“Plano de Aula: Capoeira Afrobrasileira para o 1º Ano”

Iniciar um plano de aula sobre a capoeira afrobrasileira é uma oportunidade não apenas de introduzir as crianças a uma manifestação cultural rica, mas também de promover a valorização da cultura afro-brasileira e o entendimento da interação entre movimento, música e história. Esta aula vai além do mero aprendizado físico, englobando aspectos musicais, artísticos e sociais, fundamentais para o desenvolvimento integral dos alunos do 1º ano do Ensino Fundamental.

Neste plano, vamos explorar os instrumentos utilizados na capoeira e ensinar as crianças a gingar, movimento básico da capoeira, permitindo que elas participem ativamente de uma experiência cultural vibrante. Ao trabalhar com a capoeira, queremos que os alunos não apenas aprendam movimentos, mas também conheçam a história e a importância desse jogo na cultura brasileira, promovendo um espaço de aprendizagem divertida e significativa.

Tema: Capoeira Afrobrasileira
Duração: 40 minutos
Etapa: Ensino Fundamental 1
Sub-etapa: 1º Ano
Faixa Etária: 6 a 7 anos

Objetivo Geral:

Planejamentos de Aula BNCC Infantil e Fundamental

O objetivo geral desta aula é iniciar os alunos no conhecimento da capoeira afrobrasileira, valorizando sua história, cultura e os movimentos básicos e instrumentos utilizados, proporcionando uma vivência prática e lúdica.

Objetivos Específicos:

1. Apresentar os instrumentos de percussão usados na capoeira, como o berimbau, pandeiro e atabaque.
2. Ensinar a ginga como o movimento básico da capoeira.
3. Promover a valorização da cultura afro-brasileira e sua história.
4. Propor uma atividade prática onde os alunos possam expressar-se corporalmente através da capoeira.

Habilidades BNCC:

1º ANO – ARTES
(EF15AR08) Experimentar e apreciar formas distintas de manifestações da dança presentes em diferentes contextos, cultivando a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório corporal.
(EF15AR10) Experimentar diferentes formas de orientação no espaço (deslocamentos, planos, direções, caminhos etc.) e ritmos de movimento na construção do movimento dançado.

1º ANO – EDUCAÇÃO FÍSICA
(EF12EF11) Experimentar e fruir diferentes danças do contexto comunitário e regional (rodas cantadas, brincadeiras rítmicas e expressivas), e recriá-las, respeitando as diferenças individuais e de desempenho corporal.

Materiais Necessários:

– Berimbau (pode ser feito de forma simples com materiais recicláveis)
– Pandeiro
– Atabaque (ou algum tambor)
– Espaço amplo para a prática dos movimentos
– Música de capoeira (CD ou aparelho de som)

Situações Problema:

Como podemos expressar através da música e do movimento a nossa identidade cultural? O que podemos aprender sobre a capoeira e sua origem?

Contextualização:

A capoeira é uma expressão cultural afrobrasileira que combina dança, luta e música, originando-se no Brasil no período colonial. Os alunos conhecerão não apenas os movimentos, mas também a importância da capoeira para a cultura e resistência dos africanos e seus descendentes no Brasil.

Desenvolvimento:

1. Introdução (10 minutos):
– Explicar brevemente a história da capoeira e seu contexto cultural. Utilizar imagens de capoeiristas, instrumentos e sua prática social.
– Apresentar os instrumentos de música. Fazer uma pequena demonstração de sons que podem ser produzidos.

2. A Ginga (15 minutos):
– Explicar o que é a ginga e sua importância na capoeira.
– Conduzir os alunos em movimentos de ginga, iniciando devagar e depois aumentando a intensidade.

3. Prática com os Instrumentos (10 minutos):
– Dividir os alunos em pequenos grupos para experimentar os instrumentos.
– Cada grupo pode ter um instrumento e praticar criar ritmos simples.

4. Roda de Capoeira (5 minutos):
– Formar uma roda e permitir que os alunos pratiquem a ginga em volta dos instrumentos tocando percussão.

Atividades sugeridas:

Atividade 1: Conhecendo os Instrumentos
Objetivo: Reconhecer os instrumentos da capoeira e sua importância cultural.
Descrição: O professor apresenta cada instrumento, fazendo demonstrações sonoras.
Instruções: Permitir que cada aluno segure um instrumento e imite os sons feitos pelo professor. Para alunos que têm dificuldades motoras, pode-se permitir o uso de tambores de mesa como adaptação.
Materiais: Instrumentos de percussão.

Atividade 2: Aprendendo a Ginga
Objetivo: Aprender o movimento básico da ginga.
Descrição: O professor ensina a ginga aos alunos, enfatizando a fluidez e a importância da postura.
Instruções: Primeiramente, os alunos devem realizar os movimentos com os pés em parados, depois, começar a se deslocar. Para adaptação, pode-se permitir que os alunos imitem movimentos de forma mais solta.
Materiais: Música de capoeira.

Atividade 3: Ritmos e Sons
Objetivo: Criar ritmos coletivamente.
Descrição: Em pequenos grupos, os alunos exploram como criar diferentes ritmos usando os instrumentos.
Instruções: O professor rotaciona em cada grupo, ajudando a tirar dúvidas. Para alunos com deficiências auditivas, é possível usar gestos e visuais para explicar os sons.
Materiais: Instrumentos.

Atividade 4: A Roda de Capoeira
Objetivo: Praticar coletivamente em um ambiente de roda.
Descrição: Os alunos se reúnem em roda, onde praticam a ginga e os ritmos criados.
Instruções: Incentivar o entrosamento e a sincronia entre os alunos. Para alunos mais tímidos, permitir que participem em grupos menores ou na periferia da roda.
Materiais: Espaço amplo.

Discussão em Grupo:

– Como a capoeira nos ajuda a expressar sentimentos?
– O que cada aluno aprendeu sobre a cultural afro-brasileira?

Perguntas:

– O que é a capoeira?
– Quais instrumentos você conheceu hoje?
– Por que a ginga é importante na capoeira?

Avaliação:

A avaliação será contínua e observacional, levando em conta a participação, a intenção em aprender e a capacidade de trabalhar em grupo.

Encerramento:

Finalizar a aula com uma roda onde os alunos podem expressar de forma livre os movimentos aprendidos, se divertindo e compartilhando o que aprenderam sobre a capoeira.

Dicas:

Incentivar a realização das práticas em casa, ensinando a ginga e mostrando para amigos e familiares. Além disso, o professor deve sempre promover um ambiente de respeito e acolhimento, celebrando as diferenças e os talentos únicos de cada aluno.

Texto sobre o tema:

A capoeira é uma verdadeira expressão de resistência e criação cultural que nasceu na luta dos africanos escravizados no Brasil. Essa prática, que combina a arte marcial com a dança e a música, reflete a luta pela liberdade e sobrevivência de um povo. Na capoeira, os jogadores se movimentam com agilidade e graça, enquanto os músicos produzem ritmos contagiantes que conduzem a energia da roda.

Além disso, a capoeira carrega em seu cerne uma forte carga de união e respeito mútuo. Os jogos de capoeira promovem o diálogo entre os participantes, revelando as nuances de sua história, valores e cultura. Os instrumentos de percussão, como o berimbau, pandeiro e atabaque, desempenham papéis essenciais, não apenas em termos sonoros, mas também como símbolos do patrimônio cultural afro-brasileiro.

Incorporar a capoeira nas aulas é dar aos alunos um vislumbre de suas raízes e ao mesmo tempo estimular a criatividade e o movimento. O ambiente energizado das rodas de capoeira permite que as crianças experimentem a alegria da expressão corporal e musical, promovendo não só o aprendizado, mas também o fortalecimento dos laços sociais e a autoestima.

Desdobramentos do plano:

O plano de aula sobre capoeira pode levar a diferentes desdobramentos dentro da proposta do currículo escolar. Primeiramente, as crianças podem explorar as influências de outras culturas na capoeira, como as tradições indígenas e europeias, abrindo espaço para discussões sobre como as culturas se entrelaçam na formação da identidade brasileira. Além disso, essa temática pode fomentar projetos interdisciplinares que abordem música, dança e até mesmo história, permitindo um aprendizado mais amplo e contextualizado.

Outro ponto é a possibilidade de introduzir a capoeira como uma atividade extracurriculares, promovendo aulas regulares que unam a prática física à educação cultural. As crianças que se sentirem atraídas pela prática poderão continuá-la fora do ambiente escolar, engajando-se com a comunidade local e visitando eventos de capoeira, festivais e rodas abertas.

Por fim, as experiências em aula podem inspirar os alunos a criar um projeto de valorização dessa dança-luta, onde eles poderiam desenvolver apresentações e mostras nas escolas, promovendo a capoeira e sua importância cultural e artística. Isso não só celebra a cultura brasileira, mas também incentiva o envolvimento da comunidade escolar em ações que valorizem a diversidade.

Orientações finais sobre o plano:

É fundamental que o professor esteja confortável com os elementos da capoeira que está abordando, para que a transmissão da cultura e o aprendizado sejam eficazes. Recomenda-se que se façam pesquisas prévias e discussões sobre a origem da capoeira e seus significados sociais. O professor deve estar preparado para responder a perguntas e promover um espaço seguro, onde os alunos sintam-se à vontade para compartilhar suas impressões e sentimentos.

Além disso, a abordagem deve ser adaptada ao nível de habilidade e interesse dos alunos. Isso pode incluir a utilização de vídeos de apresentações de capoeira, que podem ilustrar a prática de maneira atraente e ajudar na compreensão dos movimentos. Importante ainda é manter o foco no respeito e na valorização das habilidades individuais de cada aluno, promovendo a inclusão ao ensinar aos alunos que todos podem se expressar por meio da capoeira, não importa sua experiência ou habilidade prévia.

Por fim, a capoeira deve ser vista não apenas como uma atividade física, mas como um meio de promover o respeito à diversidade e a valorização da cultura afro-brasileira. Ao encorajar os alunos a compartilharem e celebrarem sua herança cultural, o professor pode contribuir para a construção de uma identidade coletiva mais rica e inclusiva na escola.

5 Sugestões lúdicas sobre este tema:

Sugestão 1: Criação de Máscaras de Capoeira
Objetivo: Desenvolver habilidades motoras finas e estimular a criatividade dos alunos.
Materiais: Papel colorido, giz de cera, tesoura e cola.
Modo de condução: Após a aula de capoeira, os alunos podem criar máscaras para usar durante a roda, decorando-as com elementos que representam a capoeira. Essa atividade ajuda a expressar individualidade, ao mesmo tempo em que abre discussões sobre como a capoeira é apresentada em diferentes culturas.

Sugestão 2: Contação de Histórias
Objetivo: Enriquecer o vocabulário e desenvolver habilidades de narração.
Materiais: Livros ilustrados sobre capoeira e a cultura afro-brasileira.
Modo de condução: O professor pode ler histórias que envolvem capoeira e discutir com os alunos a história e como ela se liga aos temas da aula. Isso estimula o diálogo e a apreciação pela literatura.

Sugestão 3: Jogo de Movimentos
Objetivo: Praticar os movimentos aprendidos de uma forma lúdica.
Materiais: Espaço amplo.
Modo de condução: Os alunos se organizam em um círculo, e o professor chama diferentes movimentos da capoeira. As crianças precisam replicá-los da maneira que acharem mais divertida e criativa.

Sugestão 4: Confecção de Instrumentos
Objetivo: Criar instrumentos de percussão e explorar ritmos.
Materiais: Materiais recicláveis como garrafas plásticas, grãos e fita adesiva.
Modo de condução: Em grupos, os alunos podem confeccionar seus próprios instrumentos de capoeira, discutindo os sons que eles produzem e praticando ritmos simples.

Sugestão 5: Roda da Amizade
Objetivo: Criar um ambiente de integração e respeito.
Materiais: Um círculo desenhado no chão e um objeto que simbolize o compartilhamento (por exemplo, uma bola pequena).
Modo de condução: Os alunos se sentam em círculo e, um de cada vez, passam o objeto enquanto compartilham algo que aprenderam na aula de capoeira. Essa atividade incentiva a fala e a escuta ativa, reforçando o respeito mútuo entre todos.

Dessa forma, ao desenvolver um plano de aula sobre a capoeira, não apenas introduzimos uma prática esportiva, mas também cultivamos o interesse cultural e a interação social entre os alunos, construindo uma comunidade de aprendizado respeitosa e rica em diversidade cultural.


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