“Explorando a Língua Brasileira de Sinais: Inclusão e História”
Esta proposta de plano de aula tem como intuito explorar a rica e complexa história da Língua Brasileira de Sinais (Libras), abordando desde a trajetória das pessoas surdas no Brasil até a legislação que protege e valoriza essa maneira de comunicação. Ao longo do desenvolvimento da aula, os alunos terão a oportunidade de aprender sobre a importância da Libras, sua história, e as referências legais que envolvem a comunidade surda, proporcionando um espaço para diálogos e reflexões sobre acessibilidade e inclusão.
As aulas serão proporcionadas de forma a engajar os estudantes, estimulando a investigação, o debate crítico e a sensibilidade em relação a um tema que é de extrema relevância social e cultural. Esse plano, além de abordar a Libras, também reflete sobre Direitos Humanos e a necessidade de inclusão, alinhando-se às competências necessárias para formar cidadãos críticos e atuantes em nossa sociedade.
Tema: Língua Brasileira de Sinais (Libras)
Duração: 4 horas
Etapa: Ensino Médio
Sub-etapa: 3º Ano do Ensino Médio
Faixa Etária: 18 anos
Objetivo Geral:
Propiciar uma compreensão profunda sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras), sua história, a cultura surda e a legislação atual, promovendo a reflexão crítica sobre a inclusão social e a importância da diversidade linguística.
Objetivos Específicos:
– Compreender a história da comunidade surda no Brasil e a emergência da Libras como forma de comunicação.
– Discutir a legislação que protege os direitos das pessoas surdas.
– Identificar a importância da Língua Brasileira de Sinais como patrimônio cultural.
– Refletir sobre preconceitos e estigmas relacionados à surdez e à Libras.
– Desenvolver habilidades de empatia e inclusão através do entendimento da diversidade linguística.
Habilidades BNCC:
– (EM13LGG102) Analisar as visões de mundo, conflitos de interesse, preconceitos e ideologias presentes nos discursos veiculados nas diferentes mídias, ampliando as possibilidades de explicação, interpretação e intervenção crítica na realidade.
– (EM13LGG103) Analisar o funcionamento das linguagens para interpretar e produzir criticamente discursos em textos de diversas semioses, sejam elas visuais, verbais, sonoras ou gestuais.
– (EM13CHS502) Analisar situações da vida cotidiana, estilos de vida, valores, condutas etc., desnaturalizando e problematizando formas de desigualdade, preconceito, intolerância e discriminação, e identificar ações que promovam os Direitos Humanos, a solidariedade e o respeito às diferenças e às liberdades individuais.
Materiais Necessários:
– Projetor multimídia e tela para apresentações.
– Vídeos sobre a história da comunidade surda e Libras.
– Textos e documentos legais relacionados à legislação e direitos das pessoas surdas.
– Material de escrita (cadernos, canetas, papéis).
– Materiais visuais (cartazes, mapas, infográficos) sobre a Libras.
Situações Problema:
– Como a Libras é vista e reconhecida na sociedade atual?
– Quais são os principais desafios enfrentados pelas pessoas surdas em sua comunicação e interação com a sociedade?
– De que forma a legislação brasileira assegura os direitos das pessoas surdas?
Contextualização:
Nos últimos anos, a comunidade surda tem ganhado destaque e visibilidade no Brasil, principalmente devido ao reconhecimento da Libras como uma língua oficial em 2002. O objetivo é mostrar como a prática da Libras reflete em questões legais, sociais e a importância da inclusão das pessoas surdas na sociedade. Ser capaz de falar sobre esses marcos legais é essencial para o entendimento e a valorização da cultura surda.
Desenvolvimento:
A aula terá a seguinte estrutura para otimizar o aprendizado:
1. Abertura (30 minutos): Leitura e discussão de um texto introdutório sobre a Libras e a cultura surda.
2. Exibição de vídeo (30 minutos): Apresentação de um documentário sobre a história da comunidade surda no Brasil.
3. Discussão em grupos (1 hora): Divisão da turma em grupos para analisar diferentes aspectos da Libras e compartilhar percepções.
4. Apresentação da legislação (30 minutos): Análise das leis que reconhecem a Libras e os direitos das pessoas surdas, promovendo debate crítico.
5. Atividade criativa (1 hora): Elaboração de um cartaz que represente a importância da Libras.
Atividades sugeridas:
Dia 1: Introdução à Libras e à Cultura Surda
– Objetivo: Proporcionar uma visão geral da Libras e levantar questões sobre sua importância.
– Atividade: Leitura coletiva de um texto introdutório sobre a história da Libras.
– Instruções: O professor deverá conduzir a leitura e abrir espaço para perguntas e reflexões.
– Materiais: Texto impresso sobre a história da Libras e da comunidade surda.
Dia 2: Vídeo e Discussão
– Objetivo: Entender a trajetória da comunidade surda através de um documentário.
– Atividade: Exibição de um documentário sobre a história e as lutas da comunidade surda.
– Instruções: Fazer pausas durante o vídeo para discutir pontos importantes abordados.
– Materiais: Documentário em vídeo.
Dia 3: Pesquisa e Compartilhamento
– Objetivo: Analisar aspectos culturais da Libras.
– Atividade: Dividir a turma em grupos para pesquisar e discutir diferentes aspectos da Libras.
– Instruções: Cada grupo deve apresentar suas descobertas ao restante da turma.
– Materiais: Acesso à internet, computadores, ou livros de referência.
Dia 4: Legislação e Direitos
– Objetivo: Compreender as leis que garantem os direitos das pessoas surdas.
– Atividade: Apresentação de leis e direitos através de um infográfico criado pela turma.
– Instruções: O professor irá orientar os alunos a criarem seu próprio infográfico usando informações.
– Materiais: Material para criação do infográfico (papel, canetas, computador).
Dia 5: Criação de Cartazes
– Objetivo: Refletir sobre a importância da Libras na sociedade.
– Atividade: Criação de um cartaz que represente a cultura surda e a Libras.
– Instruções: Os alunos poderão trabalhar em grupos ou individualmente, e depois apresentar os cartazes.
– Materiais: Cart itens, canetas, tintas, e outros materiais de arte.
Discussão em Grupo:
Ao final das atividades, promover uma discussão em grupo sobre as percepções formadas em relação à Libras, seus benefícios e desafios. Os alunos poderão expor suas ideias e dialogar sobre como a sociedade pode ser mais inclusiva.
Perguntas:
– O que vocês aprenderam sobre a história da comunidade surda?
– Como a Libras contribui para a inclusão social?
– Quais são os principais desafios que as pessoas surdas enfrentam na sociedade atual?
– Como a legislação brasileira apoia a comunidade surda?
– Que outras ações poderiam ser feitas para promover a inclusão das pessoas surdas?
Avaliação:
A avaliação será contínua e levará em conta as contribuições dos alunos durante as discussões, as apresentações em grupo, bem como a criatividade e a clareza dos cartazes desenvolvidos. Os alunos devem ser encorajados a fornecer feedback uns aos outros sobre suas apresentações.
Encerramento:
Concluir a aula com uma reflexão sobre a importância da Libras e a valorização da cultura surda dentro da sociedade. Reforçar a ideia de que a diversidade linguística enriquece a cultura e a convivência.
Dicas:
– Incentivar a leitura de materiais adicionais sobre a Libras para aprofundar o conhecimento.
– Criar um espaço para que alunos surdos possam compartilhar suas experiências com a turma, se houver.
– Utilizar mídias sociais para que os alunos possam compartilhar o que aprenderam com a comunidade.
Texto sobre o tema:
A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é uma forma de comunicação fundamental que tem sua própria estrutura e gramática, diferenciando-se completamente da língua portuguesa. Sua história começou a ser traçada no Brasil a partir do século XIX, quando surgiram as primeiras instituições educacionais voltadas para a população surda. Com o tempo, a Libras foi se consolidando como um meio efetivo de comunicação entre surdos e ouvintes, promovendo a inclusão e a expressão da cultura surda na sociedade brasileira.
A Libras é reconhecida oficialmente como a língua dos surdos no Brasil desde 2002, através da Lei nº 10.436 que a instituiu. Esta legislação não apenas legitima a Língua Brasileira de Sinais, como também estabelece direitos e deveres em relação ao acesso à comunicação para as pessoas surdas. A inclusão da Libras nas escolas e serviços de saúde é uma medida importante para garantir o acesso à informação e a participação cidadã.
É crucial que todos os aspectos da comunicação, incluindo a Libras, sejam considerados num mundo diversificado. A educação bilíngue, que integra a Língua Portuguesa e a Libras, é um caminho promissor para a formação de uma sociedade mais inclusiva e respeitosa. Quando a Libras é utilizada, a autonomia das pessoas surdas é promovida, permitindo que se expressem plenamente e participem ativamente da vida em sociedade.
Desdobramentos do plano:
A proposta de uma aula sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras) não se encerra nas quatro horas de atividade planejadas. É possível fomentar a continuidade do debate e do aprendizado, estendendo as atividades para além do ambiente escolar. Uma campanha de conscientização, liderada pelos estudantes, pode ser uma excelente oportunidade para gerar uma discussão mais ampla sobre a inclusão das pessoas surdas na sociedade. Essa campanha poderia envolver visitas a escolas, instituições e eventos comunitários, onde os alunos poderiam compartilhar o que aprenderam e conscientizar outras pessoas sobre a importância do respeito e da inclusão.
Outra possibilidade é a utilização da biblioteca da escola ou a criação de uma seção no site da escola que destaque a cultura e a história da comunidade surda. Promover discussões regulares sobre o tema em um espaço de escuta e aprendizado poderia ser um fator motivacional para alunos surdos e ouvintes. Além disso, a biblioteca pode também incluir livros e obras pela perspectiva surda, ajudando a enriquecer a formação crítica dos alunos.
Por fim, estimular a participação dos alunos em iniciativas que promovam a Língua Brasileira de Sinais, como eventos culturais, palestras e workshops, pode ser fundamental para solidificar o aprendizado e a valorização da cultura surda. Ao incluir essas experiências, os estudantes criam uma conexão mais forte com as questões sociais e educacionais relacionadas à surdez, ampliando sua atuação como cidadãos críticos e engajados.
Orientações finais sobre o plano:
Ao trabalhar com a Língua Brasileira de Sinais (Libras), é importante que o professor esteja ciente da diversidade que envolve este tema e das diferentes realidades que os alunos podem trazer para a sala de aula. Ajustar a abordagem ao contexto da turma é crucial para que todos se sintam seguros e à vontade para expressar suas ideias e sentimentos. Profissionais capacitados em Libras podem ser convidados para participar das aulas, enriquecendo o aprendizado e tornando a experiência ainda mais valiosa.
Os alunos devem ser incentivados a questionar, refletir e buscar métodos de inclusão que respeitem as individualidades de cada pessoa. Durante as discussões, é fundamental que as vozes de todos sejam ouvidas, promovendo o respeito e a empatia. Além disso, é essencial criar um ambiente em que todos, surdos e ouvintes, se sintam igualmente importantes e valorizados.
Por último, a integração com a comunidade local e as redes de apoio à pessoas surdas pode ser uma maneira de proporcionar experiências reais e vivências aos alunos. Essa conexão com o mundo externo transcende as paredes da sala de aula e contribui para a formação de cidadãos mais conscientes e sensíveis às diversas realidades sociais.
5 Sugestões lúdicas sobre este tema:
1. Teatro em Libras: Os alunos podem encenar uma peça em Libras, promovendo o aprendizado prático da língua através da dramatização. Materiais necessários incluem figurinos simples e adereços para a encenação. Essa atividade estimula a criatividade e a empatia, permitindo que alunos surdos e ouvintes trabalhem juntos.
2. Murmúrios Sonoros: Os alunos devem criar sons e gestos que representem palavras ou frases em Libras. Um jogo em que devem adivinhar o que o colega está representando, utilizando apenas os gestos e faces, revela a riqueza expressiva da Libras, promovendo aprendizado através da diversão.
3. Cartões de Comunicação: Criar cartões visuais que representem palavras ou frases em Libras. Os alunos deverão apresentar situações em que fazer uso desses cartões seria útil, exercitando a convivência entre surdos e ouvintes. Isso pode ser integrado em dinâmicas de grupo ou em sala de aula.
4. Dia de Inclusão: Organizar um dia temático onde as atividades e comunicações na escola sejam realizadas em Libras. Estimular atividades como gincanas e jogos, que utilizem Kroversos, com tradução visual de cada ação e reforço na inclusão. Esse dia serve como um ensaio prático para a aplicação do que foi aprendido.
5. Busca do Tesouro Visual: Criar uma caça ao tesouro onde as pistas estão descritas em Libras, e os alunos precisam encontrar os itens correspondentes em sala de aula. A atividade proporciona não apenas interação entre os alunos, mas também um aprendizado que envolve concentração e interpretação.
Essas sugestões visam garantir que o aprendizado sobre a Língua Brasileira de Sinais seja realizado de forma dinâmica, inclusiva e colaborativa, estimulando o respeito às diferenças e a construção de uma sociedade mais justa.

