Entre Samba e Rap: Identidade e Resistência na Música

A proposta deste plano de aula é promover um debate riquíssimo sobre as músicas “Pra que discutir com madame” de João Gilberto e “Hey Boy” dos Racionais MC’s, permitindo que os alunos explorem aspectos de linguagem, resistência e identidade presentes nas obras. A aula buscará envolver os estudantes na análise crítica dos textos, enfatizando como as diferentes linguagens musicais refletem as vivências de resistência e a construção de identidades culturais.

Ao longo da atividade, os alunos terão a oportunidade de identificar e comparar as estratégias de comunicação e os contextos sociais que cada música aborda, assim como os efeitos que estas têm sobre os ouvintes. O uso da música como uma ferramenta pedagógica favorece o entendimento cultural e social, tornando a aprendizagem mais apropriada e emocionantemente envolvente para a faixa etária de 16 a 17 anos.

Tema: Entre o samba e o rap: linguagem, resistência e identidade
Duração: 50 minutos
Etapa: Ensino Médio
Sub-etapa: 2º Ano Médio
Faixa Etária: 16-17 anos

Objetivo Geral:

Planejamentos de Aula BNCC Infantil e Fundamental

Desenvolver a capacidade dos alunos de compreender e analisar as manifestações culturais presentes nas músicas “Pra que discutir com madame” e “Hey Boy”, promovendo uma discussão crítica sobre identidade e resistência através das práticas musicais.

Objetivos Específicos:

– Analisar os contextos históricos e sociais que envolvem as músicas estudadas.
– Comparar as linguagens e estilos de samba e rap.
– Refletir sobre as questões de identidade cultural discutidas nas letras.
– Promover o debate entre os alunos sobre a importância da música como forma de resistência social.

Habilidades BNCC:

– (EM13LGG101) Compreender e analisar processos de produção e circulação de discursos, nas diferentes linguagens, para fazer escolhas fundamentadas em função de interesses pessoais e coletivos.
– (EM13LGG102) Analisar visões de mundo, conflitos de interesse, preconceitos e ideologias presentes nos discursos veiculados nas diferentes mídias, ampliando suas possibilidades de explicação, interpretação e intervenção crítica da/na realidade.
– (EM13LGG202) Analisar interesses, relações de poder e perspectivas de mundo nos discursos das diversas práticas de linguagem (artísticas, corporais e verbais), compreendendo criticamente o modo como circulam, constituem-se e (re)produzem significação e ideologias.

Materiais Necessários:

– Aparelho de som ou computador com acesso à internet
– Letras das músicas “Pra que discutir com madame” e “Hey Boy”
– Quadro branco ou cartolina para anotações
– Canetas coloridas
– Blocos de notas para os alunos

Situações Problema:

Os alunos devem refletir sobre como a linguagem utilizada nas músicas influencia a percepção que a sociedade tem de seus intérpretes e das realidades sociais que eles representam. Além disso, devem questionar: Como a resistência e a identidade se manifestam na linguagem e nas temáticas abordadas em cada canção?

Contextualização:

Apresentar brevemente o contexto histórico do samba e do rap no Brasil. O samba, com suas raízes africanas e sua trajetória pela cultura popular brasileira, contrasta com o rap, que emergiu como uma forma de expressão urbana e crítica. Discutir como cada gênero musical reflete lutas sociais e questões de identidade.

Desenvolvimento:

– Iniciar a aula apresentando as músicas e seus artistas. Frenquentemente tocar um breve trecho de cada uma delas e perguntar aos alunos o que sentiram ou pensaram ao ouvir as canções.
– Dividir a turma em grupos. Cada grupo deve analisar as letras de uma das músicas, procurando identificar elementos de resistência cultural e identidade.
– Os grupos devem discutir e anotar em uma cartolina suas percepções, enfocando a escolha de palavras, a formalização das ideias e o contexto social retratado nas letras.
– Em seguida, promover um debate onde as conclusões de cada grupo sejam compartilhadas, permitindo que todos reflitam sobre as semelhanças e diferenças entre as duas músicas.

Atividades sugeridas:

1. Escuta ativa e interpretação (Tempo: 20 minutos):
– Objetivo: Analisar a letra e o ritmo das canções.
– Descrição: Ouvir as duas músicas na íntegra, solicitando que os alunos façam anotações sobre suas primeiras impressões e quais partes das letras mais diretamente chamaram sua atenção.
– Instruções: Após ouvir, realizar uma roda de debate inicial, onde cada aluno compartilha suas impressões.

2. Análise de letras em grupos (Tempo: 15 minutos):
– Objetivo: Refinar a análise crítica das letras.
– Descrição: Em grupos de 4 a 6, os alunos devem se aprofundar na letra de uma música, identificando refrões, rimas e repetições que chamam a atenção.
– Instruções: Cada grupo deve prepare um cartaz que evidencie suas descobertas e, em seguida, escolher um representante para expor as conclusões para a classe.

3. Comparativo de línguas e estilos (Tempo: 10 minutos):
– Objetivo: Comparar os estilos de sambas e rap.
– Descrição: Explicar os elementos estilísticos de cada gênero e promover uma troca de observações sobre como isso reflete as diferenças sociais.
– Instruções: Cada aluno deve propor um elemento que acredita ser característico de cada estilo e justificar sua escolha.

4. Debate final (Tempo: 5 minutos):
– Objetivo: Conclusão da aula de forma colaborativa.
– Descrição: Em círculo, os alunos falam sobre o que aprenderam.
– Instruções: Estimular que compartilhem novos entendimentos sobre a importância da cultura e da identidade.

Discussão em Grupo:

Promover um diálogo onde questões como: “Como as músicas que ouvimos hoje refletem a sociedade em que vivemos?” e “De que forma a arte se torna um meio de resistência?” possam ser debatidas.

Perguntas:

1. Como as letras das músicas selecionadas refletem a identidade cultural de seus autores?
2. Quais elementos de resistência social vocês conseguem identificar nas letras?
3. Como a linguagem é utilizada para expressar conflitos e ideologias nas músicas analisadas?

Avaliação:

A avaliação será contínua, observando a participação dos alunos nas discussões. Além disso, o impacto e a clareza das análises em grupo serão considerados. A qualidade dos cartazes apresentados também servirá como forma de avaliação.

Encerramento:

Concluir ressaltando a importância da música como forma de expressão cultural e resistência social. Estimular os alunos a continuarem explorando outras músicas que abordem temas semelhantes e convidados a refletir sobre as realidades sociais que elas representam.

Dicas:

– Estimular a empatia entre os alunos, promovendo um espaço seguro para o debate.
– Utilizar músicas adicionais que também falem de resistência e identidade cultural em futuras aulas para enriquecer a discussão.
– Incentivar que os alunos tragam suas músicas de resistência.

Texto sobre o tema:

A música sempre tem sido uma poderosa ferramenta de resistência e autoafirmação, especialmente em sociedades onde as vozes são marginalizadas ou silenciadas. No Brasil, gêneros como o samba e o rap têm desempenhado papéis fundamentais na construção da identidade cultural e na formulação de críticas sociais. O samba, com suas raízes na tradição afro-brasileira, narra a história de um povo que luta para se afirmar e para celebrar sua cultura e história. João Gilberto, ao entoar “Pra que discutir com madame”, expressa uma crítica ao elitismo das classes sociais, questionando a normalização de posturas conservadoras e o desdém às vozes periféricas.

Por outro lado, o rap cresce em meio a realidades urbanas, buscando dar voz a experiências de luta e resistência contra opressões. A canção “Hey Boy” dos Racionais MC’s é um exemplo claro disso. Com letras contundentes, o rap desafia a visão hegemonizada da sociedade, trazendo à tona questões de racismo, desigualdade e a luta por direitos. Ambos os gêneros utilizam a linguagem como uma ferramenta não apenas de comunicação mas de transformação social, oferecendo um espaço para que as narrativas que muitas vezes são ignoradas possam ganhar protagonismo.

Com a convergência de ritmos e a apropriação de elementos de diferentes culturas, o contexto musical brasileiro nos convida a refletir sobre a diversidade cultural. Neste sentido, as canções discutidas neste plano trazem referências que vão além do entretenimento. Elas nos fazem questionar sobre identidade e nos propõem uma reflexão crítica sobre como a resistência se manifesta na arte e na vida cotidiana, reafirmando a importância de ouvir e valorizar as vozes que por muito tempo foram silenciadas.

Desdobramentos do plano:

Uma vez finalizado o plano de aula, é possível promover atividades extracurriculares onde os alunos explorem outros tipos de musicalidade. Sugere-se organizar um festival de músicas onde as turmas possam apresentar trabalhos relacionados a diferentes músicas que abordam resistência. Além disso, partir dos conceitos trabalhados, outra maneira de aprofundar a identificação com a cultura e resistência é realizar uma atividade de produção escrita, onde os alunos articulem suas reflexões sobre o que compõem as identidades que conhecem e como isso se relaciona com seu cotidiano.

As discussões sobre linguagem e cultura não se limitam à sala de aula. Promover a criação de um blog ou um espaço colaborativo online, onde os alunos possam compartilhar suas reflexões sobre o que ouvem e onde podem compor suas próprias letras e canções, é uma excelente forma de integrar diferentes estilos e permitir essa troca de expressões autorais. Estimular que os adolescentes utilizem as redes sociais para divulgar suas produções e com isso criar um espaço de diálogo constante sobre como uma geração consegue se rinscrever cativamente através da arte.

Por fim, esta aula não resulta apenas em um mero entendimento das músicas em questão, mas aponta soluções para que a arte possa ser uma ferramenta acessível para que os jovens construam uma maneira própria e crítica de enxergar a realidade. Generosamente, a música pode ser uma chave que abre portas para transformações sociais, reforçando o poder que a arte tem de nos unir e ao mesmo tempo, nos tornar protagonistas de histórias que precisam ser contadas.

Orientações finais sobre o plano:

Ao encerrar este plano de aula, é fundamental que o professor continue a incentivá-los a se expressar através da música e da arte de uma forma mais abrangente, buscando compreender a importância desses elementos na formação da identidade e na construção de uma sociedade mais justa. É essencial comentar sobre como discussões acerca do papel dos gêneros musicais como o samba e o rap trazem à tona não só a estética, mas aspectos imprescindíveis da vivência e culturais das comunidades marginalizadas.

Além disso, será interessante planejar futuras atividades onde haja uma continuação dessas discussões críticas e reflexivas, promovendo sempre um ambiente rico de diálogo e acolhimento. O engajamento dos alunos deve ser suscitado constantemente para que se sintam seguros em abordagens e reflexões profundas, com a alma aberta para interações e transformações pessoais advindas dos diálogos promovidos.

Por fim, é imprescindível que as orientações e reflexões venham acompanhadas da moderação constante e da atenção às desigualdades no acesso às vozes e histórias que compõem a cultura brasileira. A música é uma linguagem universal, e através dela, os alunos poderão encontrar um espaço de comunicação que vai além das barreiras impostas por discursos frequentemente elitistas.

5 Sugestões lúdicas sobre este tema:

1. Playlist Colaborativa: Os alunos podem criar uma playlist com músicas de resistência. O objetivo é reunir diferentes estilos e artistas que abordem a luta e a afirmação cultural. Cada aluno deve fazer uma breve apresentação sobre a canção escolhida e seu impacto social. A atividade pode ser extensamente documentada em uma plataforma online.

2. Ateliê de Criação Musical: Os estudantes podem ser divididos em grupos para compor uma música própria que aborde temas de resistência e identidade. O resultado final pode ser apresentado em um formato de videoclipe ou performance ao vivo, estimulando a criatividade e a autoexpressão.

3. Teatro de Sombras: Utilizando materiais simples, como cartolinas e lâmpadas, os alunos poderão criar um teatro de sombras que represente as histórias contadas nas canções. Isso fomentará uma maneira nova de apreciar a narrativa presente nas letras, aproximando ainda mais os estudantes da temática da resistência.

4. Cine Debate: Assistir a um documentário relevante que aborde a história do samba ou do rap e promover um debate após a exibição. Essaatividade é uma forma efectiva de relacionar a música com cursos históricos e sociais mais amplos.

5. Oficina de Poesia: Inspirados pelas letras de João Gilberto e Racionais MC’s, os alunos podem participar de uma oficina de poesia focada na resistência e identidade cultural. O resultado final será uma apresentação de poesias em um sarau, permitindo uma expressão artística coletiva.

Com estas propostas, os alunos terão a oportunidade de vivenciar a capacidade transformadora da música e da arte, sempre buscando refletir sobre a realidade que os cerca e como eles podem, através de sua própria expressão, impactar positivamente a sociedade.


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