“Gramática Plural: Valorizando a Diversidade Linguística”
A proposta deste plano de aula é desenvolver um entendimento mais amplo sobre a gramática, abordando temas não convencionais e buscando desconstruir estigmas comuns que envolvem a língua portuguesa. Esta aula se insere em um contexto de valorização da diversidade linguística, promovendo reflexões sobre a pluralidade da linguagem e sua representação na sociedade contemporânea. A ideia é que os alunos vejam a gramática não apenas como um conjunto de regras rígidas, mas como um sistema vivo e em constante evolução que reflete as nuances da cultura e da identidade de um povo.
O plano procura explorar de maneira crítica as diferentes formas de utilização da língua, reconhecendo a importância das variantes linguísticas e incentivando os alunos a apreciarem a riqueza dessa diversidade. A necessidade de um olhar mais inclusivo e plural sobre a gramática é o cerne desta atividade, buscando proporcionar aos estudantes uma oportunidade de desenvolverem uma visão mais crítica e menos conservadora sobre a língua portuguesa e seus usos.
Tema: Gramática (de uma forma mais plural e não conservadora)
Duração: 50 minutos
Etapa: Ensino Fundamental 2
Sub-etapa: 8º Ano
Faixa Etária: 11 anos
Objetivo Geral:
Promover uma compreensão crítica e plural da gramática, desmistificando conceitos rígidos e abordando a gramática como uma expressão cultural dinâmica e diversificada.
Objetivos Específicos:
– Discutir a importância da diversidade linguística na construção da identidade cultural.
– Analisar diferentes variantes linguísticas e suas contribuições para a riqueza da língua portuguesa.
– Reconhecer e discutir os preconceitos associados ao uso de variantes da língua portuguesa.
Habilidades BNCC:
– (EF08LP04) Utilizar, ao produzir texto, conhecimentos linguísticos e gramaticais: ortografia, regências e concordâncias nominal e verbal, modos e tempos verbais, pontuação etc.
– (EF08LP16) Explicar os efeitos de sentido do uso, em textos, de estratégias de modalização e argumentatividade (sinais de pontuação, adjetivos, substantivos, expressões de grau, verbos e perífrases verbais, advérbios etc.).
– (EF08LP09) Interpretar efeitos de sentido de modificadores (adjuntos adnominais – artigos definido ou indefinido, adjetivos, expressões adjetivas) em substantivos com função de sujeito ou de complemento verbal, usando-os para enriquecer seus próprios textos.
Materiais Necessários:
– Quadro e giz ou projetor multimídia.
– Textos de diferentes variantes da língua portuguesa (jornais, revistas, contos, poemas, material digital).
– Fichas com perguntas para debate.
– Material para escrita (papel, canetas, post-its).
Situações Problema:
– Compreensão de como a gramática varia em diferentes contextos e grupos sociais.
– Discussão sobre preconceitos linguísticos e suas consequências na comunicação e na construção identitária.
Contextualização:
A gramática é frequentemente vista como um conjunto de normas a serem seguidas. No entanto, a língua é algo vivo, em constante mutação e adaptação. Nas últimas décadas, a discussão sobre as variantes linguísticas ganhou destaque, e o reconhecimento da pluralidade da língua portuguesa é fundamental para entender sua riqueza. O foco recai sobre como a língua reflete e constrói identidades, além de comentar sobre a ação discriminatória que a rigidez gramatical pode causar.
Desenvolvimento:
1. Introdução ao Tema (10 minutos):
– Apresentação do tema “Gramática Plural”.
– Levantar perguntas iniciais: “O que é gramática para você?” e “Vocês conhecem variantes da língua portuguesa?”
2. Discussão sobre Diversidade Linguística (20 minutos):
– Análise de distintos textos (poemas em variações dialetais, letras de música, contos de escritores de diferentes regiões).
– Formar grupos para discutir as características dos textos e seus contextos socioculturais.
– Cada grupo apresenta os pontos principais. Os alunos devem ser incentivados a fazer conexões entre a gramática e suas realidades.
3. Atividade Prática (15 minutos):
– Criar um texto coletivo que utilize um dialeto ou variante excluídos frequentemente dos contextos formais, como uma crônica ou letra de música.
– Reunião das ideias, revisão e apresentação para a turma.
4. Debate e Reflexão (5 minutos):
– Perguntas orientadoras sobre o que aprenderam e reflexões sobre preconceito linguístico.
Atividades sugeridas:
Segunda-feira: Introdução ao conceito de gramática. Atividade de apreensão sobre diversidade linguística. Leitura e discussão de textos em variantes focais.
Terça-feira: Apresentação de casos de discriminação linguística. Discussão em grupos sobre experiências pessoais relativas a preconceitos enfrentados.
Quarta-feira: Produção de textos em variantes linguísticas. Cada grupo deve criar um folheto ou cartaz destacando como uma variante da língua é utilizada no dia a dia.
Quinta-feira: Apresentação dos produtos criados pelos grupos. Encorajar a interação entre eles, discutindo as mensagens.
Sexta-feira: Reflexão final e fechamento sobre o que aprenderam durante a semana. O que é necessário para respeitar e valorizar as diferentes formas de falar?
Discussão em Grupo:
Quais as principais barreiras para a aceitação de variantes da língua portuguesa? O que podemos fazer para mudar a forma como a gramática é diretrizes na mente das pessoas?
Perguntas:
– Como você se sente quando ouve sua forma de falar ser corrigida ou menosprezada?
– Por que é importante reconhecer e valorizar as diversas variantes da língua portuguesa?
Avaliação:
Avaliação será feita a partir da participação dos alunos nas discussões, na qualidade das produções textuais e na capacidade de reflexão crítica sobre o preconceito linguístico.
Encerramento:
Reforçar a ideia de que todas as formas de linguagem têm seu valor. Importante é a comunicação e o respeito pela diversidade.
Dicas:
– Estimular que os alunos tragam materiais de casa que ilustrem e façam referência à diversidade linguística.
– Criar um mural na escola que valorize as diferentes variantes linguísticas do Brasil.
Texto sobre o tema:
A gramática é muitas vezes percebida como um campo restritivo, cercado por regras e normas inflexíveis que parecem limitar, em vez de expandir a linguagem e a comunicação. Contudo, um exame mais cuidadoso e moderno dos conceitos gramaticais revela que a língua portuguesa é, na verdade, um organismo em constante evolução, refletindo os contextos sociais, culturais, políticos e econômicos que a temperam. Um dos aspectos mais belos e intrigantes da língua é a sua capacidade de adaptação e transformação, permitindo que diversos grupos se expressem de maneira única, em consonância com suas realidades. Durante muito tempo, variantes dialetais, gírias e modos de fala foram relegados ao esquecimento ou à marginalização, perdendo espaço em cenários de prestígio associado à norma culta e ao discurso formal.
Nos dias atuais, reconhece-se que essa maneira de ver a gramática é não só redutiva, mas também injusta. Linguistas e educadores têm trabalhado ativamente para desafiar a ideia de que uma forma de falar é superior à outra, advogando por uma abordagem de ensino que valorize a pluralidade da gramática. Através disso, cada variante deixa de ser vista como um impedimento para se comunicar com clareza e se transforma numa ponte que conecta culturas, histórias e identidades. Isso também nos ajuda a refletir sobre a questão da identidade nacional, onde a língua se torna um símbolo não apenas de pertencimento, mas também de diferença, uma janela pela qual podemos entender a complexidade que compõe nosso Brasil. A valorização da diversidade linguística não se limita apenas ao campo acadêmico; trata-se também de um compromisso ético com a dignidade e a voz de todos os falantes.
Desdobramentos do plano:
Esse plano de aula pode gerar uma série de desdobramentos significativos e enriquecedores. Em primeiro lugar, a exposição a diferentes variantes linguísticas pode levar os alunos a explorarem mais profundamente a literatura nacional, descobrindo novos autores e estilos que utilizam essas formas de expressão em suas obras. Além disso, esse trabalho pode estimular um novo olhar para a análise textual em conteúdo de mídias, como músicas e poemas, levando os alunos a perceberem as nuances da linguagem na música popular, por exemplo.
Por outro lado, ao permitir que os alunos expressem suas próprias vozes através de variantes menos reconhecidas ou formalmente aprovadas, eles não apenas afirmam suas identidades culturais, mas também contribuem para uma maior conscientização sobre o impacto do preconceito linguístico nas suas vidas. Com o desenvolvimento de discussões sobre o tema e a entrega de um projeto criativo ao final, o resultado pode ser um ambiente de aprendizagem mais colaborativo e inclusivo, onde os alunos sentem que têm um espaço para se expressar verdadeiramente.
Por fim, os efeitos desta abordagem vão além da sala de aula. Profundamente enraizada no compromisso de apreciar a diversidade, essa prática pode ajudar a estabelecer um padrão na cultura escolar onde a inclusão linguística se torna um valor fundamental. Com isso, se promove um ambiente educacional onde as câmaras de eco do preconceito são desmanteladas e as vozes são valorizadas, fortalecendo o compromisso social dos alunos e suas capacidades críticas em relação aos assuntos que afetam sua identidade e seu ambiente.
Orientações finais sobre o plano:
É importante que o professor esteja preparado para lidar com a diversidade de vozes que surgirá durante as discussões. Escutar ativamente e reconhecer as experiências únicas de cada aluno pode fortalecer os vínculos dentro da sala de aula, transformando o espaço em um ambiente seguro e acolhedor. Este plano deve ser visto como um convite à reflexão e à escuta, onde cada voz é valorizada e respeitada.
Além disso, o acompanhamento contínuo é vital. O professor pode considerar a criação de um projeto contínuo ao longo do semestre, onde os alunos contribuam com textos de diferentes variedades da língua portuguesa e elaborem uma antologia da diversidade linguística, por exemplo. Isso não só reforça o aprendizado, como também o materializa de maneira concreta, permitindo que os alunos vejam a aplicação prática do que foi discutido.
Por fim, promover uma aproximação entre a teoria e a prática é essencial para o sucesso deste plano de aula. Os alunos devem ser incentivados a trazer suas experiências, textos e referências culturais, para captar a pluralidade que a língua portuguesa apresenta. Assim, o aprendizado será mais significativo e ligado às realidades vividas por cada um deles.
5 Sugestões lúdicas sobre este tema:
1. Jogo da Memória Linguística: Criar um jogo da memória com pares formados por frases em português padrão e suas variantes regionais. O objetivo é relacionar corretamente os pares e reconhecer as nuances das variantes na comunicação.
2. Teatro de Fantoches: Os alunos podem desenvolver uma peça de teatro utilizando diferentes variantes da língua. As falas devem ser adaptadas de acordo com o personagem, ajudando a aperfeiçoar a interpretação e a consciência da diversidade.
3. Caça ao Tesouro Linguístico: Organizar uma atividade em que alunos deverão encontrar exemplos de uso de diferentes gramáticas em livros, músicas e filmes, coletando exemplos que os representem.
4. Teatro Improvisado: Uma atividade de teatro onde os alunos improvisam diálogos em variantes diferentes, promovendo a interação e a criatividade ao mesmo tempo que exploram as particularidades da linguagem.
5. Mural de Diversidade Linguística: Criar um mural na escola onde os alunos podem colar palavras e expressões de diferentes variantes e suas traduções para o português padrão, recheado de ilustrações e exemplos de uso que reforcem a importância do que foi aprendido.

