“Dataficação: Impactos das Empresas de Plataforma no Brasil”

A proposta deste plano de aula é proporcionar uma análise e compreensão crítica do uso do território brasileiro por empresas de plataforma na era da dataficação. Esta abordagem é essencial para que os alunos do 1º ano do Ensino Médio possam entender as implicações socioeconômicas e culturais relacionadas a esse fenômeno contemporâneo. O objetivo é fomentar o pensamento crítico e a capacidade analítica dos estudantes, incentivando-os a refletir sobre as mudanças nas dinâmicas territoriais e sociais que surgem com a crescente digitalização.

Nesse contexto, este plano de aula visa envolver ativamente os alunos em discussões que abordem tanto aspectos teóricos quanto práticos, levando-os a investigar as transformações no uso do espaço e suas repercussões na vida cotidiana, nos direitos humanos e na qualidade de vida da população brasileira.

Tema: Empresas de plataforma e uso do território brasileiro na era da dataficação: contribuição à pesquisa.
Duração: 30 à 40 min.
Etapa: Ensino Médio
Sub-etapa: 1º Ano Médio
Faixa Etária: 18 à 45

Objetivo Geral:

Planejamentos de Aula BNCC Infantil e Fundamental

Proporcionar aos alunos uma compreensão crítica sobre a relação entre empresas de plataforma e a utilização do território brasileiro na era da dataficação, considerando a análise dos impactos sociais e econômicos dessa realidade.

Objetivos Específicos:

– Analisar o conceito de dataficação e suas consequências para o território.
– Identificar as principais empresas de plataforma operantes no Brasil e seus impactos sociais.
– Discutir as questões de direitos humanos relacionadas ao uso do território por empresas digitais.
– Promover uma reflexão coletiva sobre formas de resiliência e resistência em contextos de transformação.

Habilidades BNCC:

EM13CNT310: Investigar e analisar os efeitos de programas de infraestrutura e demais serviços básicos, identificando necessidades locais e/ou regionais.
EM13LA103: Analisar visões de mundo e ideologias presentes nos discursos veiculados nas mídias.
EM13LGG302: Posicionar-se criticamente diante de visões de mundo presentes nos discursos em diferentes linguagens.
EM13LGG303: Debater questões polêmicas de relevância social, analisando diferentes argumentos para formular e sustentar posições.
EM13CHS205: Analisar a produção de diferentes territorialidades no Brasil, com destaque para as culturas juvenis.

Materiais Necessários:

– Projetor e tela para apresentação.
– Acesso à internet para pesquisa.
– Quadro branco e marcadores.
– Textos e artigos relacionados ao tema.
– Folhas para anotações.

Situações Problema:

– Como a dataficação alterou o uso do território em áreas urbanas brasileiras?
– Quais são as implicações sociais e econômicas da atuação de empresas de plataforma na vida cotidiana das pessoas?
– De que maneira os direitos humanos estão sendo afetados pelo modelo de negócio baseado na coleta e análise de dados?

Contextualização:

Nos dias atuais, a digitalização e a coleta de dados se tornaram parte essencial das operações de muitas empresas. As empresas de plataforma, como Uber e Airbnb, transformaram não apenas os mercados em que operam, mas também o território, promovendo novas formas de uso do espaço urbano. Essa dataficação traz implicações que vão além da economia, tocando aspectos sociais, culturais e até mesmo éticos, exigindo uma análise cuidadosa e uma discussão crítica para que os alunos possam desenvolver seu entendimento sobre essas interseções.

Desenvolvimento:

O professor iniciará a aula apresentando uma breve introdução ao conceito de dataficação, utilizando slides explicativos para contextualizar a atuação das empresas de plataforma no Brasil. Em seguida, os alunos serão divididos em grupos para discutir e pesquisar casos específicos de impacto social e territorial causados por essas empresas.

Atividade 1: Introdução ao tema
Objetivo: Introduzir o conceito de dataficação e sua relação com o território.
Descrição: Apresentação de slides com conceitos e imagens ilustrativas.
Instruções: O professor fará uma introdução ao tema por cerca de 10 minutos, utilizando recursos visuais.

Atividade 2: Pesquisa em grupos
Objetivo: Analisar casos concretos de empresas de plataforma e seus impactos sociais.
Descrição: Os alunos se dividem em grupos e escolhem uma empresa de plataforma (ex.: Uber, Airbnb, etc.) para investigar sua atuação no Brasil.
Instruções: Cada grupo terá 15 minutos para reunir informações em dispositivos conectados à internet, registrando os principais impactos sociais e econômicos associados à empresa escolhida.

Atividade 3: Apresentação e debate
Objetivo: Debater os resultados das pesquisas realizadas.
Descrição: Cada grupo apresentará suas descobertas em 3 minutos.
Instruções: Após cada apresentação, o professor incentivará perguntas e discussões entre os grupos, promovendo uma troca de ideias e reflexões coletivas.

Atividades sugeridas:

1. Leitura de Artigos: Atender a proposta de leitura de um artigo acadêmico sobre dataficação e suas implicações sociais. Os alunos discutirão o conteúdo em sala.
2. Criação de Painéis: Após a pesquisa, os grupos criarão painéis explicativos sobre o impacto de sua empresa de plataforma na sociedade e no território, a ser exposto na sala.
3. Debate Morais e Éticos: Organizar um debate onde os alunos argumentem a favor e contra a presença de empresas de plataforma em determinados territórios, discutindo aspectos relacionados à ética e direitos humanos.
4. Estudo de Casos: Analisar estudos de casos reais sobre conflitos públicos em áreas afetadas pela atividade de plataformas, como eventos de gentrificação e resistência popular.
5. Reflexões Pessoais: Os alunos devem escrever um pequeno texto refletindo sobre como a dataficação e as empresas de plataforma podem afetar suas vidas e o que fazer a respeito.

Discussão em Grupo:

Os alunos discutirão em grupos sobre as seguintes questões:
– Como a presença de empresas de plataforma pode mudar a dinâmica social de uma comunidade?
– Quais são os benefícios e malefícios da utilização de tecnologias digitais na gestão do território?
– Que direitos devem ser respeitados em um contexto de dataficação?

Perguntas:

– O que você entende por dataficação?
– Quais empresas de plataforma você conhece e como elas atuam em seu cotidiano?
– Quais são os principais desafios enfrentados pelas comunidades em relação à dataficação?

Avaliação:

Os alunos serão avaliados pela participação nas atividades em grupo, pela clareza e profundidade nas apresentações e pela capacidade de articular argumentos durante as discussões. A produção escrita final também será considerada na avaliação.

Encerramento:

Ao final da aula, o professor fará um resumo dos principais pontos discutidos e ressaltará a importância de uma atuação crítica e consciente frente às mudanças provocadas pelas empresas de plataforma. Serão relembrados os desafios e oportunidades que essa nova realidade traz para os alunos.

Dicas:

Para enriquecer a discussão, o professor pode convidar um especialista (comunicólogo, sociólogo, etc.) para compartilhar suas experiências e reflexões sobre o tema. Além disso, manter um ambiente acolhedor e livre para debates é fundamental para o engajamento dos alunos.

Texto sobre o tema:

A dataficação é um conceito que se refere ao processo de transfiguração de dados em informações significativas que podem ser utilizadas para a tomada de decisões em diversas áreas, particularmente no espaço urbano. Este fenômeno tem se tornado especialmente relevante na era digital, onde empresas de plataforma como Uber, Airbnb e outras utilizam dados coletados por meio de suas operações para otimizar suas atuações e maximizar lucros. No entanto, essa mesma prática pode trazer consequências profundas nas dinâmicas territoriais, afetando a qualidade de vida das pessoas e o uso do espaço urbano.

Por exemplo, a presença de serviços como o Uber tem impactado diretamente o setor de transporte tradicional, alterando a dinâmica de ruas e avenidas, mas também suscitando conflitos com taxistas que se sentem ameaçados pela nova concorrência. Da mesma forma, o Airbnb tem contribuído para processos de gentrificação em áreas urbanas, onde o aluguel de imóveis para turistas pode resultar na elevação dos preços, forçando residentes locais a se mudarem. Assim, a forma como esses serviços operam levanta questões centrais sobre quem realmente se beneficia dessa nova economia e quais medidas precisam ser adotadas para garantir que direitos humanos e qualidade de vida não sejam comprometidos frente aos interesses corporativos.

Em última análise, a reflexão crítica sobre a dataficação nos desafia a repensar nosso papel como cidadãos digitais. Precisamos nos perguntar: como podemos garantir que nosso território seja utilizado de maneira inclusiva e justa no contexto dessa nova economia digital? Isso implica um engajamento ativo e político na defesa de direitos, a promoção da equidade social e o respeito às diversidades que compõem a sociedade brasileira contemporânea. A conscientização e o entendimento sobre o fenômeno da dataficação são cruciais para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e equitativa.

Desdobramentos do plano:

Os desdobramentos do plano de aula podem ser múltiplos e devem considerar a continuidade das discussões iniciadas em sala. Um primeiro desdobramento possível é a realização de um projeto interativo que envolva a realização de uma pesquisa mais abrangente sobre o impacto de novas tecnologias nas comunidades locais, promovendo a autonomia dos alunos na coleta de dados e análises. Além disso, a realização de debates com a comunidade escolar e até mesmo com representantes de empresas de plataforma pode enriquecer o entendimento do tema e permitir a expressão de múltiplas perspectivas.

Outra possibilidade é a realização de uma semana de estudos dedicados ao digital, onde outros temas relacionados à tecnologia e seu impacto nas relações sociais, econômicas e culturais sejam abordados. Isso pode incluir palestras, workshops e dinâmicas colaborativas que ampliem o olhar dos alunos sobre questões como privacidade, direitos digitais e cidadania na era da informação.

Por fim, é importante destacar que a reflexão em sala de aula não deve se encerrar com a aula. Os alunos devem ser incentivados a manter discussões sobre a relação entre tecnologia, sociedade e território, por meio da criação de grupos de estudo, fóruns online ou projetos que envolvam a comunidade em um diálogo contínuo sobre essas questões. A proposta é que a sala de aula se torne um espaço vivo de reflexão e compartilhamento sobre a realidade contemporânea, onde as vozes dos alunos sejam ouvidas e valorizadas.

Orientações finais sobre o plano:

Na aplicação desse plano de aula, o professor deve estar atento às dinâmicas de grupo e promover um ambiente inclusivo e respeitoso, onde todos os alunos se sintam confortáveis para expressar suas opiniões e experiências. A diversidade de vozes deve ser valorizada, permitindo que cada aluno traga suas perspectivas e vivências para a discussão.

Além disso, o professor deve considerar a criação de regras de participação que assegurem que todos possam contribuir sem medo de julgamentos ou interrupções. Isso é fundamental para a construção de um ambiente de aprendizado colaborativo e significativo.

Finalmente, é crucial que o professor esteja preparado para orientar os alunos em suas pesquisas, fornecendo recursos adicionais e direcionando-os para fontes confiáveis de informação. À medida que os alunos se envolvem com o conteúdo, o papel do professor deve se transformar, agindo mais como um facilitador do debate crítico do que um mero transmissor de informações. Essa abordagem colaborativa enriquecerá as aprendizagens e ajudará a cultivar habilidades críticas essenciais para a formação desses jovens cidadãos.

5 Sugestões lúdicas sobre este tema:

1. Jogo de Simulação de Cidade Digital: Promover um jogo onde os alunos assumem papéis como gestores de plataformas digitais, cidadãos e ativistas, discutindo a implementação de serviços de plataforma em uma cidade fictícia. O objetivo é compreender os impactos de suas decisões no território e nos direitos dos cidadãos.

2. Tapeçaria de Narrativas: Criar um mural onde os alunos são convidados a colar recortes de revistas, imagens e textos que representem suas percepções sobre a dataficação e suas implicações, gerando uma expressão visual coletiva do tema.

3. Teatro do Oprimido: Utilizar a técnica do teatro do oprimido para encenar situações que envolvem conflitos gerados pela presença de empresas de plataforma nas comunidades, permitindo que os alunos explorem soluções alternativas em uma representação criativa e colaborativa.

4. Linha do Tempo Digital: Os alunos criarão uma linha do tempo interativa utilizando ferramentas digitais, onde marcam eventos significativos que unem a dataficação e a evolução das empresas de plataforma no Brasil, refletindo sobre como esses momentos afetam a vida cotidiana.

5. Quiz Interativo: Criar um quiz online que desafie os alunos a responder perguntas sobre os conceitos abordados na aula, com diferentes níveis de dificuldade, promovendo a revisão dos conteúdos de forma lúdica e engajadora.

Com estas informações, os alunos poderão desenvolver um entendimento mais profundo sobre o impacto das empresas de plataforma no território brasileiro, promovendo uma reflexão crítica e ativa sobre a sociedade contemporânea.


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