“Plano de Aula: Consciência Negra para Crianças na Educação Infantil”

A proposta deste plano de aula é abordar o tema Consciência Negra de maneira lúdica e educativa, utilizando uma abordagem que respeita e valoriza a diversidade cultural. É crucial nessa faixa etária que os educadores proporcionem experiências que ajudem as crianças a desenvolver uma percepção rica sobre sua própria identidade e a dos outros, promovendo o respeito às diferenças. A infância é uma fase onde a descoberta e a formação de identidade são fundamentais, e por isso, este plano oferece atividades que incentivam a troca, a solidariedade e o reconhecimento das características individuais.

O foco está em criar um espaço seguro onde as crianças possam expressar sua individualidade e aprender sobre a importância da convivência respeitosa com as diversas culturas. O plano é planejado para duas semanas, permitindo que as atividades sejam conduzidas de maneira que as crianças absorvam o conteúdo de forma mais significativa e contextualizada.

Tema: Consciência Negra
Duração: 2 semanas
Etapa: Educação Infantil
Sub-etapa: crianças_bem_pequenas
Faixa Etária: 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses

Objetivo Geral:

Planejamentos de Aula BNCC Infantil e Fundamental

Desenvolver a consciência das crianças sobre a diversidade cultural e racial, promovendo experiências que estimulem a empatia, a solidariedade e o respeito às diferenças.

Objetivos Específicos:

1. Proporcionar experiências que ajudem as crianças a reconhecer e valorizar a diversidade.
2. Estimular a expressão de sentimentos e necessidades através da arte e do movimento.
3. Incentivar o diálogo e a comunicação entre as crianças, promovendo a compreensão mútua.
4. Criar momentos de contação de histórias que abordem a cultura negra, explorando diferentes perspectivas e narrativas.

Habilidades BNCC:

Campo de Experiências “O EU, O OUTRO E O NÓS”:
– (EI02EO01) Demonstrar atitudes de cuidado e solidariedade na interação com crianças e adultos.
– (EI02EO05) Perceber que as pessoas têm características físicas diferentes, respeitando essas diferenças.
– (EI02EO06) Respeitar regras básicas de convívio social nas interações e brincadeiras.

Campo de Experiências “CORPO, GESTOS E MOVIMENTOS”:
– (EI02CG01) Apropriar-se de gestos e movimentos de sua cultura no cuidado de si e nos jogos e brincadeiras.

Campo de Experiências “TRAÇOS, SONS, CORES E FORMAS”:
– (EI02TS02) Utilizar materiais variados com possibilidades de manipulação, explorando cores, texturas, superfícies, planos, formas e volumes ao criar objetos tridimensionais.

Campo de Experiências “ESCUTA, FALA, PENSAMENTO E IMAGINAÇÃO”:
– (EI02EF01) Dialogar com crianças e adultos, expressando seus desejos, necessidades, sentimentos e opiniões.
– (EI02EF03) Demonstrar interesse e atenção ao ouvir a leitura de histórias e outros textos.

Materiais Necessários:

– Diversas livros de histórias que abordem a temática da cultura negra.
– Materiais para arte como papel, pinturas, massinha, argila e tecidos coloridos.
– Instrumentos musicais simples como pandeiros, triângulos e chocalhos.
– Um espaço amplo para a realização de danças e jogos.

Situações Problema:

– Como podemos contar histórias que falem sobre a diversidade cultural?
– Quais as diferentes características que notamos entre as crianças da nossa turma?
– Como podemos brincar e celebrar juntos as nossas diferenças?

Contextualização:

A Consciência Negra é uma data importante para celebrarmos a cultura afro-brasileira e refletir sobre as contribuições e a história do povo negro no Brasil. Para as crianças, entender essas questões desde cedo é fundamental para o seu desenvolvimento social e emocional. Ao explorarmos essa temática, promovemos um ambiente de respeito, amor e acolhimento onde as crianças podem se sentir seguras para aprender e interagir.

Desenvolvimento:

Neste plano, as atividades serão distribuídas ao longo de duas semanas, cada semana apresentará propostas diferentes para explorar a temática da Consciência Negra.

Atividades sugeridas:

Semana 1: Descobrindo a Diversidade

1. Contação de Histórias
Objetivo: Apresentar a diversidade cultural através de histórias.
Descrição: Escolher livros ilustrados que retratem a cultura afro-brasileira. Reunir as crianças em um círculo e ler as histórias, enfatizando os elementos culturais.
Materiais: Livros sobre cultura negra, tapete ou almofadas para se sentar.
Adaptação: Para crianças mais tímidas, envolvê-las em diálogos e perguntar sobre os personagens das histórias.

2. Pinturas Coletivas
Objetivo: Explorar as cores e texturas, respeitando a individualidade.
Descrição: Produzir uma pintura coletiva em um grande papel onde cada criança possa contribuir. Discussão sobre as cores da pele e a importância da diversidade.
Materiais: Tinta, pincéis, rolos, papel grande.
Adaptação: Para crianças que não se sentiram confortáveis com a pintura, disponibilizar materiais de colagem.

3. Dança Afro-Brasileira
Objetivo: Vivenciar os movimentos da cultura afro-brasileira.
Descrição: Com músicas de ritmos africanos, realizar uma sessão de dança livre. Explique sobre os gestos e movimentos.
Materiais: Um alto-falante, ou instrumentos musicais simples.
Adaptação: Para crianças que apresentem dificuldade motora, incentiva-las em movimentos mais simples de acordo com suas capacidades.

Semana 2: Celebrando as Diferenças

4. Atelier de Arte
Objetivo: Criar objetos que representem a cultura negra.
Descrição: Utilizar argila para que as crianças façam figuras que remetam à cultura afro-brasileira (como figuras ou símbolos). Explicações breves sobre o que cada símbolo representa.
Materiais: Argila ou massa de modelar, utensílios para moldar.
Adaptação: Oferecer ajuda a crianças que possam ter dificuldade em manipular a massa.

5. Roda de Conversa
Objetivo: Explicar e partilhar o que aprendemos.
Descrição: Criar um momento onde as crianças podem falar sobre o que aprenderam nas atividades anteriores, incentivando-as a se expressar.
Materiais: Círculo formado por colchonetes ou cadeiras.
Adaptação: Para as que forem mais tímidas, incentivar respostas através de desenhos que elas possam mostrar.

6. Brincadeiras de Grupo
Objetivo: Encorajar o trabalho em equipe e o respeito.
Descrição: Propor jogos em grupo onde as crianças precisem cooperar e trabalhar juntas.
Materiais: Brinquedos variados ou simples, como bolas, cordas.
Adaptação: Para crianças com dificuldades, criar equipes onde estejam mais confortáveis.

Discussão em Grupo:

1. O que você aprendeu sobre as cores e texturas através da pintura?
2. Quais instrumentos você acha que possuem sons legais e por quê?
3. Como podemos respeitar as diferenças entre todos nós?

Perguntas:

1. O que significa ser diferente?
2. Quais as partes que mais gostamos nas nossas histórias?
3. Como você se sente dançando e se divertindo com os amigos?

Avaliação:

A avaliação neste contexto será contínua e observacional. O educador deve observar como as crianças interagem durante as atividades, como se expressam e se comunicam entre si. É importante notar as reações, o envolvimento nas atividades e a capacidade de respeitar as diferenças. Isso fornecerá uma visão clara do desenvolvimento social e emocional das crianças.

Encerramento:

Ao término das atividades, promover uma roda de conversa para relembrar os momentos importantes. Estimular as crianças a falarem sobre o que aprenderam e as atividades que mais gostaram. Essa reflexăo consolidará o aprendizado e promoverá um encerramento simbólico das duas semanas de trabalho sobre a Consciência Negra.

Dicas:

Criar um ambiente acolhedor e seguro para a expressão das crianças.
Incentivar a família a participar das atividades, promovendo uma conexão entre a aprendizagem na escola e em casa.
Utilizar recursos visuais, como cartazes e ilustrações, para representar a diversidade cultural de maneira acessível às crianças.

Texto sobre o tema:

A Consciência Negra no Brasil é uma data de grande significado, celebrada em 20 de novembro. Essa data homenageia a memória de Zumbi dos Palmares, líder de um dos mais significativos movimentos de resistência da história do país, o Quilombo dos Palmares. Mais do que uma celebração, a Consciência Negra é uma oportunidade para refletir sobre a importância da cultura, da história e da identidade negra na formação da sociedade brasileira. É essencial que desde a infância, possamos introduzir as crianças a essa discussão, proporcionando experiências que fiquem gravadas na memória e que contribuam para a formação de cidadãos mais justos e respeitosos.

Neste sentido, as crianças podem aprender sobre as diversas vertentes da cultura afro-brasileira, como a música, a dança, a culinária e a arte. Cada uma dessas expressões culturais traz consigo uma rica história e um legado que precisa ser compartilhado e respeitado. É fundamental que o educador ajude as crianças a entenderem que a diversidade é uma riqueza, e que cada pessoa, independente de sua cor ou origem, tem um valor singular e importante.

Além disso, promover a consciência desde cedo colabora para que as crianças desenvolvam não apenas o respeito pelas diferenças, mas também um senso de pertencimento e identidade. Saber que pertencem a uma cultura rica em histórias e lutas é essencial para a formação de uma autoimagem positiva. Uma visão ampla sobre nosso passado e a história de grupos que enfrentaram adversidades é um convite ao fortalecimento da solidariedade e da empatia entre as crianças. Em um mundo onde a convivência multicultural é cada vez mais necessária, trabalhar esses valores desde a infância é um passo fundamental para um futuro mais harmonioso.

Desdobramentos do plano:

As atividades propostas nesse plano poderão levar a momentos de reflexão mais aprofundados sobre como as crianças percebem as diferenças ao seu redor. Utilizar a arte como ferramenta de expressão não apenas estimula a criatividade, mas também promove o desenvolvimento da autoestima ao permitir que as crianças pratiquem o respeito à diversidade. O uso de atividades sensoriais e de leitura de histórias não apenas cria uma experiência lúdica, mas também incentiva diálogos sobre temas muitas vezes considerados complexos para a idade, de forma leve e compreensível.

Ademais, essas atividades podem ser enriquecidas ao incluirmos a participação das famílias. Ao convidá-las para compartilhas experiências culturais e tradições, promovemos um ambiente escolar inclusivo, propiciando uma troca de experiências entre casa e escola. Ao compartilharmos esses momentos, as crianças podem sentir-se mais seguras e respeitadas, além de verem que seu ambiente familiar também valoriza a diversidade.

Por fim, é importante ressaltar que o respeito e a compreensão pelas diferenças constituem habilidades essenciais não só para a formação individual, mas também para o convívio em sociedade. Assim, ao trabalhar com a Consciência Negra, estamos não apenas educando para a diversidade, mas sim promovendo um futuro mais inclusivo e justo, onde cada um saiba valorizar a si e ao outro.

Orientações finais sobre o plano:

É fundamental que os educadores que implementarem este plano de aula estejam sensíveis às reações das crianças e consigam adaptar as atividades de acordo com o nível de conforto e interesse que elas apresentem. Uma formação contínua sobre temas de diversidade e cultura pode aprimorar a prática pedagógica e trazer novas perspectivas a cada atividade. Os educadores devem estar prontos para conduzir discussões e reflexões, garantindo que todos os alunos se sintam valorizados em sua individualidade, respeitados e ouvidos.

Devemos conceber a Consciência Negra não apenas como um tema para ser abordado durante essas duas semanas, mas sim como uma base para formar cidadãos mais críticos e conscientes ao longo do ano. As conversas sobre diversidade e respeito devem se tornar parte do cotidiano, permeando diversas atividades e interações. O retorno à consciência de que a diversidade é uma riqueza sólida na educação contribui para a formação de um mundo mais tolerante e respeitador.

Por fim, ao encorajar as crianças a compartilhar e trocar experiências, mesmo as mais simples, como histórias de seus próprios lares e contextos, proporcionamos um espaço de aprendizagem genuíno e profundamente transformador. Que as sementes plantadas neste plano de aula germinem e floresçam em um futuro onde a diversidade seja não só aceita, mas celebrada.

5 Sugestões lúdicas sobre este tema:

1. Cores e Formas: Propor que as crianças desenhem ou pintem autorretratos, utilizando diferentes tons de pele. A atividade pode ser ampliada para conversas sobre o respeito à cor da pele e ao que torna cada um único. A partir dessa experiência, os alunos podem contar o que mais gostam em si mesmos, promovendo autoestima e autoaceitação.

2. Ritmando a Diversidade: Criar uma roda de musical com canções que refletem ritmos afro-brasileiros. Através da dança, as crianças podem aprender sobre a cultura afro e vivenciar os ritmos. Isso ajudará a desenvolver senso de ritmo e coordenação, além do respeito à cultura.

3. Festa Cultural: Organizar uma festa ao final do projeto onde as crianças possam trazer a comida que representam suas raízes, servindo um lanche colorido e variado ao grupo. Isso incentiva o compartilhamento cultural e a união entre as crianças.

4. Teatro de Fantoches: Criar fantoches que representem diferentes culturas e fazer uma apresentação em grupo. As crianças podem se envolver nas histórias e diálogos, contribuindo para a compreensão das narrativas diversas presentes na sociedade.

5. Jardim da Diversidade: Propor a “plantação” de flores simbólicas de diferentes cores que representam pessoas diferentes. Cada cor pode representar uma característica e, ao final, falar sobre como essas flores juntas formam um jardim bonito, assim como as amizades e a convivência social entre diferentes culturas é mais rica e cheia de vida.

Estas sugestões têm como propósito não apenas o aprendizado acadêmico, mas a formação de crianças que se tornem adultas mais respeitosas, empáticas e coniventes com a diversidade presente ao seu redor.


Botões de Compartilhamento Social