com grafites relevantes, documentando suas descobertas em forma de relatório. Esta atividade poderia incluir entrevistas com os artistas e questionamentos sobre seu processo criativo e intenções por trás do trabalho.

Outro desdobramento seria uma exposição das obras feitas pelos alunos, onde eles pudessem não só expor suas criações, mas também realizar debates e oficinas, convidando a comunidade escolar a participar. Isso fortalece a ideia de que a arte é uma forma de engajamento social, onde todos têm voz e vez. A presença da comunidade poderia intensificar o diálogo sobre o grafite e suas implicações, ampliando o aprendizado para além dos muros da escola.

Por fim, a inclusão de debates sobre leis relacionadas ao grafite e à arte urbana também poderia trazer à tona questões sobre cidadania e direitos. Promover discussões sobre a diferença entre arte e vandalismo ajudaria a cultivar a consciência crítica dos alunos em relação a práticas culturais, jurídicas e éticas em seu contexto social. Assim, o tema do grafite se transforma em um ponto de partida para explorar não apenas a arte, mas o papel dos indivíduos na formação e transformação de sua realidade urbana.

Orientações finais sobre o plano:

É fundamental que, ao implementar o plano de aula sobre grafite, o educador atente para o contexto da comunidade escolar. O respeito às diversas visões sobre o grafite e suas interpretações é vital para o sucesso da experiência. Além disso, promover um ambiente seguro e acolhedor, onde os alunos possam expressar suas opiniões sem medo de julgamento, ajudará a construir um espaço de aprendizado colaborativo e criativo.

Encorajar a experimentação artística sem limites e garantir que os alunos entendam a importância da mensagem que querem transmitir em suas obras também é essencial. O grafite é uma linguagem única e, ao trabalhar com ela, o professor não deve apenas transmitir conhecimentos técnicos, mas principalmente incentivar a expressão pessoal e a reflexão crítica.

Por fim, mesmo ao trabalhar com um tema como o grafite, que pode ter implicações legais e sociais, o educador deve ressaltar a importância do respeito ao próximo e à propriedade pública. Garantir que os alunos compreendam a diferença entre expressão artística autorizada e vandalismo é parte do desenvolvimento de cidadãos responsáveis e conscientes.

5 Sugestões lúdicas sobre este tema:

1. Jogo de Poesia Grafitada
Objetivo: Mesclar linguagem e arte.
Descrição: Os alunos devem criar versos que representam a visão deles sobre a cidade e inspirá-los a criar um grafite a partir dos textos.
Materiais: Papel, canetas, pinturas.
Aplicação: Propor um concurso de “melhor poema grafitado”.

2. Desafio das Cores
Objetivo: Estimular a criatividade.
Descrição: Os alunos devem criar um grafite utilizando apenas uma palete de cor específica.
Materiais: Tintas e papéis em diversas cores.
Aplicação: Exposição do resultado em sala de aula.

3. Caça ao Grafite
Objetivo: Explorar a cidade.
Descrição: Organizar uma visita guiada a um bairro que tenha vários grafites e que os alunos façam uma documentação através de fotos e anotações.
Materiais: Câmeras ou celulares, cadernos.
Aplicação: Criar um mural com as fotografias e impressões.

4. Mural Coletivo
Objetivo: Promover a colaboração.
Descrição: Criar um mural muito próximo ao que seria considerado um espaço público, onde todos os alunos podem colaborar com sua arte.
Materiais: Tinta spray, pincéis, rolos.
Aplicação: Realizar um evento de lançamento do mural.

5. Teatro de Sombras do Grafite
Objetivo: Atuar com criatividade.
Descrição: Criar um teatro de sombras que conte a história do grafite e sua influência nas comunidades usando recortes inspirados em grafitos.
Materiais: Recortes de papel, lanterna, espaço para apresentações.
Aplicação: Apresentar no final para a comunidade escolar, associando arte visual e performática.

Essas atividades têm o potencial de despertar o interesse e a criatividade dos alunos, enquanto permitem uma compreensão mais rica do grafite não apenas como uma forma de arte, mas como uma voz relevante na sociedade contemporânea.


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