“Brincadeira Lúdica: Guerreiros Nagô na Educação Infantil”
A proposta deste plano de aula visa adaptar a clássica brincadeira “Escravos de Jó” para uma nova temática, intitulada “Guerreiros Nagô”, trazendo uma abordagem cultural e lúdica que respeita as diferenças e promove a interação entre os pequenos. A brincadeira será uma oportunidade de desenvolver diversas habilidades motoras, além de incentivar o cuidado e a solidariedade entre as crianças, enfatizando os valores da cultura Nagô.
As atividades foram cuidadosamente elaboradas considerando a faixa etária de 2 a 3 anos, para que sejam acessíveis e engajadoras. É fundamental que as crianças se sintam confortáveis e desfrutem do processo de aprendizado por meio da ludicidade, desenvolvendo, assim, uma imagem positiva de si e aprendendo a respeitar as interações sociais desde cedo.
Tema: Guerreiros Nagô
Duração: 50 minutos
Etapa: Educação Infantil
Sub-etapa: Crianças Bem Pequenas
Faixa Etária: 2 a 3 anos
Objetivo Geral:
Proporcionar uma experiência lúdica e cultural através da adaptação da brincadeira “Escravos de Jó” para “Guerreiros Nagô”, promovendo a interação, o respeito às diferenças e o desenvolvimento de habilidades motoras nas crianças.
Objetivos Específicos:
– Desenvolver a expressão corporal e o controle motor por meio de movimentos e gestos.
– Fomentar o cuidado e a solidariedade entre os alunos durante a atividade.
– Incentivar a comunicação e a interação entre as crianças, promovendo o respeito à diversidade.
Habilidades BNCC:
– CAMPO DE EXPERIÊNCIAS “O EU, O OUTRO E O NÓS”
(EI02EO01) Demonstrar atitudes de cuidado e solidariedade na interação com crianças e adultos.
(EI02EO02) Demonstrar imagem positiva de si e confiança em sua capacidade para enfrentar dificuldades e desafios.
(EI02EO03) Compartilhar os objetos e os espaços com crianças da mesma faixa etária e adultos.
– CAMPO DE EXPERIÊNCIAS “CORPO, GESTOS E MOVIMENTOS”
(EI02CG01) Apropriar-se de gestos e movimentos de sua cultura no cuidado de si e nos jogos e brincadeiras.
(EI02CG02) Deslocar seu corpo no espaço, orientando-se por noções como em frente, atrás, no alto, embaixo, dentro, fora etc., ao se envolver em brincadeiras e atividades de diferentes naturezas.
– CAMPO DE EXPERIÊNCIAS “ESCUTA, FALA, PENSAMENTO E IMAGINAÇÃO”
(EI02EF01) Dialogar com crianças e adultos, expressando seus desejos, necessidades, sentimentos e opiniões.
Materiais Necessários:
– Tecido colorido ou lenços em cores variadas (preferencialmente as cores da bandeira Nagô)
– Caixas ou tampas de papelão (para delimitar o espaço da brincadeira)
– Cartazes com ilustrações de guerreiros Nagô e elementos culturais da tradição Nagô
– Música (pode ser uma canção tradicional ou uma adaptação de sons de tambores)
Situações Problema:
1. Como podemos nos mover como guerreiros?
2. O que podemos fazer para ajudar nosso amigo durante a brincadeira?
3. Quais as diferenças entre nós e os guerreiros que estamos imitando?
Contextualização:
Através da música e do movimento, as crianças serão apresentadas a elementos da cultura Nagô. A brincadeira estimulará a coragem e a confiança, utilizando os guerreiros como protagonistas de histórias que promovem esses valores. Essa abordagem propicia um espaço seguro onde é permitido explorar a identidade e as relações sociais.
Desenvolvimento:
O desenvolvimento da aula ocorrerá em três etapas principais:
1. Apresentação da Brincadeira (10 minutos): Apresentar as crianças à nova brincadeira, explicando que elas irão se transformar em guerreiros Nagô. Mostrar os materiais, como os lenços em cores, e permitir que explorem o espaço.
2. Movimentação em Grupo (20 minutos): Organizar o espaço delimitando áreas com as caixas ou tampas. Incentivar as crianças a se movimentarem livres, imitando ações de guerreiros (como andar firme, fazer pose de força, danças leves) enquanto a música toca ao fundo.
3. Roda de Conversa (15 minutos): Após a atividade, trazer as crianças para uma roda e perguntar sobre como se sentiram na brincadeira. Que sentimentos puderam expressar? O que aprenderam sobre serem guerreiros?
Atividades sugeridas:
1. Aperfeiçoamento das habilidades motoras
– Objetivo: Incentivar o controle motor e a expressão corporal.
– Descrição: Propor movimentos de guerreiros, como pular, dançar e rodopiar, com músicas tradicionais.
– Instruções práticas: Tocar uma música e conduzir a atividade, pedindo que imitem os gestos de guerreiros, como levantar os braços, mover as pernas, etc.
– Materiais: Música, lenços coloridos.
– Adaptação: Para crianças com dificuldades motoras, oferecer apoio e envolvimento durante a movimentação.
2. Criação de um espaço imaginário
– Objetivo: Desenvolver a imaginação e a interação.
– Descrição: Criar em conjunto com as crianças um “campo de batalha” onde elas podem interagir como guerreiros.
– Instruções práticas: Pedir que façam as caixas ou tampas de papelão parte de um cenário, como um castelo ou uma floresta.
– Materiais: Caixas, tecidos coloridos.
– Adaptação: Crianças que preferem manipular objetos podem se envolver na construção dos espaços.
3. Brincadeira de imitação facial
– Objetivo: Explorar expressões faciais e comunicação não-verbal.
– Descrição: Fazer uma roda onde as crianças imitam expressões de guerreiros e conversam sobre o que sentem.
– Instruções práticas: O educador inicia com uma expressão facial, e as crianças devem imitar, explicando a emoção que cada expressão representa.
– Materiais: Nenhum material específico é necessário.
– Adaptação: Para crianças tímidas, dar a opção de expressar-se com um objeto que represente uma emoção.
Discussão em Grupo:
Durante a discussão, explore com as crianças o que elas entenderam sobre a cultura Nagô e a importância dos guerreiros. Perceba se elas conseguem associar os valores discutidos às próprias experiências e sentimentos. É importante criar um ambiente de confiança onde as crianças se sintam confortáveis para se expressar.
Perguntas:
1. O que você acha que é ser um guerreiro?
2. Como você ajudou seu amigo durante a brincadeira?
3. Quais foram os movimentos que você mais gostou de fazer?
Avaliação:
A avaliação será contínua e observará o engajamento das crianças nas atividades, bem como a desenvoltura nas interações durante a roda de conversa. A participação ativa e a expressão de sentimentos também serão indicadores importantes para avaliar o alcance dos objetivos propostos.
Encerramento:
Finalizar a aula reforçando a importância do respeito às diferenças e como todos têm algo a ensinar. Agradecer a participação de cada um e reforçar os sentimentos vividos na brincadeira, valorizar a cultura Nagô e criar uma conexão emocional que estimulará novas práticas inclusivas.
Dicas:
– Busque sempre adaptar os movimentos e jogos para que todas as crianças possam participar, considerando suas diferentes habilidades e interesses.
– É interessante introduzir elementos da história cultural da comunidade para que as crianças possam se sentir ainda mais conectadas ao tema.
– Avalie o ambiente em que será realizada a aula para garantir a segurança e o conforto durante as atividades propostas.
Texto sobre o tema:
A cultura Nagô é rica e diversificada, proveniente dos povos africanos que trouxeram suas tradições e saberes ao Brasil. Os guerreiros Nagô, conhecidos por sua bravura e sabedoria, desempenham um papel fundamental na construção das identidades afro-brasileiras. Ao explorar essa cultura, as crianças têm a oportunidade de vivenciar valores como coragem, solidariedade e respeito.
A brincadeira “Guerreiros Nagô”, inspirada em “Escravos de Jó”, proporciona um momento lúdico onde as crianças podem expressar suas emoções e melhorar suas habilidades motoras. Ao se transformarem em guerreiros, elas não compreendem apenas os movimentos, mas aprendem coletivamente a trabalhar em equipe, respeitando as diferenças.
A utilização de elementos culturais enriquece a experiência e promove um aprendizado ativo, onde as crianças se tornam protagonistas de suas histórias e desenvolvem um olhar mais cuidadoso sobre as diversidades presentes no mundo ao seu redor. Esta proposta não só diverte, mas também educa, contribuindo de forma significativa para o crescimento social e emocional dos pequenos.
Desdobramentos do plano:
A continuidade do trabalho pode ser feita através de outras atividades que façam referência à cultura Nagô. Assim, os pequenos podem explorar mais sobre os costumes, a gastronomia e as celebrações dessa herança cultural. É importante que os educadores busquem sempre integrar a cultura local nas atividades diárias, possibilitando que os alunos ampliem a compreensão sobre o mundo e a diversidade.
Outro desdobramento interessante poderia ser a realização de uma apresentação para os pais, onde as crianças teriam a oportunidade de mostrar os movimentos que aprenderam e as histórias que foram contadas. Essa interação não só valoriza a aprendizagem, mas também aproxima família e escola.
Além de atividades práticas envolvendo dança e música, a história dos guerreiros Nagô pode ser contada em forma de narrativa ou teatro, permitindo que as crianças explorem mais a emoção e a mensagem por trás das histórias. Por meio da oralidade e do lúdico, o conhecimento é ampliado, conectando a diversão ao aprendizado.
Orientações finais sobre o plano:
Sugerimos que o professor esteja sempre atento às reações e ao nível de interesse dos alunos durante a execução das atividades. Se perceber que algo não está funcionando, não hesite em fazer adaptações para que todos se sintam confortáveis e engajados. O aprendizado deve ser uma experiência agradável e acessível a todos.
É vital que se faça um acompanhamento próximo nas interações entre as crianças, promovendo a inclusão e a participação de cada uma delas nas atividades propostas. Incentivar dialogar entre os pequenos sobre o que sentiram e aprenderam proporciona uma reflexão importante sobre as relações sociais desde a primeira infância.
Por fim, lembrando que a cultura afro-brasileira é vasta e cheia de ensinamentos, cabe ao educador buscar trazer cada vez mais esclarecimento e respeito para que as crianças possam, desde pequenas, construir uma sociedade mais justa e diversa. O lúdico é uma ferramenta poderosa na educação, e integrar as brincadeiras tradicionais à formação cultural é um caminho valioso de aprendizado para as futuras gerações.
5 Sugestões lúdicas sobre este tema:
1. Dança dos Guerreiros: Coloque músicas tradicionais e incentive as crianças a dançar como guerreiros, imitando os movimentos de suas danças. Objetivo: desenvolver a expressão corporal. Materiais: música e espaço livre.
2. Contação de Histórias Animadas: Use fantoches ou objetos para contar uma história sobre guerreiros Nagô, intercalando com perguntas sobre os sentimentos dos personagens. Objetivo: promover a imaginação. Materiais: fantoches, livros ilustrados.
3. Caça ao Tesouro Cultural: Esconder objetos relacionados à cultura Nagô pelo espaço e pedir que as crianças os encontrem, explicando seu significado após serem encontrados. Objetivo: promover a curiosidade e o conhecimento cultural. Materiais: objetos e espaço delimitado.
4. Ateliê de Artes: Propor que as crianças desenhem ou pintem seus guerreiros Nagô, estimulando a criatividade e expressão artística. Objetivo: explorar formas e cores. Materiais: papel, tinta, pincéis, lápis de cor.
5. Jogo do Silêncio Guerreiro: Brincadeira onde as crianças devem imitar guerrreiros permanecendo em silêncio e parados como estátuas. Objetivo: desenvolver concentração e controle motor. Materiais: espaço livre.

