“Cordel e Música: Explorando a Influência Africana no Brasil”
A proposta deste plano de aula é oferecer um espaço significativo de aprendizado através do cordel e da música, focando na rica herança africana que permeia a cultura brasileira. Utilizando o livro didático “Mundo” nas páginas 167, a aula desenvolverá o tema do “Som da Resistência”, explorando como as raízes africanas influenciam as práticas culturais e musicais no Brasil. Ao finalizar a atividade, os estudantes terão a oportunidade de refletir sobre a importância do patrimônio cultural e como este se manifesta nas suas vidas cotidianas.
Neste sentido, o professor criará um ambiente envolvente que estimule a reflexão crítica e a participação ativa dos alunos, promovendo a leitura e interpretação de um dos cordéis mais célebres. Os alunos serão encorajados a analisar o texto e a sua estrutura, desenvolvendo habilidades de leitura e interpretação que são essenciais para o aprendizado, garantindo assim que se apropriem do conhecimento de forma prazerosa e significativa.
Tema: Cordel – Som da Resistência: Foco na base rítmica africana na música brasileira
Duração: 90 minutos
Etapa: Ensino Fundamental 1
Sub-etapa: 3º Ano
Faixa Etária: 8 anos
Objetivo Geral:
Proporcionar aos alunos uma compreensão mais profunda sobre a influência da cultura africana na música brasileira, utilizando a leitura e análise do cordel como ferramenta principal.
Objetivos Específicos:
Estimular a leitura e a apreciação do cordel,
Analisar as estruturas rítmicas e de rima presentes no texto,
Discutir sobre a origem e aspectos da música brasileira que possuem influências africanas,
Promover a expressão artística através da declamação e interpretação de cordéis.
Habilidades BNCC:
(EF03LP01) Ler e escrever palavras com correspondências regulares contextuais entre grafemas e fonemas.
(EF03LP12) Ler e compreender, com autonomia, cartas pessoais e diários, com expressão de sentimentos e opiniões.
(EF04LP27) Recitar cordel e cantar repentes e emboladas, observando as rimas e obedecendo ao ritmo e à melodia.
Materiais Necessários:
Cópias do cordel “A História do Vaqueiro João Ferreira de Lima”, papel e canetas coloridas, materiais de arte para expressão (tintas, pincéis, cartolinas), um aparelho de som ou caixa de som para tocar músicas com influência africana.
Situações Problema:
Quais as características do cordel?
Como a música brasileira representa a cultura africana?
De que forma as experiências dos vaqueiros eram traduzidas nas músicas que ouviam?
Contextualização:
A música brasileira é marcada pela influência das culturas afro-brasileiras, refletindo sua resistência e resiliência através dos ritmos e gêneros musicais. O cordel que será utilizado apresenta uma narrativa que liga a música à vida cotidiana dos vaqueiros, proporcionando uma conexão com a cultura popular.
Desenvolvimento:
1. Início da Aula (15 minutos)
O professor inicia a aula apresentando o conceito de cordel e sua importância na cultura brasileira. Explica o que é a rima, a métrica e a estrutura do texto que será lido.
2. Leitura do Cordel (30 minutos)
Realiza-se a leitura do cordel “A História do Vaqueiro João Ferreira de Lima”. Essa leitura será feita de forma individual e coletiva. O professor pode dividir a turma em grupos para que cada grupo faça a leitura de algumas estrofes, promovendo a participação ativa dos alunos.
3. Discussão (20 minutos)
Após a leitura, o professor conduz uma discussão através de perguntas que estimulem a reflexão. Exemplos de perguntas incluem: “Quantas estrofes o cordel possui?” “Quais rimas foram encontradas?” “Como estava o rio quando o vaqueiro perguntou a João?” “O rio estava seguro para atravessar? Por quê?”
4. Exploração Musical (15 minutos)
O professor prepara uma seleção de músicas que incorporam elementos da cultura africana. Os alunos escutam as músicas e discutem as rítmicas e sons característicos. Essa atividade ajuda a criar uma conexão entre o cordel e as experiências sonoras autênticas.
5. Atividade Criativa (10 minutos)
Em grupos, os alunos poderão criar suas próprias estrofes de cordel, inspirando-se nas influências rítmicas das músicas africanas discutidas.
Atividades sugeridas:
1. Leitura e Análise do Cordel
Objetivo: Compreender a estrutura do cordel e as suas rimas.
Descrição: Os alunos leem o cordel individualmente, em duplas e em grupo.
Instruções: Incentivar anotações sobre observações e reflexões.
Materiais: Cópias do cordel.
2. Discussão e Debate
Objetivo: Desenvolver pensamento crítico e habilidade de argumentação.
Descrição: Discussões sobre a temática do cordel.
Instruções: Utilizar as perguntas de discussão para guiar a conversa.
Materiais: Quadro para anotações.
3. Análise Musical
Objetivo: Compreender a presença de ritmos africanos na música brasileira.
Descrição: Ouvir músicas enquanto identificam elementos rítmicos e instrumentais.
Instruções: Discussão em grupos sobre as músicas ouvidas.
Materiais: Aparelho de som.
4. Criação de Novos Cordéis
Objetivo: Estimular a criatividade e a produção textual.
Descrição: Criar estrofes de cordel.
Instruções: Trabalhar em grupos para elaborar cordéis baseados em experiências da vida cotidiana.
Materiais: Papel, canetas, tintas.
5. Apresentação de Cordéis
Objetivo: Praticar a recitação e a oralidade.
Descrição: Apresentar as estrofes criadas para a turma.
Instruções: Encourajar expressividade e a prática contínua de declamação.
Materiais: Cordéis criados pelos alunos.
Discussão em Grupo:
Promover uma discussão sobre como a música é um meio de resistência e identidade cultural. Perguntas para guiar a discussão podem incluir: “De que maneira a música conta a história do povo brasileiro?” “Como a resistência é expressa por meio da arte?”
Perguntas:
1. Qual a importância dos vaqueiros para a história do nosso país?
2. Posso relacionar a música africana a experiências pessoais de resistência?
3. Que sentimentos o cordel traz para você? Por quê?
Avaliação:
A avaliação será contínua, levando em consideração a participação dos alunos nas atividades, a profundidade das discussões e a criatividade na produção dos novos cordéis. O professor pode também utilizar questionários informais ao final da aula para avaliar a compreensão dos temas abordados.
Encerramento:
Finalizar a aula revendo os aspectos principais discutidos, tanto do cordel quanto das músicas africanas. Agradecer a participação de todos e estabelecer a importância da cultura na formação da identidade individual e coletiva.
Dicas:
1. Incentive os alunos a trazerem seus próprios exemplos de músicas que conheçam que possuem raízes africanas.
2. Utilize recursos visuais e audiovisuais para diversificar a apresentação do conteúdo.
3. Estimule um espaço seguro para que todos possam se expressar e se sentir à vontade para compartilhar suas experiências.
Texto sobre o tema:
O cordel é uma forma literária que remonta às tradições populares brasileiras, especialmente influenciada por narrativas trazidas pelos colonizadores e pelos africanos escravizados. Nele, a rima e a métrica são utilizadas como estruturas que perpetuam histórias e eventos da vida cotidiana. No Brasil, o cordel não é apenas uma forma de arte, mas sim uma maneira de preservar e compartilhar a cultura, as tradições e as vivências de um povo que resiste e se reinventa em meio às adversidades.
As influências africanas na música brasileira são imensas e podem ser percebidas em ritmos como o samba, o maracatu, o frevo e o axé. Estas expressões musicais não só refletem a diversidade cultural do Brasil, mas também trazem consigo uma forte mensagem de resistência e luta. As tradições musicais africanas não apenas se adaptaram ao contexto brasileiro, mas tornaram-se parte fundamental da identidade nacional. A música é um meio poderoso através do qual as histórias são contadas, os sentimentos são expressos e os valores de resistência são reforçados.
A aula de hoje pretende mostrar como a junção do cordel com a música é uma forma rica de explorar essas influências culturais. Ao trabalhar com o cordel, os alunos não apenas desenvolvem suas habilidades de leitura e escrita, como também se conectam de forma significativa com a história e as raízes da cultura brasileira. Assim, a arte do cordel se revela um poderoso recurso pedagógico para promover a consciência cultural entre os estudantes.
Desdobramentos do plano:
A partir da atividade realizada, o professor pode desenvolver outros projetos interdisciplinares explorando temas relacionados ao cordel e à música. Por exemplo, pode-se solicitar que os alunos realizem uma pesquisa sobre artistas brasileiros que usam as influências africanas em suas músicas, ampliando o conhecimento sobre a música popular brasileira.
Além disso, uma visita a uma feira de literatura de cordel pode proporcionar experiências enriquecedoras e permitir que os alunos conheçam outros autores e estilos. A interação com o meio literário pode despertar o desejo de aprofundamento em leitura e produção de textos entre os alunos.
A criação de um mural na escola com os cordéis produziros pelos alunos pode ser uma forma de valorização do trabalho realizado, além de servir como um instigador para outras turmas e professores, incentivando práticas semelhantes. Essa troca e exposição é fundamental para criar um ambiente de aprendizado dinâmico, interessante e interativo.
Orientações finais sobre o plano:
É essencial que o professor acompanhe cada etapa do plano, garantindo que todos os alunos estejam participando ativamente. A flexibilidade é crucial; cada grupo de alunos pode apresentar diferentes ritmos e formas de assimilação do conteúdo. Portanto, o professor deve estar atento às necessidades e dificuldades individuais, adaptando atividades quando necessário.
A inclusão de elementos contextuais, como a cultura local, pode enriquecer ainda mais a discussão. Conectar as experiências dos alunos com a história contada no cordel e nas músicas fará com que os alunos se sintam parte de um contexto cultural maior, ajudando a solidificar a importância da cultura como um todo.
Por fim, é importante que o aprendizado sobre o cordel e a música brasileira se estenda além do ambiente de sala de aula. Incentivar os alunos a buscarem mais informações sobre suas tradições culturais em casa e nas comunidades frequentemente reforça os laços e a valorização da sustentabilidade da cultura popular. Cada pequeno passo em direção ao reconhecimento e à valorização da diversidade cultural é uma vitória significativa nesse processo educacional.
5 Sugestões lúdicas sobre este tema:
1. Teatro de Cordel
Para alunos do 3º ano, o professor pode sugerir que os alunos encenem o cordel lido, utilizando acessórios simples para criar uma apresentação divertida.
Objetivo: Promover a expressão e a criatividade.
Materiais: Roupas e objetos de cena.
Método: Dividir a turma em grupos onde cada grupo representará uma parte da narrativa.
2. Criação Musical
Os alunos poderão criar uma canção inspirada no cordel.
Objetivo: Promover a integração entre música e literatura.
Materiais: Instrumentos musicais simples (pandeiros, flautas, etc.).
Método: Sugira que eles experimentem diferentes instrumentos e compartilhem suas criações com a turma.
3. Desenho e Ilustração
Após a leitura do cordel, incentive os alunos a desenhar uma cena de sua parte favorita.
Objetivo: Estimular a criatividade visual e a compreensão da história.
Materiais: Papel, lápis, tintas e canetas coloridas.
Método: Um momento de exposição pode ser feito em sala, onde cada um apresentará seu desenho.
4. Jogo de Rimas
Realizar um jogo em que os alunos deverão formar rimas a partir de palavras propostas.
Objetivo: Engajar os alunos com a linguagem e a fonética.
Materiais: Papéis com palavras e um cronômetro.
Método: Os alunos devem formar grupos e competir para ver quem consegue formar mais rimas no menor tempo.
5. Cabo de Guerra Cultural
Organizar um cabo de guerra com temas culturais (dividir a turma em dois times e cada time deverá apresentar uma rima ou uma informação cultural).
Objetivo: Importância do trabalho em equipe e o conhecimento cultural.
Materiais: Um cordão para o cabo de guerra.
Método: Esse jogo será uma forma lúdica e ativa de reaprender o conteúdo da aula, intercalando atividades físicas e culturais.
Com essas atividades, o plano de aula se torna dinâmico e contemplativo, fornecendo uma experiência enriquecedora tanto cultural quanto educacional.

