Plano de Aula Inclusivo: Conservação de Quantidade para Bebês
Este plano de aula foi desenvolvido especificamente para uma aluna com paralisia cerebral na faixa etária de 2 anos, focando nas estruturas lógico-matemáticas, em especial na conservação de quantidade de elementos. O objetivo é proporcionar experiências que promovam a interação da aluna com diferentes elementos didáticos, estimulando seu desenvolvimento cognitivo e social. Essa proposta destaca a importância de interações significativas e adaptações adequadas para a realidade da aluna, visando à aprendizagem e ao bem-estar.
O tempo estimado para a execução desta atividade é de 50 minutos, em que se utilizarão materiais que possibilitem a exploração sensorial e a descoberta da conservação de quantidade de uma forma lúdica e acessível. O plano está alinhado com as diretrizes da BNCC, abrangendo o campo de experiências que favorecem o desenvolvimento lógico e matemático de forma inclusiva e adaptável.
Tema: Estruturas lógico matemáticas – conservação
Duração: 50 minutos
Etapa: Educação Infantil
Sub-etapa: Bebês
Faixa Etária: 2 anos
Objetivo Geral:
Proporcionar uma experiência lúdica e sensorial que permita à aluna explorar e compreender a conservação de quantidade através de atividades práticas e interativas.
Objetivos Específicos:
– Estimular a percepção de que diferentes arranjos de objetos podem manter a mesma quantidade.
– Incentivar a interação com a educadora e o ambiente, promovendo a comunicação através de gestos e sons.
– Despertar o interesse pela manipulação de objetos, ampliando a compreensão sobre quantidade e conservação.
Habilidades BNCC:
CAMPO DE EXPERIÊNCIAS “O EU, O OUTRO E O NÓS”
(EI01EO03) Interagir com crianças da mesma faixa etária e adultos ao explorar espaços, materiais, objetos, brinquedos.
(EI01EO04) Comunicar necessidades, desejos e emoções, utilizando gestos, balbucios, palavras.
CAMPO DE EXPERIÊNCIAS “CORPO, GESTOS E MOVIMENTOS”
(EI01CG05) Utilizar os movimentos de preensão, encaixe e lançamento, ampliando suas possibilidades de manuseio de diferentes materiais e objetos.
CAMPO DE EXPERIÊNCIAS “ESPAÇOS, TEMPOS, QUANTIDADES, RELAÇÕES E TRANSFORMAÇÕES”
(EI01ET01) Explorar e descobrir as propriedades de objetos e materiais (odor, cor, sabor, temperatura).
(EI01ET06) Vivenciar diferentes ritmos, velocidades e fluxos nas interações e brincadeiras (em danças, balanços, escorregadores etc.).
Materiais Necessários:
– Cubos de diferentes cores e tamanhos, fáceis de manusear.
– Pratos ou bandejas grandes para a colocação dos objetos.
– Música suave para ambientar a atividade.
– Fitas coloridas para delimitar espaços.
– Livros ilustrados que mostram conceitos de quantidade.
Situações Problema:
Apresentar à aluna uma situação em que ela precise comparar diferentes quantidades de cubos: “Olha, temos 3 cubos assim e 3 cubos assim. Eles são diferentes ou iguais?” Essa questão pode desencadear a checagem visual e tátil sobre a quantidade, reforçando a noção de que a disposição não altera a quantidade.
Contextualização:
A conservação de quantidade é um conceito fundamental nas estruturas lógico-matemáticas. Em um ambiente acolhedor e seguro, a aluna poderá explorar diversas situações em que a quantidade permanece a mesma, mesmo que a disposição dos objetos mude, ajudando-a a desenvolver compreensões essenciais sobre o mundo ao seu redor.
Desenvolvimento:
1. Preparação do Ambiente: Organizar a sala, delimitando um espaço seguro e confortável onde a aluna possa se movimentar livremente. Colocar os cubos em uma bandeja e garantir que a música suave esteja tocando ao fundo.
2. Exploração Livre: Permitir que a aluna explore os cubos livremente. Observar e incentivar a comunicação, utilizando gestos e expressões para expressar suas reações.
3. Apresentação dos Conceitos: Utilizar os cubos para demonstrar a conservação de quantidade. Agrupar cubos de formas diferentes e perguntar à aluna se a quantidade é a mesma.
4. Jogos de Comparação: Propor jogos em que a aluna precise agrupar cubos semelhantes ou diferentes, reforçando a ideia de comparação.
5. Reflexão e Encerramento: Fazer um fechamento das atividades, onde a aluna possa comentar sobre o que aprendeu ou sentiu, incentivando-a a utilizar gestos ou balbucios.
Atividades sugeridas:
1. Exploração Sensorial dos Cubos
– Objetivo: Estimular a percepção tátil da aluna.
– Descrição: Propor que a aluna sinta diferentes texturas dos cubos.
– Instruções: Apresentar um cubo de cada vez, encorajando a tocar e descrever as sensações.
– Materiais: Cubos de diferentes texturas (liso, áspero).
2. História e Contar com Cubos
– Objetivo: Conectar conceitos de quantidade com narrativas.
– Descrição: Ler uma história enquanto utiliza os cubos para exemplificar a quantidade mencionada.
– Instruções: Durante a leitura, oferecer os cubos correspondentes aos números da narrativa para que a aluna possa segurar.
– Materiais: Livros ilustrados e cubos.
3. Dança dos Cubos
– Objetivo: Trabalhar a movimentação e a associação de ritmos.
– Descrição: Criar um momento de dança onde a aluna segura os cubos e faz os movimentos de acordo com a música.
– Instruções: Incentivar a aluna a movimentar os cubos conforme ela dança, praticando movimentos de balanço e deslocamento.
– Materiais: Música suave e os cubos.
Discussão em Grupo:
Em um contexto de sala, mesmo uma única aluna poderá ter a opção de interagir, embora neste momento, o foco seja na interação com a educadora. Desse modo, um espaço de diálogo pode ser aberto, onde a educadora faz perguntas sobre as experiências que a aluna tenha com os cubos e a possibilidade de comparação entre as diferentes quantidades.
Perguntas:
– Você consegue contar quantos cubos temos aqui?
– O que acontece se mudarmos essa fila de cubos?
– Como você se sente ao brincar com os cubos?
Avaliação:
A avaliação será contínua, observando como a aluna reage às atividades propostas. Notar sua capacidade de interagir, comunicar-se e compreender as noções de quantidade será fundamental para aferir o progresso ao longo da aula.
Encerramento:
Finalizar a aula com a revisão do que foi aprendido, permitindo que a aluna expresse suas experiências. Momentos de acolhimento são essenciais, reforçando a importância de cada descoberta feita durante as atividades.
Dicas:
– Use sempre uma linguagem clara e acessível, facilitando a comunicação.
– Incentive a expressão de emoções, criando um ambiente positivo.
– Esteja atento às necessidades da aluna, garantindo que as atividades sejam adaptáveis às suas condições.
Texto sobre o tema:
O conceito de conservação de quantidade é uma das bases fundamentais no desenvolvimento cognitivo infantil. Em primeiro lugar, a compreensão de que uma quantidade de objetos não se altera com a mudança de sua disposição é essencial para a formação do pensamento lógico-matemático. O trabalho com a conservação pode ser abordado de forma lúdica e dialógica, em que as crianças interagem com o ambiente e manipulam diferentes materiais.
Por meio das experiências, a criança não apenas aprende que a quantidade se mantém a mesma, mas também desenvolve habilidades como a observação e a comparação. Essa abordagem é especialmente rica em ambientes inclusivos, onde cada criança é incentivada a expressar seus sentimentos e percepções. A inclusão de atividades práticas e exploratórias, que estimulem as diferentes formas de aprendizado, promoverá um desenvolvimento mais completo, respeitando as individualidades de cada aluno.
O jogo e a exploração sensorial são fundamentais no processo de ensino-aprendizagem. O simples ato de tocar, comparar e contar possibilita que a criança internalize esses conceitos matemáticos de maneira natural. É essencial proporcionar momentos onde a criança seja a protagonista do seu aprendizagem, estabelecendo um espaço seguro para que ela coloque suas teorias à prova e comprove suas próprias conclusões, desenvolvendo assim sua autonomia e autoconfiança.
Desdobramentos do plano:
Este plano de aula pode ser desdobrado para diversas outras atividades que ampliem a experiência da aluna com quantidades e conservação. Por exemplo, é possível incluir a exploração de cores e formas em conjunto com os cubos, propondo uma formação multidisciplinar que uma a matemática com as artes. Dessa forma, a aluna poderá não apenas aprender sobre quantidade, mas também sobre as diferenças visuais e texturais dos materiais.
Além disso, ao trabalhar com a manipulação de diferentes materiais, o plano pode ser expandido. A inclusão de estratégias de emparelhamento, nas quais a criança conecta quantidade a diferentes objetos, pode servir para reforçar a compreensão da conservação ao mesmo tempo que se movimenta no espaço, aumentando a sua percepção corporal e a interação social. Isso pode incluir o uso de materiais do cotidiano e diferentes texturas que ajudam a enriquecer a experiência de aprendizado.
Por fim, atividades em grupo podem ser desenvolvidas, mesmo em pequenos grupos, onde se pode trabalhar a noção de cooperação e socialização. Essas experiências não apenas estimulam a compreensão matemática, mas também promovem o desenvolvimento emocional da criança ao ensinar a importância do trabalho em equipe e da interação social, habilidades essenciais no processo de aprendizagem ao longo da vida.
Orientações finais sobre o plano:
Ao aplicar este plano, é crucial considerar a individualidade da aluna e adaptar as atividades às suas necessidades específicas. O uso de materiais táteis, visuais e auditivos poderá facilitar a familiarização com os conceitos de conservação de quantidade. As atividades devem ser sempre desenhadas com a flexibilidade necessária para atender a diferentes ritmos e formas de aprendizado, garantindo um ambiente inclusivo e acolhedor.
Além disso, as interações constantes entre a educadora e a aluna devem ser estimuladas, incentivando a comunicação através de gestos e expressões. A intenção é promover não apenas a aprendizagem cognitiva, mas também contribuir para o desenvolvimento da expressão emocional da aluna, reforçando seu papel ativo na construção do saber.
Por último, sugerimos que ao longo do processo, o educador mantenha um registro das observações feitas durante as atividades. Esses registros podem ajudar a planejar os próximos passos na aprendizagem da aluna, permitindo um feedback constante sobre seu desenvolvimento e processos de aprendizagem, contribuindo significativamente para uma educação mais eficaz e inclusiva.
5 Sugestões lúdicas sobre este tema:
1. Caça ao Tesouro de Cores
– Idade: 2 anos
– Objetivo: Identificar e contar cubos coloridos.
– Descrição: Esconder cubos em diferentes lugares na sala e pedir para que a aluna encontre.
– Materiais: Cubos coloridos.
– Condução: Após a busca, contar quantos cubos foram encontrados.
2. Criação de Histórias com Cubos
– Idade: 2 anos
– Objetivo: Estimular a narrativa associada a quantidades.
– Descrição: Utilizar os cubos para criar personagens e contar uma história simples.
– Materiais: Cubos e livros.
– Condução: Incentivar a aluna a participar da contação, manipulando os cubos.
3. Festa dos Sons
– Idade: 2 anos
– Objetivo: Criar sons com os cubos.
– Descrição: Chacoalhar cubos dentro de caixas para criar diferentes sons.
– Materiais: Caixas e cubos.
– Condução: Propor que a aluna identifique os sons.
4. Construindo Estruturas
– Idade: 2 anos
– Objetivo: Explorar a construção e comparação de torres.
– Descrição: Incentivar a construção de torres com os cubos, comparando alturas.
– Materiais: Cubos.
– Condução: Incentivar a contar quantos cubos foram usados para cada torre.
5. Ritmos e Movimentos
– Idade: 2 anos
– Objetivo: Trabalhar a coordenação motora.
– Descrição: Usar cubos para seguir um ritmo de batidas.
– Materiais: Cubos e música.
– Condução: Incentivar a aluna a bater os cubos em diferentes ritmos.
Essas sugestões permitem explorar o tema da conservação de quantidade de maneiras diversas e lúdicas, engajando a aluna em atividades que promovam o aprendizado e a interação de forma significativa e acessível.

