“A Força da Palavra: Literatura Negra e Identidade no Ensino”

A força da palavra é um tema fundamental para a construção da identidade de diversos grupos sociais e culturais, especialmente quando abordamos a literatura, a poesia e as manifestações orais de autores negros. Este plano de aula pretende explorar como esses gêneros textuais, como poesias, canções, slams e crônicas, se transformam em veículos de identidade, denúncia e projeção de futuro, contribuindo para a formação de uma sociedade mais igualitária e consciente. Abordaremos também a variação linguística e o preconceito, ressaltando a importância de entender e respeitar as diferentes formas de expressão presentes na cultura brasileira.

Ao longo desta aula, iremos promover uma discussão crítica sobre como a literatura de autoria negra desafia narrativas hegemônicas, permitindo que os alunos reflitam sobre temas importantes relacionados à sua própria identidade e ao seu papel na sociedade. Este plano é especialmente voltado para o 5º ano do Ensino Fundamental, favorecendo o desenvolvimento da leitura e análise crítica dos alunos em um contexto em que a literatura pode servir como uma ferramenta poderosa de empoderamento e transformação social.

Tema: A força da palavra: Gêneros Textuais (poesias, canção, slam, crônica) de autoria negra como veículos de identidade, denúncia e projeção de futuro. Variação linguística e preconceito
Duração: 40 minutos
Etapa: Ensino Fundamental 1
Sub-etapa: 5º Ano
Faixa Etária: 6 aos 13 anos

Objetivo Geral:

Planejamentos de Aula BNCC Infantil e Fundamental

Estimular a leitura e a análise crítica de gêneros textuais de autoria negra, promovendo a compreensão da importância da literatura na construção de identidades, na promoção de denúncias sociais e na projeção de futuros possíveis, além de sensibilizar os alunos para questões de variação linguística e preconceito.

Objetivos Específicos:

1. Analisar poesias, canções, slams e crônicas de autoria negra, identificando elementos que refletem a identidade cultural e as experiências sociais de seus autores.
2. Discutir a função da linguagem e a variação linguística em textos literários, compreendendo como essas variações podem refletir e influenciar as narrativas sociais.
3. Desenvolver habilidades de leitura crítica, permitindo que os alunos estabeleçam conexões entre os textos estudados e suas próprias realidades.
4. Produzir um pequeno texto, inspirado pelos gêneros estudados, que expresse opiniões e reflexões sobre a identidade e o futuro.

Habilidades BNCC:

(EF05LP01) Grafar palavras utilizando regras de correspondência fonema-grafema regulares, contextuais e morfológicas e palavras de uso frequente com correspondências irregulares.
(EF05LP02) Identificar o caráter polissêmico das palavras, comparando o significado de determinados termos utilizados nas áreas científicas com esses mesmos termos utilizados na linguagem usual.
(EF05LP06) Flexionar, adequadamente, na escrita e na oralidade, os verbos em concordância com pronomes pessoais/nomes sujeitos da oração.
(EF05LP23) Comparar informações sobre um mesmo fato veiculadas em diferentes mídias e concluir sobre qual é mais confiável e por quê.
(EF35LP11) Ouvir gravações, canções, textos falados em diferentes variedades linguísticas, identificando características regionais, urbanas e rurais da fala e respeitando as diversas variedades linguísticas como características do uso da língua por diferentes grupos regionais ou diferentes culturas locais, rejeitando preconceitos linguísticos.

Materiais Necessários:

– Excertos de textos literários de autoria negra (poesias, canções, crônicas).
– Materiais para escrita (papel, canetas, lápis).
– Acesso a áudio ou vídeos de slams.
– Quadro branco ou flip chart para anotações.

Situações Problema:

1. Como a literatura pode ser um meio de expressão de identidades e realidades diversas?
2. De que forma a variação linguística pode influenciar a forma como as pessoas percebem e interpretam textos?
3. O que significa denunciar injustiças sociais através da poesia e da música?

Contextualização:

A literatura de autoria negra no Brasil é um campo fértil de produção artística que reflete as experiências, as lutas e as aspirações de uma parte significativa da população. Ao trabalhar com gêneros que vão do slam à poesia, os alunos poderão perceber como essas manifestações culturais, além de servirem como formas de arte, são também poderosos instrumentos de resistência e autoconhecimento. O uso de uma linguagem rica e variada nesses gêneros expressa não apenas a arte, mas também contestação e esperança social.

Desenvolvimento:

1. Início da Aula (10 minutos): Apresentação do tema da aula, compartilhando com os alunos a importância da palavra e da expressão literária na construção da identidade.
2. Leitura e Análise (15 minutos): Distribuir excertos de diferentes gêneros textuais (poesia, canção, crônica). Os alunos devem ler em grupo e discutir quais elementos refletem a identidade e as experiências dos autores.
3. Movimento Cultural (10 minutos): Exibir um vídeo de uma apresentação de slam, discutindo com os alunos o que eles perceberam na performance e como a linguagem foi utilizada para transmitir emoções e mensagens.
4. Produção Textual (5 minutos): Os alunos devem escrever um pequeno texto inspirado nas discussões e leituras realizadas, expressando suas próprias ideias sobre identidade e futuro.

Atividades sugeridas:

1. Dia 1 – Leitura de Poesias
– Objetivo: Compreender a temática e o estilo de poetas negros.
– Descrição: Selecionar e ler poesias de autores como Conceição Evaristo ou Jorge de Lima.
– Sugestões: Pedir que os alunos identifiquem palavras e expressões que refletem a identidade cultural.
– Materiais: Poesias impressas.
– Adaptação: Para alunos com dificuldades de leitura, usar audiobooks.

2. Dia 2 – Análise de Canções
– Objetivo: Discutir a temática social nas músicas de autores como Caetano Veloso ou Gilberto Gil.
– Descrição: Ouvir uma canção e discutir as letras em grupo.
– Sugestões: Pedir que os alunos escrevam uma breve resenha da canção.
– Materiais: Áudios de músicas.
– Adaptação: Para alunos com dificuldades de escrita, permitir que façam desenhos.

3. Dia 3 – Criação de Slam
– Objetivo: Criar uma pequena performance inspirada nas leituras.
– Descrição: Estimular os alunos a escreverem e apresentarem seus próprios slams.
– Sugestões: Promover um concurso entre as performances.
– Materiais: Papel e canetas.
– Adaptação: Para alunos tímidos, permitir que se apresentem em duplas.

4. Dia 4 – Quadro de Palavras
– Objetivo: Identificar variações linguísticas nas obras analisadas.
– Descrição: Criar um quadro para anotar palavras que refletem a variação linguística dos diferentes gêneros textuais.
– Sugestões: Pedir que os alunos também tragam exemplos de suas próprias falas.
– Materiais: Quadro branco ou cartolina.
– Adaptação: Para alunos com dificuldades, permitir que escolham palavras de um banco de palavras.

5. Dia 5 – Debate sobre Preconceito
– Objetivo: Refletir sobre a aceitação da diversidade linguística e cultural.
– Descrição: Promover um debate com perguntas estratégicas sobre preconceito e identidade.
– Sugestões: Incentivar todos os alunos a se manifestarem.
– Materiais: Cartões com perguntas.
– Adaptação: Permitir que alunos mais tímidos escrevam suas respostas.

Discussão em Grupo:

Promover um espaço no final da aula para que os alunos compartilhem suas experiências e reflexões. Criar um ambiente seguro onde todos possam expressar suas opiniões sobre os textos trabalhados e suas mensagens.

Perguntas:

1. Como você se sente representado nas obras de autores negros?
2. Quais elementos da literatura de autoria negra te inspiraram?
3. De que maneira as variações linguísticas podem afetar a interpretação de um texto?

Avaliação:

A avaliação será contínua e qualitativa. Observar a participação dos alunos durante as discussões, a compreensão dos textos e a produção escrita. Uma rubrica pode ser utilizada para avaliar a clareza, criatividade e reflexão demonstradas nos textos e apresentações.

Encerramento:

Finalizar a aula reiterando a importância da palavra na formação da identidade e na luta por igualdade. Motivar os alunos a continuarem explorando a literatura de diversas formas e a desenvolverem uma visão crítica e empática em relação a temas sociais.

Dicas:

1. Utilize diferentes mídias, como vídeos e músicas, para enriquecer a aula.
2. Incentive a leitura em voz alta, pois isso ajuda na fluência de leitura e na percepção da sonoridade dos textos.
3. Sempre que possível, promova oportunidades para que alunos compartilhem suas próprias experiências relacionadas ao tema.

Texto sobre o tema:

A força da palavra tem sido um ponto central na expressão da identidade cultural e social de diversos grupos ao longo da história. Autores negros, através de suas obras, não apenas oferecem um reflexo de suas experiências, mas também contestam narrativas hegemônicas que historicamente marginalizaram suas vozes. Cada poema, canção, slam e crônica se torna uma forma de resistência, onde a Dulcineia das dores, as histórias de luta e as esperanças se convergem em letras que falam diretamente ao coração da sociedade. A simplicidade e profundidade de suas palavras conseguem penetrar em camadas emocionais que, muitas vezes, são desconsideradas nas narrativas predominantes.

Os gêneros textuais explorados em sala de aula, portanto, não devem ser vistos apenas como ferramentas estéticas, mas como possuidores de um poder transformador. Por meio da leitura e análise de textos, os alunos são instigados a refletir sobre suas próprias identidades e a entender a importância da diversidade linguística e cultural. Esses textos apresentam uma pluralidade de vozes que cantam a beleza e a complexidade de ser negro em um país como o Brasil, promovendo a discussão sobre preconceitos e desigualdades ainda presentes na sociedade.

Ademais, ao trazer as experiências de vida e as influências culturais que moldam a literatura, os alunos são desafiados a pensar criticamente sobre suas aprendizagens. A consciência de que a palavra tem a força de mudar narrativas e construir futuros desejáveis é uma lição vital que deve ser incorporada no ambiente escolar, para que os jovens alunos se tornem cidadãos críticos, protestantes de suas histórias e protagonistas de suas realidades. Com isso, a sala de aula se transforma em um espaço de empoderamento e continuidade de luta, onde a literatura é uma ponte para a construção de um amanhã mais justo e igualitário.

Desdobramentos do plano:

O plano de aula sobre a força da palavra na literatura de autoria negra pode desdobrar-se em diversas frentes, estimulando novas aprendizagens e práticas docentes. Um primeiro desdobramento interessante é a formação de clubes de leitura focados em autores negros. Esses espaços permitirão que os alunos aprofundem suas leituras e compreensões sobre a literatura, além de fomentar o debate e a troca de ideias sobre temas pertinentes à cultura e à identidade negra. Assim, a sala de aula se torna um verdadeiro laboratório de insights e reflexões, onde a literatura se amplia para além do espaço físico e se incorpora no cotidiano dos alunos.

Outro desdobramento possível é a criação de um projeto de escrita colaborativa, onde os alunos podem trabalhar em conjunto para elaborar um livro de poesias ou crônicas que reflitam suas experiências e visões de futuro, inspirados nos textos estudados. Essa atividade promoveria não apenas a prática da escrita, mas também o fortalecimento da colaboração e do diálogo entre as diversas vozes presentes na sala. Além disso, ao culminar em uma publicação, os alunos teriam a oportunidade de mostrar o resultado de seu trabalho à comunidade, reforçando o sentido de pertencimento e valorização da cultura local.

Por fim, iniciativas de interação com escritores e poetas negros podem ser organizadas, trazendo esses profissionais diretamente para o ambiente escolar. Essa interação possibilita aos alunos perceberem a literatura como um campo vivo e dinâmico, onde há espaço para criação, inovação e participação. Ao compartilhar suas próprias histórias e experiências, esses autores podem inspirar as futuras gerações a encontrarem suas vozes e se engajarem na luta por justiça social e igualdade.

Orientações finais sobre o plano:

Ao implementar este plano de aula, é essencial que o professor esteja preparado para abordar temas sensíveis, garantindo que todos os alunos se sintam respeitados e acolhidos. Criar um ambiente seguro é fundamental para que os alunos possam expressar suas opiniões e experiências sem medo de julgamento. O diálogo aberto permitirá que a discussão do preconceito e da identidade seja mais rica e impactante, contribuindo para a formação de cidadãos mais informados e críticos.

Além disso, o professor deve estar atento às questões de inclusão e diversidade presentes nas vozes literárias. A literatura negra não é homogênea, e suas nuances devem ser celebradas. Ao promover a diversidade de autores e estilos, o professor enriquece a experiência de aprendizado e estimula uma reflexão mais profunda sobre as diversas identidades presentes na sociedade.

Por fim, lembre-se de que a literatura tem o poder de transformar realidades e construir pontes entre os diferentes grupos. Ao apresentar textos diversos e instigar debates sobre eles, promovemos uma educação que valoriza a pluralidade cultural e ensina os alunos a se posicionarem criticamente no mundo em que vivem. O potencial da palavra é infinito; é fundamental que nossos alunos possam explorá-lo plenamente em suas vidas e comunidades.

5 Sugestões lúdicas sobre este tema:

1. Caça ao Tesouro Literário: Criar um jogo onde os alunos devem encontrar pistas em textos de autores negros. As pistas levarão a respostas sobre suas vidas e obras. O objetivo é aprender de maneira divertida, estimulando a pesquisa e a curiosidade.

2. Teatro de Sombras: Inspirados nas poesias estudadas, os alunos podem criar pequenos teatros de sombras, utilizando recortes para representar os temas das obras. Essa atividade promove a criatividade e a interpretação, além de tornar as poesias visuais.

3. Roda de Conversa Musical: Promova uma roda de conversa onde cada aluno deve trazer uma canção de um artista negro que admire. Durante a roda, cada um pode explicar a escolha, criando uma conexão entre a música e suas identidades.

4. Desafio de Slam: Organizar um desafio de slam dentro da sala de aula, onde os alunos devem apresentar suas criações, utilizando o estilo de slammers e valorizando a expressão oral. Essa prática ajudará a desenvolver confiança e habilidades de comunicação.

5. Produção de Podcast: Os alunos podem se organizar em grupos para criar um podcast onde discutirão os textos lidos. Essa atividade desenvolverá competências de pesquisa, argumentação e colaboração.

Essas sugestões lúdicas, além de estimular a aprendizagem, fornecem uma rica experiência de colaboração e criatividade, sendo adaptáveis a diferentes faixas etárias e perfis de alunos.


Botões de Compartilhamento Social