“Descolonização do Saber: Valorizando Culturas Afro-Brasileiras e Indígenas”

A proposta deste plano de aula é criar um ambiente educativo que promova a descolonização do saber, enfatizando a valorização dos saberes e conhecimentos afro-brasileiros e indígenas em um contexto que dialogue com a Consciência Negra. Este plano foca na análise do racismo e suas manifestações na sociedade brasileira, além de discutir a Lei 10.639/03, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas. A intenção é não apenas informar, mas também sensibilizar os alunos sobre questões de preconceito racial e a importância do respeito e igualdade, promovendo uma reflexão crítica que incentive a empatia e a ação efetiva dentro da comunidade escolar.

A aula se destina a um público de 13 anos, no 8º ano do Ensino Fundamental, e será estruturada em uma oficina interativa de 50 minutos. Essa oficina permitirá que os alunos se apropriem dos conteúdos de forma dinâmica e engajadora, facilitando a construção do conhecimento sobre as realidades e as lutas dos povos afro-brasileiros e indígenas.

Tema: Descolonização do saber: valorização dos saberes e conhecimentos afro-brasileiros e indígenas – Consciência Negra
Duração: 50 minutos
Etapa: Ensino Fundamental 2
Sub-etapa: 8º Ano
Faixa Etária: 13 anos

Objetivo Geral:

Planejamentos de Aula BNCC Infantil e Fundamental

Promover a reflexão crítica sobre a persistência do racismo e do preconceito na sociedade brasileira, enfatizando a importância dos saberes afro-brasileiros e indígenas, e estimulando os alunos a agir em prol do respeito e da igualdade.

Objetivos Específicos:

– Analisar as manifestações do racismo, incluindo o racismo estrutural e institucional, nas diversas áreas da vida social.
– Compreender a relevância da Lei 10.639/03, observando como ela contribui para a valorização da história e cultura afro-brasileira.
– Promover a empatia e a desconstrução de estereótipos e preconceitos raciais.
– Incentivar os alunos a propor e realizar ações que promovam o respeito à diversidade e o combate ao racismo na escola e na comunidade.

Habilidades BNCC:

(EF08HI14) Discutir a noção da tutela dos grupos indígenas e a participação dos negros na sociedade brasileira do final do período colonial, identificando permanências na forma de preconceitos, estereótipos e violências sobre as populações indígenas e negras no Brasil e nas Américas.
(EF08HI20) Identificar e analisar os legados da escravidão no Brasil e discutir a importância de ações afirmativas.
(EF89LP03) Produzir artigos de opinião, tendo em vista o contexto de produção dado, a defesa de um ponto de vista.
(EF89LP12) Planejar coletivamente a realização de um debate sobre tema previamente definido, de interesse coletivo.

Materiais Necessários:

– Papes pardo para escrita
– Canetas, marcadores e lápis de cor
– Projetor multimídia e computador
– Acesso à internet para pesquisa
– Excertos da Lei 10.639/03
– Textos sobre cultura afro-brasileira e indígena

Situações Problema:

1. Como a cultura afro-brasileira e indígena é representada na escola e na mídia?
2. Quais são os efeitos do racismo institucional na vida das pessoas?
3. O que nós, como estudantes, podemos fazer para combater o racismo e promover a igualdade?

Contextualização:

A desigualdade racial é um problema crônico no Brasil, refletindo a herança colonial e escravagista que ainda permeia as instituições e a sociedade. Para sanar esse problema, a Lei 10.639/03 tornou-se um marco, ao incluir a história e cultura afro-brasileira e africana na educação. Essa aula busca não só abordar esses temas de forma informativa, mas também promover um ambiente de empatia e ação.

Desenvolvimento:

A atividade iniciará com uma breve apresentação sobre o racismo no Brasil, seguida da leitura coletiva de excertos da Lei 10.639/03. Em seguida, será promovida uma dinâmica em grupo onde os alunos farão uma representação de um cenário em sua escola que retrate a diversidade ou a falta dela. Isso será seguido de uma roda de conversa para discutir a importância dos saberes afro-brasileiros e indígenas, fomentando reflexões sobre a necessidade de desconstrução de preconceitos.

Atividades sugeridas:

Dia 1 – Introdução ao Tema
*Objetivo*: Apresentar o tema da descolonização do saber.
*Descrição*: Realizar uma roda de conversa inicial, introduzindo o conceito de racismo estrutural e seu impacto na sociedade.
*Instruções*: Os alunos devem compartilhar experiências pessoais sobre preconceito, caso desejem, e debater sobre a importância da cultura afro-brasileira e indígena.
*Materiais*: Quadro branco, canetas, e espaço para a roda de conversa.

Dia 2 – Leitura e Análise da Lei 10.639/03
*Objetivo*: Compreender a relevância da Lei.
*Descrição*: Leitura em grupos da Lei 10.639/03. Cada grupo irá apresentar um resumo das partes que consideraram mais relevantes.
*Instruções*: Os alunos devem discutir em grupos de cinco, anotando pontos importantes e elaborar uma conclusão.
*Materiais*: Cópias da Lei, papel, canetas.

Dia 3 – Dinâmica da Empatia
*Objetivo*: Promover a empatia e desconstruir estereótipos.
*Descrição*: Usar a técnica do “barco furado”, onde os alunos compartilharão estereótipos que ouviram sobre afro-brasileiros e indígenas.
*Instruções*: A cada estereótipo mencionado, devem explicar por que ele é prejudicial.
*Materiais*: Papel pardo e tesouras para criar o barco.

Dia 4 – Criação de Campanhas de Conscientização
*Objetivo*: Incentivar a ação.
*Descrição*: Os alunos irão criar campanhas de conscientização sobre as desigualdades raciais para expor na escola.
*Instruções*: Em grupos, devem elaborar cartazes, frases e slogans que promovam o respeito à diversidade.
*Materiais*: Papéis, canetas, recursos visuais para o cartaz.

Dia 5 – Apresentação das Campanhas
*Objetivo*: Compartilhar e debater ideias.
*Descrição*: Os grupos apresentarão suas campanhas para o restante da turma e discutirão os feedbacks.
*Instruções*: Os grupos têm 5 minutos para apresentar e depois abrir a palavra para perguntas.
*Materiais*: Apresentações visuais, slides se necessário.

Discussão em Grupo:

A roda de conversa será um momento crucial onde todos serão encorajados a compartilhar suas opiniões e experiências sobre racismo, preconceito e as representações da cultura afro-brasileira e indígena.

Perguntas:

– Como você se sente em relação às representações culturais afro-brasileiras na sua escola?
– Quais são as formas de racismo que você observa no seu dia a dia?
– Que ações você acredita que podem ser tomadas para promover a igualdade?

Avaliação:

A avaliação se dará durante a participação nas atividades em grupo e no engajamento nas discussões. A capacidade de apresentar suas ideias e a compreensão dos conceitos abordados ao longo da aula também será considerada.

Encerramento:

Ao final da aula, os alunos serão convidados a refletir sobre o que aprenderam e como podem aplicar esses conhecimentos no seu cotidiano. Uma última dinâmica de feedback será realizada para avaliar a eficácia da oficina.

Dicas:

– Use sempre a linguagem inclusiva durante a conversa com os alunos.
– Incentive todos os alunos a participar, respeitando sempre o ritmo de cada um.
– Proporcione um ambiente acolhedor onde os alunos sintam que podem se expressar sem medo.

Texto sobre o tema:

A descolonização do saber se torna uma necessidade premente em uma sociedade que historicamente marginalizou saberes e culturas diversas, especialmente as dos povos afro-brasileiros e indígenas. A Consciência Negra, celebrada em 20 de novembro, é um momento de reflexão e valorização dessas culturas que, apesar de sua rica herança, muitas vezes enfrentam a invisibilidade nas narrativas escolares.

Os saberes afro-brasileiros, que se manifestam não apenas na música e dança, mas também na culinária, na arte e na literatura, têm muito a ensinar. A influência das culturas africanas é profunda e permeia as tradições e modos de vida brasileiros. Por outra perspectiva, a luta dos povos indígenas é histórica e sua resistência deve ser reconhecida e celebrada. A educação inclusiva que abrange a história e a cultura desses povos é uma ferramenta poderosa para a promoção da igualdade e a desconstrução do preconceito.

Muitas vezes, a representação desses saberes na mídia e nas escolas é superficial, ignorando a complexidade das experiências e contribuições destes povos à sociedade brasileira. O fortalecimento da identidade cultural e a luta contra todas as formas de discriminação se tornam fundamentais, considerando que o Brasil ainda lida com os efeitos desastrosos da colonialidade e da escravidão. Assim, ao discutirmos a Lei 10.639/03, reconhecemos a importância do ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas, promovendo não apenas um ensino mais completo, mas também um espaço de reflexão e empatia para as novas gerações.

Desdobramentos do plano:

Este plano pode ser ampliado com o desenvolvimento de outras oficinas temáticas, como: discussões sobre a literatura afro-brasileira contemporânea, a música como forma de resistência cultural, ou até mesmo a culinária típica como uma forma de expressar e preservar identidades culturais. Essas atividades interligam a cultura afro-brasileira com o cotidiano dos alunos, mostrando que essa rica herança não é somente uma parte do passado, mas também uma parte viva da sociedade hoje.

Outra possibilidade é a criação de um projeto contínuo que envolva a escola e a comunidade, como feiras culturais que celebrem a diversidade, atraindo pessoas de todas as idades e promovendo um verdadeiro intercâmbio cultural. Isso pode ser uma resposta prática e acessível ao chamado para um engajamento social ativo e consciente.

Por fim, as ações propostas podem resultar em um verdadeiro programa de redução do racismo na escola e na comunidade mais ampla, através de parcerias com organizações sociais que atuam na defesa e promoção da igualdade racial, construindo um novo espaço de aprendizagem e desenvolvimento crítico para todos.

Orientações finais sobre o plano:

É fundamental que o professor esteja preparado para lidar com situações emocionais que possam surgir durante as discussões sobre racismo e preconceito. Crie um ambiente seguro onde os alunos se sintam livres para se expressar e garantir que, se necessário, conduzam as conversas com sensibilidade e respeito.

Muito além da mera transmissão de conteúdos, o objetivo deste plano de aula é a construção de um espaço de diálogo e inclusão. Por isso, a prática da escuta ativa é crucial; ao ouvir os alunos, o professor não apenas valoriza suas experiências, mas também enriquece o aprendizado coletivo.

Além disso, procure sempre integrar as vozes de representantes afro-brasileiros e indígenas em discussões e atividades. Convidar palestrantes ou realizar visitas virtuais em comunidades que promovem a cultura afro-brasileira e indígena pode fortalecer ainda mais essa abordagem, conectando teoria e prática em um aprendizado que seja significativo e transformador.

5 Sugestões lúdicas sobre este tema:

1. Teatro de Fantoches: Crie fantoches que representem figuras históricas da cultura afro-brasileira e indígena. Os alunos poderão encenar cenas importantes, promovendo uma reflexão lúdica sobre as histórias e tradições.
– *Objetivo*: Aprender sobre a importância dos personagens na cultura.
– *Materiais*: Meias, cartolina, canetas e tesouras.

2. Culinária Cultural: Organizem um dia de culinária onde os alunos podem cozinhar pratos tradicionais afro-brasileiros e indígenas, aprendendo sobre a história de cada prato e de suas origens.
– *Objetivo*: Fortalecer a identificação cultural.
– *Materiais*: Ingredientes para as receitas, utensílios de cozinha.

3. Criação de Mural da Diversidade: Um mural colaborativo onde os alunos trazem imagens e informações sobre diferentes culturas.
– *Objetivo*: Celebrar a diversidade cultural.
– *Materiais*: Papel grande, tintas, colas, revistas, tesouras.

4. Contação de Histórias: Convidar um contador de histórias que tenha experiências e conhecimentos sobre culturas afro-brasileiras e indígenas. Isso pode ser uma atividade interativa onde os alunos podem fazer perguntas.
– *Objetivo*: Apoiar o aprendizado ativo e envolvente.
– *Materiais*: Um espaço adequado para a contação de histórias.

5. Jogo de Cartas da Diversidade: Criar um jogo de cartas onde os alunos possam aprender sobre personalidades afro-brasileiras e indígenas, suas contribuições e histórias de vida.
– *Objetivo*: Estimular o conhecimento de forma lúdica.
– *Materiais*: Cartas em branco, caneta e informações sobre personalidades.

O uso destas atividades oferece aos alunos uma forma de interação dinâmica que complementa as discussões e temas abordados na sala de aula, garantindo que o aprendizado seja não apenas acadêmico, mas também vivencial. As propostas visam entender a importância da riqueza cultural afro-brasileira e indígena, reforçando seu respeito e valorização na sociedade.


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