“Plano de Aula: Compreendendo a Cartografia no 1º Ano do Ensino Médio”
A elaboração deste plano de aula tem como foco o tema da cartografia, buscando proporcionar aos alunos do 1º ano do Ensino Médio uma compreensão profunda sobre as técnicas e conceitos essenciais relacionados a essa disciplina. A cartografia, sendo a ciência que estuda as representações gráficas da superfície terrestre, é fundamental para a formação de cidadãos críticos e conscientes da importância do espaço em que vivem, bem como das diversas formas de representação geográfica. Este plano de aula está estruturado para ser utilizado em duas aulas, permitindo uma abordagem mais detalhada e aprofundada sobre o assunto.
A proposta inclui atividades práticas e teóricas que estimulam a investigação, análise e crítica dos mapas, assim como a discussão sobre os impactos sociais, culturais e ambientais que as representações cartográficas podem engendrar. Utilizando as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), este plano almeja não somente o desenvolvimento do conhecimento cartográfico, mas também a integração de competências necessárias para o contexto da sociedade contemporânea.
Tema: Cartografia
Duração: 2 aulas
Etapa: Ensino Médio
Sub-etapa: 1º Ano Médio
Faixa Etária: 15 anos
Objetivo Geral:
Desenvolver uma compreensão crítica sobre a cartografia e sua aplicação em representar e entender a dinâmica do espaço geográfico, bem como discutir os impactos sociais e culturais das representações cartográficas.
Objetivos Específicos:
1. Compreender o conceito de mapa e suas diferentes tipologias.
2. Analisar e interpretar informações contidas em diversos tipos de mapas.
3. Produzir mapas temáticos que representem diferentes realidades sociais e geográficas.
4. Refletir sobre a influência da cartografia na construção de conhecimentos e informações sobre a sociedade.
Habilidades BNCC:
– EM13CHS101: Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
– EM13CHS106: Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica, diferentes gêneros textuais e tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais, incluindo as escolares, para resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
– EM13CHS206: Analisar a ocupação humana e a produção do espaço em diferentes tempos, aplicando os princípios de localização, distribuição, ordem, extensão, conexão, arranjos, casualidade, entre outros que contribuem para o raciocínio geográfico.
– EM13MAT509: Investigar a deformação de ângulos e áreas provocada pelas diferentes projeções usadas em cartografia (como a cilíndrica e a cônica), com ou sem suporte de tecnologia digital.
Materiais Necessários:
– Papel milimetrado e papel kraft.
– Régua, lápis e borracha.
– Computadores com acesso à internet (para atividades digitais).
– Impressora.
– Exemplos de diferentes tipos de mapas (físicos, políticos, temáticos, etc.).
– Software de cartografia digital (como Google Earth ou QGIS) para explorar você mesmo no final da aula.
Situações Problema:
1. Por que diferentes tipos de mapas são utilizados em situações distintas?
2. Como a representação cartográfica pode alterar a percepção que temos sobre um determinado espaço?
3. Como as projeções utilizadas na cartografia podem influenciar as informações apresentadas em um mapa?
Contextualização:
A cartografia é uma ciência essencial que liga diversos campos do conhecimento, como a geografia, a história e as ciências sociais. O entendimento e a produção de mapas são habilidades necessárias para que os alunos estabeleçam relações entre as características do espaço geográfico e as dinâmicas sociais e culturais que o envolvem. Num mundo onde as informações visuais dominam, ser capaz de interpretar e criticar mapas é uma competência valiosa.
Desenvolvimento:
A seguir, a estrutura das duas aulas:
Aula 1: Introdução à Cartografia e Tipos de Mapas
1. Iniciar a aula apresentando o conceito de cartografia e sua importância na representação do espaço.
2. Discutir as diferentes tipos de mapas (mapas políticos, físicos, temáticos, etc.), ressaltando suas características e usos.
3. Em grupos, os alunos deverão pesquisar um tipo específico de mapa na internet, e desenvolver uma breve apresentação para compartilhar com a turma.
4. Exibir exemplos de mapas em diferentes contextos e perguntar aos alunos: “O que esse mapa nos diz sobre a realidade que representa?”.
5. Realizar atividades práticas de interpretação de mapas, explorando sua simbologia, escalas e legendas.
Aula 2: Produção de Mapas e Análise Crítica
1. Revisar os conceitos discutidos na aula anterior.
2. Introduzir a atividade de produção de mapas temáticos em grupos, onde cada grupo deverá escolher um tema relevante (como questões ambientais, demográficas ou sociais) para representar graficamente.
3. Utilizar recursos digitais para a produção dos mapas, com possibilidade de uso do Google Earth ou outros softwares.
4. Cada grupo apresentará seu mapa e discutirá as escolhas feitas na representação, analisando os dados utilizados e sua relevância e interpretação.
5. Encerre com uma reflexão sobre como a cartografia pode influenciar a percepção das realidades sociais apresentadas nos mapas.
Atividades sugeridas:
Atividade 1: Análise de Mapas Clássicos
– Objetivo: Entender como a cartografia evoluiu ao longo do tempo.
– Descrição: Utilize mapas históricos e modernos para discutir as mudanças na representação geográfica.
– Instruções: Os alunos devem escolher um mapa e discutir como as mudanças nessa representação refletem mudanças sociais e tecnológicas.
Atividade 2: Mapa da Classe
– Objetivo: Criar um mapa temático da sala de aula que represente dados coletados.
– Descrição: Os alunos devem coletar dados sobre a distribuição de emoções ou comportamentos dos alunos na sala.
– Instruções: Organizar a turma em grupos para coletar os dados e representá-los visualmente em um mapa.
Atividade 3: Uso de Software de Cartografia
– Objetivo: Aprender a utilizar softwares de mapeamento digital.
– Descrição: Os alunos usarão um programa como Google Earth para criar um mapa de uma área local, incluindo pontos de interesse.
– Instruções: Orientar os alunos a explorar funcionalidades do software e como as informações se integram nas representações cartográficas.
Atividade 4: Debate sobre Mapas
– Objetivo: Refletir criticamente sobre a influência da cartografia nas percepções sociais.
– Descrição: Organizar um debate sobre a representação de um conflito geopolítico via mapas.
– Instruções: Dividir a turma em grupos que defenderão diferentes perspectivas sobre a interpretação do mapeamento do conflito.
Atividade 5: Mapa das Emoções
– Objetivo: Criar um mapa visual que represente os sentimentos dos alunos sobre uma determinada situação social.
– Descrição: Os alunos desenharão um mapa simbólico de uma situação emocional.
– Instruções: Os alunos devem refletir sobre como cada cor ou símbolo escolhido representa suas emoções e as sensações que tiveram.
Discussão em Grupo:
Promover a discussão sobre as percepções adquiridas a partir dos mapas estudados. Questões podem incluir: “De que maneira a visualização de dados geográficos pode influenciar nossa compreensão da realidade?” e “Quais os impactos sociais dos tipos de mapas que criamos em nossa atividade?”
Perguntas:
1. Qual o principal objetivo de um mapa?
2. Como as diferentes projeções afetam a leitura de um mapa?
3. De que maneira a cartografia pode ser utilizada para discutir questões sociais?
Avaliação:
A avaliação será contínua, baseada na participação nas atividades, na qualidade dos mapas produzidos e na capacidade de análise crítica demonstrada nas discussões. Os alunos também podem ser solicitados a escrever um texto reflexivo sobre o seu aprendizado.
Encerramento:
Conclua a aula reforçando a importância da cartografia na compreensão do mundo. Encoraje os alunos a continuar explorando mapas e suas representações em diferentes contextos.
Dicas:
– Incentive o uso de recursos digitais para a realização das atividades.
– Promova debates e reflexões abertas, permitindo que os alunos expressem suas opiniões.
– Esteja atento às diferentes habilidades e níveis de compreensão dos alunos, adaptando as atividades conforme necessário.
Texto sobre o tema:
A cartografia é uma das mais antigas formas de comunicação humana e é fundamental para a compreensão espacial. Desde os primeiros mapas, usados para se orientar, até os modernos sistemas de informação geográfica, a cartografia evoluiu significativamente. No passado, os mapas eram frequentemente representações estilizadas da realidade e, muitas vezes, refletiam a visão de mundo de suas culturas de origem. Cada traço e cada cor utilizados contavam uma história e mostravam a forma como as sociedades viam o espaço ao seu redor.
Além de sua natureza utilitária, os mapas também têm um forte lado subjetivo. As projeções cartográficas, por exemplo, podem distortar a realidade de diferentes maneiras e influenciar como as pessoas percebem os espaços geográficos e as relações de poder. Um bom exemplo disso é a projeção de Mercator, que tende a exagerar o tamanho das regiões polares, enquanto as áreas equatoriais aparecem em escala muito menor. Essa e outras distorções cartográficas não são apenas questões técnicas, mas possuem implicações sociais significativas, pois podem impactar como as pessoas pensam sobre questões ao redor do planeta. Os mapas que estudamos não são meras ferramentas; eles são também produtos de uma sociedade, refletindo suas preocupações, seus valores e suas ideologias.
Em um mundo onde a informação geográfica se torna cada vez mais acessível, educar os jovens sobre a cartografia é um passo essencial para promover cidadãos críticos e informados. A capacidade de interpretar, questionar e criar representações cartográficas não apenas contribui para a educação geográfica, mas também fortalece o entendimento social e cultural. Os alunos não devem apenas ser consumidores de informações; devem ser também criadores e críticos, capazes de questionar como os dados são representados e que narrativas estão sendo construídas a partir dessas representações.
Desdobramentos do plano:
Este plano de aula pode ser estendido para outras áreas de conhecimento, como história, geografia e ciências políticas. Ao explorar a cartografia, os alunos podem analisar como os mapas foram utilizados historicamente para justificar imperialismos e desigualdades sociais. É possível também convidar alunos de outras disciplinas para colaborarem em projetos interdisciplinares que fomentem debates sobre questões sociais relacionadas à representação do espaço geográfico. Por exemplo, ao analisar um mapa sobre a distribuição da população em uma área urbana, é possível entrar em discussões sobre os aspectos socioeconômicos que levam a essa distribuição.
Além disso, o plano pode ser utilizado para instituir dias temáticos sobre cartografia, onde alunos de diferentes turmas possam expor seus trabalhos e fazer debates abertos sobre suas pesquisas. Isso não pode apenas fomentar o aprendizado entre pares, mas também criar um senso de comunidade escolar em torno do conhecimento geográfico e suas implicações. Outras iniciativas, como visitas a instituições que trabalhem com geografia ou exposições sobre mapear podem enriquecer a vivência dos alunos.
Por fim, uma reflexão sobre a tecnologia e seu papel na cartografia moderna também pode ser um desdobramento interessante. Discutir sobre como os aplicativos de GPS e plataformas de mapeamento online têm transformado a percepção que temos de nosso espaço e como esses serviços moldam o comportamento humano pode levar a conversas críticas sobre privacidade, propriedade de dados e autoconhecimento. As implicações éticas de ter que se mapear e ser mapeado são tópicos importantes a serem discutidos na sala de aula, trazendo a cartografia para o século XXI de uma maneira que os alunos possam entender e avaliar criticamente.
Orientações finais sobre o plano:
É fundamental que ao longo das aulas, o educador sempre conecte os conceitos teóricos às práticas visuais de mapas, ajudando os alunos a ver a relevância do aprendizado na cartografia para suas vidas diárias e para o entendimento do mundo em que vivem. Sugestionar que os alunos mantenham um diário de observações geográficas pode ser uma estratégia útil, onde eles registram como as representações e as percepções sobre espaço se alteram com as suas experiências cotidianas. Este diário de observações não apenas complementa a aprendizagem, mas também permite o desenvolvimento de habilidades críticas e reflexivas.
Promover um ambiente de debate aberto é essencial para facilitar a discussão e a interação entre os alunos. Ao encorajá-los a expressar suas opiniões e anedóticas sobre geografia e cartografia, o professor pode criar um espaço inclusivo de aprendizado. É importante que todos os alunos se sintam respeitados em suas necessidades e opiniões, estabelecendo um ambiente onde as diferenças de pensamento são celebradas e vistas como oportunidade de aprendizado.
O ensino de cartografia deve ser um processo dinâmico e interativo. Utilizar tecnologias de mapeamento digital, como aplicativos e mapas online, para realizar comparações diretas entre representações antigas e novas pode enriquecer a visão dos alunos e engajá-los em discussões mais significativas sobre como os dados são transformados em conhecimentos. Essas orientações devem ser percebidas como parte de um processo contínuo de aprendizado e devem estar sempre abertas a ajustes conforme as necessidades e interesses dos alunos evoluem.
5 Sugestões lúdicas sobre este tema:
1. Caça ao Tesouro Cartográfico: Desenvolver um jogo em sala que utilize mapas para levar os alunos a encontrarem “tesouros” escondidos. Os alunos devem seguir pistas representadas em um mapa, adquirindo conhecimento sobre símbolos e escalas à medida que avançam.
2. Criando Mapas da Memória: Cada aluno pode desenhar um mapa que represente momentos marcantes de suas vidas. Essa atividade ajuda a solidificar a compreensão dos elementos que compõem um mapa ao mesmo tempo em que permite uma expressão pessoal.
3. Experiência com Mapas em 3D: Utilizar materiais recicláveis para que os alunos criem relevo em 3D de um mapa que estejam estudando. Isso ajuda a entender a elevação dos terrenos, bem como a representação espacial em um nível mais físico.
4. Mapeando a História da Escola: Um projeto onde os alunos representam a história da própria escola através de um mapa. Isso pode incluir figuras-chave, datas importantes e outras representações que contem a história do lugar.
5. Walk and Map: Realizar uma caminhada pelos arredores da escola onde os alunos devem fazer anotações e esboços de seus próprios mapas com o que observam no local. O mapa pode ser complementado com a coleta de dados que contemple pontos de interesse, locais de serviço, entre outros.
Dessa forma, os alunos não apenas recebem conhecimento sobre cartografia, mas também se tornam agentes ativos na construção do seu aprendizado e na compreensão do espaço ao seu redor.

