“Valorização da Tradição Oral: A Importância dos Griôs”
No presente plano de aula, abordaremos o tema “Os griôs do meu território”, focando na importância da tradição oral e na valorização das histórias que permeiam a cultura local. Os griôs são contadores de histórias que guardam e transmitem conhecimentos, lendas e memórias de seus povos, desempenhando um papel fundamental na preservação da identidade cultural e da memória coletiva. Através da atividade proposta, os alunos terão a oportunidade de se conectar com suas raízes culturais, valorizando a oralidade e reconhecendo a relevância dos griôs na construção da identidade.
O plano de aula foi elaborado para quatro encontros de 50 minutos cada, destinado a alunos do 3º ano do Ensino Médio, com idades entre 15 e 20 anos. Os encontros buscarão promover um espaço de reflexão crítica sobre a importância dos griôs e como essa prática se relaciona com a contemporaneidade. Será um momento de interação, aprendizado e autoexpressão, proporcionando oportunidades para que os alunos se tornem protagonistas na sua formação cultural e artística.
Tema: Os griôs do meu território
Duração: 50 minutos por aula (4 aulas)
Etapa: Ensino Médio
Sub-etapa: 3º Ano Médio
Faixa Etária: 15 a 20 anos
Objetivo Geral:
Desenvolver nos alunos a capacidade de compreender e valorizar a tradição oral como um patrimônio cultural significativo, por meio da vivência prática e reflexiva sobre as narrativas dos griôs de suas comunidades.
Objetivos Específicos:
– Fomentar a análise crítica sobre o papel dos griôs na sociedade contemporânea.
– Estimular a produção de narrativas orais e visuais inspiradas nas histórias locais.
– Promover a pesquisa e o diálogo intercultural a partir das experiências vividas pelos alunos.
– Incentivar o protagonismo juvenil na valorização da cultura local e na construção da identidade.
Habilidades BNCC:
– (EM13LGG101) Compreender e analisar os processos de produção e circulação de discursos, nas diferentes linguagens, para fazer escolhas fundamentadas com base nos interesses pessoais e coletivos.
– (EM13LGG202) Analisar interesses, relações de poder e perspectivas de mundo nos discursos das diversas práticas de linguagem, compreendendo criticamente como elas se constituem e (re)produzem significados e ideologias.
– (EM13CHS104) Analisar objetos e vestígios da cultura material e imaterial de modo a identificar conhecimentos, valores, crenças e práticas que caracterizam a identidade e a diversidade cultural de diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.
– (EM13LP27) Engajar-se na busca de solução para problemas que envolvam a coletividade, denunciando o desrespeito a direitos, organizando e/ou participando de discussões, campanhas e debates, produzindo textos reivindicatórios.
– (EM13LGG402) Empregar, nas interações sociais, a variedade e o estilo de língua adequados à situação comunicativa, respeitando os usos das línguas.
Materiais Necessários:
– Caderno e canetas para anotações.
– Aparelhos de gravação (smartphones, gravadores de áudio).
– Recursos visuais (cartolinas, canetas coloridas, tesoura, colas).
– Acesso à internet para pesquisa.
– Excertos de vídeos e textos sobre griôs e tradições orais.
Situações Problema:
1. Como as histórias contadas pelos griôs contribuem para a formação da identidade cultural de uma comunidade?
2. Quais elementos são comuns nas narrativas orais que passam de geração em geração?
3. Como a prática da oralidade pode ser ressignificada no contexto digital contemporâneo?
Contextualização:
Os griôs desempenham uma função essencial nas sociedades tradições, sendo responsáveis por transmitir e preservar a memória coletiva das comunidades. Em um mundo em que as novas tecnologias dominam a comunicação, entender a importância desses contadores de histórias é vital para manter viva a cultura local e sua riqueza narrativa. Os alunos serão instigados a pesquisar e se relacionar com histórias que lembrem suas próprias vivências, assim como as experiências culturais que permeiam suas comunidades.
Desenvolvimento:
A aula será organizada em quatro encontros, cada um abordando um aspecto específico da tradição oral:
Aula 1: Introdução aos Griôs
– Objetivo: Compreender o conceito de griô e sua importância cultural.
– Atividade: Discussão em grupo sobre educadores e contadores de histórias na comunidade. Os alunos devem trazer um exemplo de alguém que desempenhe esse papel. Após a discussão, serão exibidos vídeos curtos sobre griôs de diferentes locais.
– Materiais: Vídeos e textos manuscritos.
– Adaptação: Para alunos com dificuldades de aprendizado, podem ser fornecidos resumos dos vídeos.
Aula 2: Narrativas e Identidade
– Objetivo: Explorar como as histórias moldam identidades culturais.
– Atividade: Os alunos devem entrevistar um membro da família ou comunitário sobre uma história ou lenda local. Eles devem gravar as entrevistas.
– Materiais: Gravadores smartphones, questionários para entrevistas.
– Adaptação: Alunos que não puderem realizar entrevistas poderão pesquisar histórias em livros ou internet.
Aula 3: Criação e Contação
– Objetivo: Criar uma narrativa original com base nas histórias coletadas.
– Atividade: Em grupos, criar uma narrativa que una elementos das histórias ouvidas, criando uma nova lenda. Apresentações em forma de contação de história.
– Materiais: Cartolinas, canetas, materiais de apoio para montagem de apresentações.
– Adaptação: Os alunos com dificuldades podem optar por dramatizar a história em vez de contá-la oralmente.
Aula 4: Reflexão e Apresentação
– Objetivo: Compartilhar as experiências e refletir sobre o aprendizado.
– Atividade: Apresentação das histórias criadas para a turma, seguida de reflexão coletiva sobre o que aprenderam sobre os griôs, oralidade e sua importância na cultura local.
– Materiais: Espaço para apresentações e possibilidade de gravar as contações para análise futura.
– Adaptação: Estudantes com dificuldades podem trabalhar em grupos menores para serem mais confortáveis.
Atividades sugeridas:
1. Pesquisas de Griôs: Alunos devem investigar na internet sobre griôs de diferentes culturas (Exemplo: griôs africanos, nordestinos, quilombolas).
2. Registro de Contos: Criar um caderno de contos onde cada aluno escreva sua história ou a história de um griô que ouviu, com ilustrações.
3. Apresentações Criativas: Organizar uma feira cultural onde os alunos apresentem suas histórias em forma de peças de teatro, contação ou vídeos.
4. Diálogos Interculturais: Convidar griôs locais para contarem suas histórias, promovendo um espaço de diálogo entre diferentes culturas e saberes.
Discussão em Grupo:
Ao final das propostas, questionar em grupo:
– Como a oralidade impacta sua visão sobre o mundo?
– Quais são as implicações de não preservar e valorizar a tradição oral?
Perguntas:
1. O que você aprendeu sobre a função dos griôs na sua comunidade?
2. Como as histórias podem ser utilizadas para abordar questões contemporâneas?
3. Qual é a relevância da tradição oral no mundo digital?
Avaliação:
A avaliação será contínua e levará em consideração a participação dos alunos nas atividades, a realização das entrevistas, a qualidade e criatividade das histórias reproduzidas e a reflexão final apresentada.
Encerramento:
Fazer uma rodada de agradecimentos coletivos, onde alunos partilham brevemente o que mais gostaram nas aulas e que história ou situação impactou mais em suas vidas.
Dicas:
– Incentive os alunos a trazerem elementos visuais ou sonoros que remetam à cultura local.
– Use recursos audiovisuais para enriquecer a discussão sobre griôs.
– Crie um ambiente acolhedor que fomente a expressão espontânea e o respeito pelas diferentes histórias.
Texto sobre o tema:
A tradição oral é um dos pilares fundamentais da cultura humana e a figura do griô é essencial nesse contexto. No Brasil, particularmente, essa prática é marcada por uma rica diversidade cultural que inclui narrativas de diferentes etnias e regiões. Os griôs, como portadores da memória coletiva, mantêm vivas as histórias que traduzem a sabedoria, valores e experiências de gerações passadas. A oralidade permite uma conexão profunda entre as pessoas, uma troca que transcende as simples palavras e se torna um meio poderoso de educação e identidade. Assim sendo, as histórias que os griôs contam não são apenas entretenimento, mas também formas de compreensão e contextualização da realidade, entrelaçando passado e presente.
Além disso, o processo de narrar e ouvir histórias é essencial para a formação da identidade de um povo. Por meio das tradições orais, as gerações mais jovens podem compreender as raízes culturais e sociais de suas comunidades, fortalecendo seu senso de pertencimento. As histórias de griôs muitas vezes versam sobre questões essenciais, como a luta pela sobrevivência, o respeito à natureza e os valores da convivência. Por conseguinte, ao trabalhar o tema em sala de aula, é fundamental ir além do relato e promover uma verdadeira imersão nesse universo. Assim, ao estimular a pesquisa e a produção de narrativas, os alunos são incentivados a se tornarem contadores de suas próprias histórias, ao mesmo tempo em que aprendem a valorizar e reconhecer a diversidade cultural que os cerca.
Com as aulas de griôs, a proposta é que os alunos visualizem a oralidade como um patrimônio que deve ser preservado e valorizado, refletindo sobre suas próprias experiências e a forma como as histórias se entrelaçam com a cultura local. Acima de tudo, o importante é despertar a consciência crítica para que os jovens se tornem agentes transformadores de suas realidades, valorizando suas tradições e contribuindo para a coexistência harmoniosa de diversas culturas em um mundo cada vez mais plural.
Desdobramentos do plano:
A realização deste plano permite uma profundidade nas conversas em sala de aula sobre identidade cultural, valorização das tradições e impactos das tecnologias na forma como consumimos e criamos histórias. A imersão no universo dos griôs pode também levar a discussões acerca da necessidade de registrar e preservar essas narrativas, principalmente em tempos em que a primeira opção é muitas vezes digital e fugaz. Ao envolver os alunos na coleta de histórias e na discussão sobre a relevância dos griôs e a oralidade, cada um pode se tornar um emissor de suas próprias narrativas, aprendendo a dar voz ao que pode estar sendo esquecido.
Além disso, os encontros também promovem habilidades essenciais de comunicação e criatividade. Em um espaço seguro e respeitoso, eles aprendem a expressar histórias, a escutar, a valorizar o que os outros têm a dizer e a construir juntos um conhecimento compartilhado. As atividades práticas e a aplicação da oralidade na criação de novos contos proporcionam uma oportunidade valiosa para capacitar os alunos a serem arredores das ricas tradições culturais que habitam suas comunidades.
Por fim, ao valorizar a prática dos griôs, o plano permite uma conexão com aspectos mais amplos da cidadania, direitos humanos e consciência social, encorajando os alunos a atuarem como protagonistas em suas realidades. Ao refletir sobre histórias que carregam memórias coletivas, as futuras gerações serão motivadas a lutar pela preservação e a promoção da diversidade cultural em todas as suas formas, reconhecendo a importância da tradição oral na formação de identidades e no fortalecimento do tecido social.
Orientações finais sobre o plano:
Este plano de aula deve ser visto como uma oportunidade de contribuir significativamente com a educação dos jovens. A profundidade da temática dos griôs interage com a importância da oralidade no mundo contemporâneo, e seu impacto em como os jovens percebem e vivem as suas histórias. A valorização e o respeito à diversidade cultural que permeia nosso Brasil serão abordados pelos alunos, promovendo o reconhecimento de que sua própria história também faz parte de um todo mais amplo.
É fundamental que o professor esteja aberto a novas experiências e incentivando os alunos a trazerem elementos de sua cultura pessoal e estudos para compartilhar com seus colegas. A riqueza da oralidade se manifesta na pluralidade de vozes e vivências, e essa diversidade deve ser celebrada durante o desenvolvimento das aulas. O engajamento dos alunos é crucial para que as discussões sejam cada vez mais significativas e para cultivar um ambiente de aprendizagem que respeite a história e a cultura de todos.
Ao final deste percurso, espera-se que os alunos não apenas tenham adquirido conhecimento sobre os griôs e suas tradições, mas também se sintam capacitados a compartilhar suas histórias e se tornem defensores da oralidade como um patrimônio cultural a ser guardado e transmitido. Assim, a cultura oral e os griôs da comunidade se tornam um elo forte e vibrante que liga as gerações, garantindo que as vozes do passado permaneçam vivas na memória coletiva.
5 Sugestões lúdicas sobre este tema:
1. Teatro de Sombras: Os alunos podem criar um teatro de sombras utilizando contos que ouviram ou criaram, experimentando a narrativa de uma forma visual e lúdica.
– Objetivo: Incentivar a criatividade e a visualização de histórias.
– Materiais: Cartolinas, lanterna e espaço apropriado para a apresentação.
2. Roda de Histórias: Organizar uma roda de histórias onde cada aluno conta uma parte de uma história coletiva.
– Objetivo: Fortalecer a comunidade sala de aula e a habilidade de contação.
– Materiais: Almofadas e uma sineta para sinalizar quem deve falar.
3. Jogo dos Contadores: Criar um jogo de tabuleiro onde os alunos devem avançar contando partes de histórias e/ou respondendo perguntas relacionadas a culturas locais.
– Objetivo: Estimular o aprendizado ativo e divertido sobre tradições orais.
– Materiais: Tabuleiro, dados, fichas e cartas com temas.
4. Caixa de Memórias: Os alunos podem criar uma caixa de memórias com objetos que representem histórias contadas por griôs e por eles mesmos em suas vidas.
– Objetivo: Dar sentido e importância a objetos como narrativas da cultura local.
– Materiais: Caixas, recursos para decoração e objetos diversos.
5. Podcast de Histórias: Os alunos podem gravar um episódio de podcast onde contam suas histórias ou as histórias ouvistas, explorando o uso de mídias digitais para a transmissão de informações.
– Objetivo: Envolver os alunos em um ambiente digital e prepará-los para novas formas de contação de histórias.
– Materiais: Equipamentos de gravação e edição de áudio.
Com essas sugestões, espera-se que a aprendizagem sobre os griôs se torne um processo lúdico e significativo, permitindo que os alunos se conectem ainda mais com sua cultura e suas identidades.

