Origens e Contribuições da Epistemologia e Ontologia Antiga e Medieval

A proposta deste plano de aula é proporcionar uma análise aprofundada e reflexiva sobre as origens da epistemologia e ontologia antiga e medieval. O conteúdo abordado visa esclarecer as condições que favoreceram o surgimento da Filosofia na Grécia Antiga, assim como as contribuições de pensadores fundamentais que moldaram o pensamento ocidental. Ao longo das aulas, os alunos serão convidados a explorar, discutir e articular conceitos essenciais que vão de Heráclito a Santo Agostinho, proporcionando um rico entendimento sobre a transição do pensamento filosófico até a Idade Média.

A metodologia proposta incluirá a leitura critica de textos filosóficos, discussões em grupo, produção de resumos e debates, visando incentivar a participação ativa dos alunos. O ensino da epistemologia e ontologia não só contribui para o desenvolvimento do pensamento crítico como também enriquece a compreensão dos fundamentos da Filosofia através da história, proporcionando aos alunos uma base sólida para suas futuras investigações filosóficas.

Tema: Epistemologia e Ontologia Antiga e Medieval
Duração: 4 aulas
Etapa: Ensino Médio
Sub-etapa: 1º Ano do Ensino Médio
Faixa Etária: 17 anos

Objetivo Geral:

Planejamentos de Aula BNCC Infantil e Fundamental

Compreender as origens e as características das teorias epistemológicas e ontológicas da Antiguidade e da Idade Média, analisando a evolução do pensamento filosófico diante de contextos históricos, sociais e culturais.

Objetivos Específicos:

– Analisar as condições econômicas e políticas que permitiram o surgimento da Filosofia na Grécia.
– Discutir os conceitos de ser e devir nas obras de Heráclito e Parmênides.
– Compreender a dualidade sensível/inteligível proposta por Platão.
– Explorar a teoria hilemórfica e as causas de Aristóteles.
– Refletir sobre as perspectivas céticas de Pirro e Sexto Empírico.
– Identificar as contribuições de Santo Agostinho e Tomás de Aquino à Filosofia Medieval.
– Examinar a importância de Guilherme de Ockham na crítica ao pensamento filosófico anterior.

Habilidades BNCC:

– EM13CHS101
– EM13CHS103
– EM13CHS104
– EM13CHS105
– EM13CHS202
– EM13CHS205

Materiais Necessários:

– Textos-fonte sobre os pensadores abordados (Heráclito, Parmênides, Platão, Aristóteles, Pirro, Santo Agostinho, Tomás de Aquino, Guilherme de Ockham)
– Quadro branco e marcadores
– Projetor e slides com conceitos-chave
– Material para escrita (cadernos, canetas, etc.)

Situações Problema:

– Por que a Filosofia surgiu na Grécia e quais fatores históricos contribuíram para isso?
– Como as visões de mundo de diferentes filósofos refletem em suas teorias do ser?
– De que maneira o Cristianismo impactou o pensamento filosófico anterior?

Contextualização:

As especulações filosóficas sobre o ser e o conhecimento nos levam a uma jornada através da história. A Grécia Antiga, com sua rica cultura e sistema político, fomentou um ambiente propício para ideias inovadoras. Os pensadores que emergiram dessa época introduziram conceitos que beneficiaram laços sociais e, posteriormente, influenciaram a evolução da religião e da ciência. A transição para a Idade Média traz novos desafios e debates que moldaram o pensamento ocidental.

Desenvolvimento:

1ª Aula – Introdução à Filosofia Antiga
– Introdução ao contexto histórico da Grécia Antiga.
– Discussão sobre Heráclito e Parmênides: ser e devir.
– Atividade em grupo: reflexões sobre a dualidade de ser e o devir nos dias atuais.

2ª Aula – Platão e Aristóteles
– Análise da teoria das ideias de Platão e a questão do sensível e inteligível.
– Explicação detalhada sobre Aristóteles: ato e potência, teoria hilemórfica e as quatro causas.
– Debate: Como as ideias de Platão e Aristóteles influenciam o pensamento contemporâneo?

3ª Aula – O Ceticismo e a Filosofia Cristã
– Introdução ao ceticismo de Pirro e Sexto Empírico e suas implicações.
– Análise das contribuições de Santo Agostinho à filosofia, e a teoria da iluminação divina.
– Discussão sobre as cinco vias de Tomás de Aquino em prova da existência de Deus.

4ª Aula – A Ruptura com o Pensamento Antigo
– Estudo da obra de Guilherme de Ockham e a navalha de Ockham.
– Reflexão final sobre as diferenças entre a Filosofia Antiga e Medieval.
– Atividade integrativa: Elaboração de um painel que resuma o aprendizado sobre ontologia e epistemologia.

Atividades sugeridas:

– Produção de resumos dos principais conceitos ao final de cada aula.
– Grupos de discussão sobre proposições filosóficas.
– Apresentação oral dos grupos sobre o impacto da Filosofia Antiga e Medieval na sociedade atual.
– Criação de um diário de bordo onde os alunos relatem suas reflexões filosóficas semanais.

Discussão em Grupo:

Os alunos serão divididos em grupos para discutir questões polêmicas levantadas nas aulas anteriores, como:
– “Qual a relevância do pensamento cético na Filosofia Medieval?”
– “Como a transição entre o pensamento antigo e medieval refletiu nas práticas sociais?”

Perguntas:

1. Quais as principais diferenças entre as abordagens de Heráclito e Parmênides sobre a natureza do ser?
2. Como Aristóteles defendia a sua teoria das causas em contraste com a visão platônica?
3. Quais implicações a teoria da iluminação divina de Agostinho teve na formação do pensamento cristão?

Avaliação:

– A avaliação será contínua, considerando a participação nas discussões, a qualidade dos resumos e reflexões escritas, e a apresentação final do painel. Além disso, um teste escrito será aplicado ao final do tema abrangendo todos os conteúdos discutidos.

Encerramento:

Para encerrar a unidade, será realizado um breve vídeo ou uma apresentação que relaciona o conhecimento adquirido a atuais discussões científicas e filosóficas. Esse exercício permitirá que os alunos percebam a continuidade do pensamento filosófico ao longo do tempo.

Dicas:

– Incentivar a leitura de autores contemporâneos que dialoguem com a Filosofia Antiga e Medieval.
– Promover visitas a palestras ou conferências sobre Filosofia e suas implicações nos dias atuais.
– Usar recursos audiovisuais que proporcionem uma compreensão mais dinâmica do conteúdo, como documentários ou debates online.

Texto sobre o tema:

A epistemologia e ontologia são duas questões fundamentais da Filosofia que buscam entender a natureza do conhecimento e do ser. Na Grécia Antiga, esses conceitos começaram a ser discutidos de forma sistemática, influenciando não apenas a Filosofia, mas também várias áreas do conhecimento humano. Filósofos como Heráclito e Parmênides apresentaram visões opostas sobre o ser e o devir, onde Heráclito enfatizava a mudança e o fluxo constante da vida, enquanto Parmênides defendia a ideia de que o ser é imutável e atemporal. Essa tensão introduziu um debate que continuaria ao longo dos tempos filosóficos futuros.

O trabalho de Platão foi crucial, uma vez que ele propôs um modelo dualista, distinguindo o mundo sensível do mundo inteligível. Platão introduziu a teoria das ideias, onde as formas perfeitas e eternas habitam um domínio separado das coisas materiais e imperfeitas. Em oposição, Aristóteles trouxe uma nova perspectiva, insistindo que a realidade é encontrada nas coisas concretas e que conhecimento deve ser baseado em observação e explicações plausíveis. Aristóteles também formulou o conceito de hilemorfismo, onde toda coisa é composta de matéria (hile) e forma (morphe), e suas teorias sobre as causas (material, formal, eficiente e final) foram fundamentais para o desenvolvimento do pensamento científico e filosófico posterior.

A Transição da Filosofia Antiga para a Medieval marca um momento de mudança filosófica profunda. Santo Agostinho influenciou a teologia cristã através da sua filosofia da iluminação, propondo que o conhecimento verdadeiro vem de Deus e que a razão é uma ferramenta que deve ser usada para compreender isso. A obra de Tomás de Aquino, ao discutir as cinco vias para provar a existência de Deus, associou a filosofia às doutrinas religiosas, argumentando que a fé e a razão podem coexistir. Finalmente, o ceticismo representado por pensadores como Guilherme de Ockham, que propôs a navalha de Ockham, enfatizava a economia de ideias e o valor da simplicidade em explicações, mostrando a necessidade de questionar as suposições filosóficas anteriores.

Desdobramentos do plano:

Ao longo do estudo da epistemologia e ontologia, os alunos não apenas compreenderão teorias filosóficas, mas também aprenderão a aplicar esse conhecimento na análise de suas próprias concepções do mundo. A investigação das diferenças entre os pensadores antigos e medievais proporcionará uma compreensão crítica das bases sobre as quais muitas teorias modernas são construídas. Essa habilidade crítica é essencial para que os alunos possam avaliar a validade das informações que encontram no cotidiano e desenvolvam um senso de discernimento ao considerar as diversas abordagens que encontramos na sociedade contemporânea.

Os debates propostos no decorrer das aulas buscam envolver os alunos em discussões filosóficas relevantes, incentivando-os a pensar sobre a importância dessas questões na construção de suas visões de mundo pessoais. Além disso, a atividade de apresentar o painel de conceitos permitirá que os alunos organizem e integrem o conhecimento, reforçando a memória e promovendo um aprendizado mais significativo e duradouro.

A aplicação contínua do conhecimento em suas atividades cotidianas e a reflexão sobre a influência histórica das teorias filosóficas permitirá um aprendizado mais profundo. Os alunos não só se tornarão mais informados sobre a história da filosofia, mas também desenvolverão um senso crítico sobre as questões que moldam o pensamento em torno dos conceitos de ser e conhecimento contemporâneos. Os conceitos de vacuidade, mudança e fidelidade às ideias centrais da história filosófica ressoarão como balizas que ajudam os alunos a navegar em um mundo muitas vezes confuso e multifacetado.

Orientações finais sobre o plano:

Ao final do plano, os alunos devem ser encorajados a refletir sobre como as teorias filosóficas estão interligadas com questões cotidianas. O desenvolvimento da capacidade de questionamento e pesquisa é crucial para a formação do pensamento crítico. Os educadores devem estar abertos a estimular discussões respeitosas e considerar as diferentes perspectivas que os alunos trazem para a sala de aula.

A formulação de perguntas e a promoção de debates devem ser uma prática constante, desafiando os alunos a explorar as implicações de suas reflexões nos contextos modernos. É também essencial reconhecer o valor das intersecções entre Filosofia e outras áreas do conhecimento – como História, Literatura e Ciências – pois isso permitirá que os alunos construam uma visão mais holística do saber humano.

Por último, ao conduzir a sala de aula, os educadores devem assegurar um espaço seguro e acolhedor, onde todos os alunos se sintam valorizados e capazes de expressar suas ideias e dúvidas. A Filosofia é uma disciplina que não se esgota em respostas definitivas; pelo contrario, ela convida a um diálogo incessante que deve ser valorizado e nutrido ao longo de todo o percurso educacional.

5 Sugestões lúdicas sobre este tema:

1. Jogo de Papéis Filosóficos – Os alunos assumem as identidades de filósofos, como Platão e Aristóteles, e debatem suas todos ponto de vista. Objetivo: conhecer e entender diferentes escolas de pensamento. Materiais: fichas com biografia e ideias principais de cada filósofo.
2. Criação de um Mapa Mental – Em grupos, os alunos montam um mapa mental sobre os conceitos principais da epistemologia e ontologia, utilizando desenhos e imagens. Objetivo: sintetizar o conhecimento de forma visual. Materiais: papel, canetas coloridas, revistas para recorte.
3. Teatro de Sombras – Em formato de teatro, os alunos encenam diálogos entre filósofos sobre suas visões. Objetivo: representar de forma artística o conteúdo pelas interações. Materiais: cartolina e lanternas.
4. Criação de Podcasts Filosóficos – Produção de episódios curtos discutindo temas abordados na aula, como ceticismo e iluminismo. Objetivo: desenvolver habilidades de fala e escrita, além de reflexão crítica. Materiais: dispositivos para gravação e edição de áudio.
5. Exposição Interativa – Montagem de uma exposição em que os alunos devem compartilhar suas pesquisas sobre os filósofos estudados, utilizando recursos visuais e apresentando a colegas. Objetivo: promover a partilha de saberes e a expressão criativa. Materiais: cartazes, projetores, softwares de edição.


Botões de Compartilhamento Social