“5 Questões sobre a História da Educação dos Surdos”

Questões sobre: historia da educação dos surdos

📚 Área: Multidisciplinar

🎓 Nível: Graduação

📊 Quantidade: 5 questões

Planejamentos de Aula BNCC Infantil e Fundamental

📝 Tipos: Múltipla escolha, Verdadeiro ou Falso, Completar lacunas

📅 Data de Criação: 07/10/2025

TEXTO BASE

Os trabalhos realizados em instituições somente apareceram no final do século XVIII. Até esta época, eram os preceptores (médicos, religiosos ou gramáticos) quem realizava essa tarefa. Sabemos que, antes de 1750, a maioria dos surdos que nasciam não eram alfabetizados ou instruídos.

Em 1790, no lugar de L’Épée, Abbé Sicard (1742 – 1822) foi nomeado diretor do Instituto Nacional de Surdos-Mudos. Ele publicou dois livros: uma gramática geral e um relato de como havia treinado Jean Massieu (surdo). Com a morte de Sicard, foi nomeado como diretor do Instituto seu discípulo Massieu, um dos primeiros professores surdos do mundo. Esse fato desencadeou uma grande disputa pelo poder, envolvendo outros dois estudiosos da surdez, Itard e Gérando, ocasionando o afastamento de Massieu da direção do Instituto.

Jean-Marc Itard (1775 – 1838) foi um médico-cirurgião francês que se tornou médico residente do Instituto Nacional de Surdos-Mudos de Paris, em 1814. Ele estudara com Philippe Pinel, pai da Psiquiatria, e seguia os pensamentos do filósofo Condillac, para quem as sensações eram a base para o conhecimento humano e que reconhecia somente a experiência externa como fonte de conhecimento. Dentro desta concepção, era exigida a erradicação ou a “diminuição” da surdez para que o surdo tivesse acesso a este conhecimento.

Itard iniciou um trabalho com o Garoto Selvagem, em 1799, descrito no filme francês de 1970, O Garoto Selvagem, de François Truffaut. Trata-se de Victor, um menino encontrado nos bosques de Aveyron, por volta dos 12 anos de idade, deslocando-se de quatro, comendo bolotas de carvalho e levando uma vida de animal. Quando foi levado para Paris, em 1800, despertou um enorme interesse filosófico e pedagógico: Como ele pensava? Podia ser instruído? Itard trabalhou com o Garoto Selvagem por cinco anos e foi constatado que Victor nunca adquiriu linguagem, foi somente forçado a falar. A história de Victor é tão interessante que serviu de inspiração para um filme da Disney de nome Mogly, O Menino Lobo.

Itard dedicou grande parte de seu tempo tentando entender quais as causas da surdez. Sua primeira constatação foi a de que a causa dela não era visível. Seus próximos passos foram dissecar cadáveres de surdos, dar descargas elétricas em seus ouvidos, usar sanguessugas para provocar sangramentos e furar as membranas timpânicas de alunos, fazendo com que um deles fosse levado à morte e outros tivessem fraturas cranianas e infecções devido às suas intervenções. Itard nunca aprendeu a Língua de Sinais. Seu trabalho era todo voltado para a discriminação dos instrumentos musicais para posteriormente chegar à discriminação de palavras e criou o curso de articulação para surdos-mudos aproveitáveis. Após 16 anos de trabalho incessante para chegar à oralização, Itard rendeu-se ao fato de que o surdo só pode ser educado por meio da Língua de Sinais.

O barão de Gérando era filósofo, administrador, historiador e filantropo. Ganhou a disputa pelo cargo de diretor do Instituto Nacional de Surdos-Mudos de Paris, mencionada anteriormente. Gérando acreditava na superioridade do povo europeu e sua intenção era equiparar os selvagens aos europeus. Para ele, os surdos entravam na categoria de selvagens e sua língua era vista como pobre quando comparada à língua oral e não deveria ser usada na educação. Com esta concepção, os professores surdos da escola foram substituídos pelos professores ouvintes e a oralização era seu principal objetivo. “Os sinais deveriam ser banidos da educação”. Após anos de trabalho, reconheceu, antes de morrer, a importância do uso dos sinais.

O filho de Thomas Gallaudet, Edward Gallaudet, fundou em 1864 a primeira faculdade para surdos, localizada em Washington. Após anos trabalhando com surdos, Edward resolveu fazer uma grande viagem, visitando outros países e outras instituições para verificar se seu método estava adequado. Voltou dessa viagem apoiando o trabalho de Oralismo e adotou “como papel da escola fornecer treinamento de articulação e em leitura orofacial para aqueles alunos que poderiam se beneficiar deste treinamento”. No mesmo ano em que foi instituído o Oralismo, Clerc, que sempre defendeu o uso da Língua de Sinais, faleceu (1869). O Oralismo foi a principal forma de educação dos surdos nos 80 anos posteriores.

A universidade Gallaudet, como é chamada atualmente, é ainda a única escola superior de artes liberais para estudantes surdos do mundo, e a primeira língua utilizada nas aulas da universidade foi a Língua de Sinais. Outro defensor do Oralismo foi Alexandre Graham Bell (1847 – 1922), cientista e inventor do telefone. Ele era filho de surda e casado com Mabel, que perdera a audição quando jovem. Oralizada, ela não gostava de estar na presença dos surdos. Para ele, a surdez era um desvio. Os surdos deveriam se passar por ouvintes encaixados num mundo ouvinte e um aluno surdo ter como professor um instrutor surdo só serviria como empecilho para sua integração com a comunidade ouvinte. Bell acreditava que os surdos deveriam estudar junto com os ouvintes, não como direito, mas para evitar que se unissem, que se casassem e criassem congregações. O fato de que os surdos se casassem, para ele, representava um perigo para a sociedade. Criou o telefone em 1876, tentando criar um acessório para surdos. Veditz, ex-presidente da Associação Nacional dos surdos, ressalta que Bell foi considerado “o mais temido inimigo dos surdos americanos”.

As instituições de educação de surdos se disseminaram por toda a Europa e, em 1878, em Paris, aconteceu o I Congresso Internacional de Surdos-Mudos, instituindo que o melhor método para educação dos surdos consistia na articulação com leitura labial e no uso de gestos nas séries iniciais. Essa determinação somente durou dois anos, pois em 1880, em Milão, ocorreu o II Congresso Mundial de Surdos-Mudos, que promoveu uma votação para definir qual seria a melhor forma de educar uma pessoa surda. A partir desta votação com os participantes do congresso, foi recomendado que o melhor método seria o oral puro, abolido oficialmente o uso da Língua de Sinais na educação dos surdos. Vale ressaltar que apenas um surdo participou do congresso, mas não teve direito de voto, sendo convidado a se retirar da sala de votação.

As determinações do Congresso foram: A fala é incontestavelmente superior aos sinais e deve ter preferência na educação dos surdos; O método oral puro deve ser preferido ao método combinado. A partir do II Congresso Internacional de Surdos-mudos, o método oral foi adotado em vários países da Europa, acreditando-se que esta era a melhor maneira para o surdo receber a instrução no ambiente escolar.

Acreditamos que esta foi uma fase de extrema importância para entendermos o processo que se deu na educação dos surdos. Quando eles já estavam em uma situação diferenciada, sendo instruídos, educados e usuários de uma língua que lhes permitia conhecimento do mundo, uma determinação mundial lhes colocou de novo em uma posição submissa, proibindo-os, a partir daquela data, de usarem a língua que lhes era de direito.

A partir da convivência que temos tido com as pessoas surdas, percebemos que se trata de uma comunidade que costuma, em sua maioria, conviver em “guetos”, optar por casamentos entre si e estudar com os iguais. Muitos se mostraram desconfiados quando os ouvintes se aproximam, pois se consideram incompreendidos. Podemos entender que este comportamento é resultado dessas ações de mais de dois séculos. Ainda colhemos frutos amargos delas.

Não podemos deixar de levar em conta que o passado foi necessário para chegarmos a um presente mais adequado e naquela época histórica aquelas ações eram consistentes. Os surdos, muitas vezes, foram usados, deslocados e colocados em situação de desconforto social que lhes causou muito sofrimento e tudo isso muito mais por não serem usuários de uma língua oral do que por serem surdos. O que observamos fazendo essa retrospectiva histórica é que muitos estudiosos defensores do Oralismo, depois de uma vida de tentativas, resolveram aceitar o uso da Língua de Sinais como possibilidade para o surdo.

Conjunto de Questões

Questões de Avaliação

  1. Qual foi a principal contribuição de Abbé Sicard para a educação de surdos?

    A) Ele fundou a primeira faculdade para surdos.

    B) Ele publicou livros sobre gramática e ensino de surdos.

    C) Ele desenvolveu a Língua de Sinais.

    D) Ele foi o primeiro a defender o Oralismo.

    E) Ele criou o método de articulação para surdos.

    Dificuldade: Média

    Habilidade: Compreensão de leitura e interpretação histórica.

  2. Verdadeiro ou Falso: Alexandre Graham Bell acreditava que a surdez era um desvio e deveria ser tratada como tal.

    A) Verdadeiro

    B) Falso

    Dificuldade: Fácil

    Habilidade: Análise crítica de informações.

  3. Complete a lacuna: O II Congresso Internacional de Surdos-Mudos, realizado em Milão em 1880, _______________ o uso da Língua de Sinais na educação dos surdos.

    Dificuldade: Média

    Habilidade: Compreensão de eventos históricos.

  4. Qual foi a consequência da adoção do método oral após o II Congresso Internacional de Surdos-Mudos?

    A) Os surdos passaram a ter mais acesso à educação.

    B) O uso da Língua de Sinais foi oficialmente proibido.

    C) Os professores surdos foram valorizados.

    D) A educação dos surdos se tornou mais inclusiva.

    E) O interesse pela educação dos surdos diminuiu.

    Dificuldade: Alta

    Habilidade: Reflexão crítica e análise de consequências.

  5. Verdadeiro ou Falso: O barão de Gérando inicialmente apoiou o uso da Língua de Sinais na educação dos surdos.

    A) Verdadeiro

    B) Falso

    Dificuldade: Média

    Habilidade: Análise crítica de informações.

Gabarito Comentado

  1. Resposta correta: B) Ele publicou livros sobre gramática e ensino de surdos.

    Justificativa: Abbé Sicard foi um dos principais educadores de surdos e suas publicações ajudaram a formalizar o ensino nesta área.

  2. Resposta correta: A) Verdadeiro

    Justificativa: Bell via a surdez como um desvio que deveria ser tratado e evitado.

  3. Resposta correta: aboliu

    Justificativa: O II Congresso Internacional de Surdos-Mudos resultou na proibição do uso da Língua de Sinais na educação.

  4. Resposta correta: B) O uso da Língua de Sinais foi oficialmente proibido.

    Justificativa: O congresso definiu que o método oral seria a única forma de educação para surdos, excluindo o uso de sinais.

  5. Resposta correta: B) Falso

    Justificativa: O barão de Gérando inicialmente não apoiou o uso da Língua de Sinais, preferindo a oralização.


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